quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

E chegou o dia

Então....
Antes eu ficava louca pensando em quando Isaac crescesse e quisesse começar a ler esses escritos aqui.
Nunca me permiti censurar.
Meu filho, vive comigo, sabe bem das coisas que faço e falo.
Certeza que ia reprovar uma montanha de coisas, se envergonhar com tantas outras.
Ok.

O tempo passou, a maternidade mudou pra mim, em mim, me mudou... esse blog aqui ficou um tanto abandonado... E tal....
E o dia chegou.

Antes de eu falar de hoje, preciso contar que sexta-feira tive conversa super produtiva com colega-pai-de-menino-de-dez-anos.
A gente falando das crias informadas e informatizadas, da tecnologia, desse mundo maluco.
E ele me disse que o filho quer ser YouTuber quando crescer (ou daqui dois anos, quem sabe).
Como toda mãe, curti horrores a conversa durante bom tempo, enquanto ela passeava pelos Meus pensamentos.

Enquanto isso, eu e Isaac Passamos o feriado montando um castelo de lego.
Lindo, enorme, cheio de criatividade e detalhes.
Hoje ele acordou agitado, contemplou o castelo, se orgulhou e deixou a coisa fluir:

- mama!!!! Tira uma foto! Foto boa hein?!?!

- Ok. Assim???

- isso. Agora coloca no Safari.

- oi?!?!

- isso mãe, na internet ó!

(Sua velhota lerda e desatualizada - dava pra ler nas entrelinhas)

- vc quer seu castelo na internet?

- sim. Na página do Google de "castelos legais".

Fiquei ali, parada, sei lá se admirando o momento sei lá se mergulhando na doideira ou chorando por dentro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

as sete (e muitas mais) faces do ser humano de sete anos

Esse é um apanhado do todo dia lá em casa.
De como é ser mãe, amiga, colega de quarto, de brincadeira, de zueira e de briga.
Esse é um tanto do Isaac, e de mim, pq não?!?!

O educado:
Assiste indignado o narrador de um canal infantil que usa a frase "sai da frente" para anunciar o desenho que vai começar.
- nossa! que moço mais mal educado? Ele não sabe que se diz "da licença"?

O consciente
Assusta ao ver a máquina de lavar roupa completando um dos seus ciclos.
- mãe!!!! Você sabe bem que está acabando com a água do planeta, né?

O fofo possessivo
Me abraça forte e repete um milhão de vezes:
- vc é minha mãe, minha mãe, minha mãe, só minha, minha minha.

Só que não
Me olha bem nos olhos e metralha:
- sai, sai, você atrapalha minha brincadeira.

O saudável
Abre o saquinho de mini pizzas e fica horrorizado:
- você tá de brincadeira né? Cadê tomate? Isso aqui é só um pãozinho redondo com queijo!

O carente
- vc não me ama! O iron não me ama! Ninguém me ama!!!! Como é que alguém vive assim?

O nerd
- mãe, mae, acorda!
- hummmmm
- mãe, acorda! É sério!
- oi filho.
- como é mesmo a música do darth vader?

O controverso
- posso escolher? Então eu quero pizza de brócolis com rúcula.
- só isso?
- só. Mas não esquece do bacon.

O safadinho
- ai To cansado.
- muito?
- ai ai ai ai (bem tipo maria do bairro)
- mas tá com dor também?
- ai ai ai ai ai (bem tipo marimar)
- onde?
- ai, aqui ó, nos pés.
- aqui?
- é. Aproveita e faz uma massagem.

O polêmico
- Isaac? Quem vc acha que manda em casa?
- a mamãe, ela manda em tudo aqui.

O sedentário
- vamos! Vamos pedalar!
- aaaaaaaaa....
- vamos Isaac! Faz bem pra sua saúde! E é super divertido!
- divertido? Onde é divertido fazer força e ficar com dor nas pernas?

O negociante
- Ok. Vamos combinar. Você pedala x minutos e ganha x minutos de jogo no tablet.
- tá, mas se eu pedalar mais eu vou poder jogar de graça?

O bagre ensaboado
- mãe, eu fiquei na cor amarela hoje na escola (todo miando).
- a é? E o que houve?
- olha, me escuta primeiro, eu não sabia que conversar enquanto um outro amigo estava apresentando seu trabalho era sinal que eu não gostava dele.
- mesmo assim, a professora está certa. Não é legal atrapalhar o colega.
- é, mas eu gosto dele! (Faz a vítima)
- sei.
- mas eu gosto de conversar tbm, oras. Ela não entende?????

O dramático
- vamos filho! Já já vc tem pilates!
- pilates????? (Lagrimazinha no canto)
- sim, pilates.
- pq? Pq? Pq???????

O prático
- vamos! Vc tem que terminar todos os exercícios. Depois vc escolhe o que fazer.
- sério?
- sério.
- é isso. Vc não me ama mais.

O docinho de coco da mamãe.
- e aí Isaac? Tudo lindo na escola?
- tudo, mas faltou uma coisa.
- o que?
- vc, mãe, faltou vc.

O surreal
- vem aqui mãe! Deita e levanta a blusa!
- pra quê meu filho????
- vou tirar a tampa do seu umbigo e me enfiar aí de novo.

O impaciente
- calma Isaac. Precisa ter paciência.
- paciência? Pra que serve paciência?
E antes de eu concluir um movimento respiratório completo...
- pra que serve? Pra quê? Pra que serve? Hein? A paciência? Ela serve pra que? Oi? Quem precisa de paciência? Que paciência? Hein? Manhê? Vc tem paciência? Que paciência? Pra quê?

O saudoso-canibal
- mãe, eu estou com tanta saudade que engolia você e guardava aqui dentro.

O canibal-canibal
- estou com fome. Mas tanta fome! Vem cá!
(E faz aquele mundaréu de onomatopeias fingindo que está me mastigando)

O brontossauro
- mãe! Eu não comi lanche na escola hoje. Agora, se eu pudesse comia uma árvore. Mas aquela árvore gigante, lá da avenida, aquela enorme. Bem alta.

Na TPA (tensão pré-alguma coisa que ainda não descobri)
-humpf....
- tudo bem filho?
- afffffffuuuuu....
- Isaac?
Ele me olha torto, bem torto, levanta e vai até o lugar mais longe que consegue, se enfia num gibi e só sai quando está morrendo de fome.

O super sincero
- mãe, não vá se ofender, mas, com essas unhas compridas, vc está parecendo uma BRUXA.
Ao ver minha decepção ele manda:
- ué, eu tinha que falar. Tinha!






terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Três minutos



Achei interessante ser esse o primeiro post do ano.

(Tenho sido uma blogueira sem vergonha e não nego)

Acontece que a gente, por mais insano que pareça, quer mesmo é a bendita da felicidade.
Quer ser feliz.
Quer o filho feliz.
Marido, cunhadas, sogro, sogra, pais, país, universo. Tudo na plena felicidade.
Impossível?
Sei que é.
Mas não custa tentar.

Acontece que eu, ser reclamão, porém chegado numa gargalhada bem dada, tenho sofrido muito com a ranhetice do Isaac.

Ele é lindo, saudável, vive bem, escola legal, pais que o amam, dentes sendo alinhados pelo aparelho, mas risada zero.

É difícil tirar um sorrisinho do danado.
Ele é emburrado de natureza.
Não vê graça.
Gargalhada é coisa rara.

Enfim, estava eu outro dia, só com meus botões, me entregando as músicas, como de costume, tive uma ideia.

Vou fazer três minutos.
Três. Só três.
Começo sozinha, tenho certeza, mas sei que ele vai se render.

E como quem não queria nada, coloquei a música mais dançante e pulante da playlist e me joguei nos movimentos.
Dancei como se Ana Botafogo fosse (tivesse tido um ataque).
Dancei feito clipe dos anos 80.
Moves like jagger, Jackson, travolta.
Pelos três minutos e poucos da música eu ri de mim, rodopiei e girei.
Cantei alto.

E quando me dei conta havia um serzinho loiro de olhar reprovador parado na porta da sala.
Não sabia se ria, chorava ou ligava pro conselho tutelar.

Estava achando aquilo tudo um absurdo gigantesco.
Vergonha da mãe que tem.
Branco, apoiado na parede como se tivesse 60 anos.

Eu só parei a hora que a música terminou.
Olhei bem nos olhos dele, toda descabelada, e propus que ele também tivesse aqueles três minutos.

Estendi a mão, tentei brincadeira, chamei.
E ele:
- eu, hein?????

Nota pra mim mesma e pra vc, Isaac do futuro: nunca se permita desperdiçar oportunidades de ser feliz, mesmo que sejam os três minutos mais bobos ever. Sempre vale a pena.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

esse velho aí não existe

das loucuras dessa vida, a maior - creio eu - é esquecer que o tempo passa, e junto com ele a inocência e as gracinhas infantis.
isaac ainda é criança. sim. sim.
mas não é mais um bebezinho.
nem um menininho fácil de enganar.

acontece que no começo do mês ele veio falando sobre os presentes de natal.
e eu, toda desatualizada, perguntei sobre a cartinha que ele escreveria ao noel.
e tomei, claro:

- eu sei que não é ele que traz os presentes.

ploft!
momento drama da mamãe.
aquele mimimi todo que vocês já conhecem.
logo pensei que com sete anos eu já tinha mandado o bom velhinho à merda.
então, tudo bem.

bom,
e como vocês tbm me conhecem, eu não deixei quieto:

- e quem é que traz os presentes, isaac?

- uma pessoa vestida de papai noel, ué.

- uma pessoa qualquer?

- é. um desconhecido.

- alguém que não te conhece?

- é.

- e traz um presentaço pra vc no natal?

- é.

ploft!
momento mãe lokalokaloka.
pensei em cooooooomo meu delllllssss!!!! essa criança, nesse mundo louco, cheio de perigos, poderia i-ma-gi-nar que um estranho pode ser legal a ponto de dar um presente pedido e aguardado durante o ano toooodoooooo??????
bora destruir esse conceito aí, minha gente.

bom,
não sei se fiz certo. não se se deveria, mas cortei aí.
expliquei com calma, com amor e paciência... fui conversando até ele mesmo chegar a conclusão de quem, na real dava os presentes a ele.

senti sim a decepção.
fui olhada daquela maneira que arrepia, sabe?
daquele jeito "sua velha cruel, mentiu pra mim durante tooodos esses anos????".

mas ó, passou.
mas passou assim:

- mãe, então se antes eu ganhava um presente do papai noel e um de você e do papai.... agora vocês vão me dar DOIS presentes?????

né?

sábado, 14 de novembro de 2015

O acabar do mundo.


Se minha vozinha estivesse viva e um tanto lúcida acredito que choraria dias ao ver o absurdo que aconteceu com a Vale em Minas Gerais.
E digo mais, morreria perguntando os motivos ao seu Deus, todas as noites, orando pelo Rio Doce.
Grande mulher. Repetiria "o mundo está acabando, que pena".
Chego a ser egotista a ponto de dizer um "sorte a dela" ter-lhe a morte poupado dessas coisas.
Sobre Paris? Sobre os atentados? Sobre o terror?
Diria que Dona Eliza ergueria os ombros e seria prática "esse tudo acontecendo aqui e vocês buscando problemas lá do outro lado do mundo?".
Mas acontece, vó, se a senhora estiver me ouvindo, o mundo não é mais tão pequeno.
Ontem mesmo eu respondia, em uma prova, pergunta sobre o Charlie Hebdo. E sinto até hoje um arrepio na espinha.
Outro dia mesmo eu lamentava sobre os refugiados.
Ainda vivo indignada com os subnutridos.
Achando a Rússia uma loucura.
Estão essas questões, cada uma delas, em outros lados do mundo. E como esse mundo agora é pequeno.
Pra você ver...
Seu bisneto ontem bateu as asas, sua primeira viagem sem os pais.
Foi pra longe, mas nada que algumas horas de avião não resolvam.
Se der saudade?
Skype, WhatsApp, SMS, messengers, tudo num clique.
Se acontecer algo?
Se ele ficar doente?
Se ele quiser vir embora?
Ora, vó, a pediatra está online e a vida é assim mesmo.
Com certeza ela me reprovaria e diria algo sobre criação dos filhos "eu trabalhava demais, mas vocês hoje, não tem limite. Lógico que ele nem vai sentir saudade, passa muito tempo longe de vc."
Sim. Eu choraria alguns dias pensando nisso. Pensando muito.
Mas voltaria a ficar horrorizada com o noticiário. E depois mais horrorizada ainda sabendo que ele não me mostrou tudo o que deveria.
Mais mais horrorizada por pensar que há gente nesse mundo pequeno que vive satisfeita com essas verdades incompletas.
E vem aquele cisco de felicidade.
Um cisco meu, em pensar no Isaac.
Lembrar que o estamos educando para ser diferente.
Para não ficar preso a lugares, nem ideias, nem não-verdades.
Me veio o rostinho dele ontem, cheio de ansiedade e felicidade.
Em seus sete anos, tão gigantesco, questionador, atento.
Com todas as perguntas que ainda vai fazer, e as mais milhões delas que ainda vai descobrir.
Sobre a viagem, a família, Minas Gerais e Paris.
E sobre ele mesmo, claro... Sobre ele mesmo.

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