quarta-feira, 22 de outubro de 2014

não lembro

passamos aqui por mais uma fase.
ou é a extensão de alguma outra que achamos já ter terminado.
ou ainda, é assim mesmo, não é fase, e a gente vai tentando.
enfim,
isaac achou melhor responder a todas as nossas perguntas com "não lembro".

qualquer uma delas.
ele não lembra e ponto.

aí, eu que sou daquelas que não deixa nada quieto, comecei a prestar atenção na rotina.
logo, cheguei a conclusão de que é muito, mas muito mesmo, falar que não lembra do que colocar a cabecinha pra pensar, queimar uns neurônios, e responder a bendita pergunta.
mesmo que seja o que você almoçou hoje.

e isso, senhores, me arrepia.

não aceito não.

logo, abelhuda que sou, ontem comecei operação "lembra sim, como não?" aqui em casa.
vou de leve no começo, sinto.
se eu vejo mesmo que aqui mora o cúmulo da preguiça mental, viro a loka.

sou doida?
pode ser.
mas me dói ver cabecinha tão fresca.
máquina tão nova já falhando.

pode ser culpa minha ( a lá!)
culpa do pouco estímulo.
culpa da tecnologia que não deixa mais a gente nem pensar antes de tocar uma tela ou apertar um botão.
sei lá.
mas assim, desmemoriado aos seis anos de idade, já é demais.

então.
nessa nova operação que aqui se inicia, sou tirana?
sou vilã?
sou (ia falar malévola, mas esta teoria caiu por terra depois da angelina, né gente?) rei stéfano???
nada.
só me entrego às charadas e à ironia.

exemplo1:

- mãe, onde está meu livro?
- lá na prateleira, onde os livros são guardados, ué.
- mas não está.
- onde você acha que está?
ele já fica levemente irritado e sai batendo o pé, mas creio que a semente já foi plantada, né?

exemplo2:
estava eu no carro cantando beatles quando isaac me pergunta o significado de uma palavra em inglês.
digo o significado, explicando sim de uma maneira que ela fique linda e ele acrescente no vocabulário.
no próximo refrão ele pergunta de novo e eu digo só o significado.
assim, como se fosse a primeira vez, em menos de 3 minutos, ele pergunta de novo.
respondo, né? outra língua, etecéteras.
na quarta.... na quarta vez, minha amiga, vi a oportunidade:

- o que vc acha que significa?
- não lembro.
- mesmo? faz uma força, essa palavra não parece tal coisa?
- eu não lembro e pronto!

aí, eu peço que ele tente buscar na memória de três minutos atrás.
lógico que, de prima assim, não funcionou.
lógico que ele se irritou e bufou e soprou e soprou.
mas a casa aqui cai não viu?

e vamos tentando...ufa...

terça-feira, 21 de outubro de 2014

a carga

a culpa é da mãe.
toda da mãe.
e a gente, toda trabalhada no drama, reforça.
até acha realmente que é.
veste, como se fosse verdade.

eu ainda tenho meus momentos drama queen.
acho sim que a culpa é minha.
aliás, procuro toda essa culpa em mim.

mas já estou naquela fase mais descolada.
onde se a culpa é minha eu (em alguns momentos lógico) até aceito, pego pra mim (mesmo que não seja) e vejo o que dá pra fazer.
se não der, paciência.
em outras situações, se me tentam tacar a culpa.
dou gargalhada na cara dela e digo que aqui não.

mas ainda tenho anos a aprender sobre.
muito chororô e desespero materno passarão por baixo desta ponte.
mas vamos levando.

acontece, que isaac, criatura que é, me joga/esfrega na cara o que acha de todo o trabalho materno.
aquele que ele acompanha no todo dia.
somado a dois meses sem ajudante no lar.

explico.
ele é fã. fã. fã. dos saltimbancos.
passa perto do aparelho de som, dá play no cd e dá risada com a galera das antigas.
canta, dança.
entende novas palavras.

pois bem.
ontem ele começa a cantar a música do jumento.
acho lindo, como tudo.
até ter o choque de realidade:

"O pão, a farinha, feijão, carne seca
Quem é que carrega? 

MA-MÃE!

O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
Quem é que carrega? 

MA-MÃE!

O pão, a farinha, feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
A areia, o cimento, o tijolo, a pedreira
Quem é que carrega?

MA-MÃE!"

ria o danado.
e quando perguntei o motivo da cantoria ele só respondeu:

- mas é, não é?????

....

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

raciocinando

está aberta a temporada de amigos em casa.
delícia.
adoro.
e junto com as visitas, as tardes agitadas e animadas, vem uma sorte incrível de pérolas.
gracinhas.
visões adoráveis da vida.

e ontem, estava eu de longe, acompanhando os meninos, quando escuto o seguinte papo:

- olha lucas! achei uma pena!

- de passarinho isaac?

- não sei, mas ó, não dá pra keith! Ela adora comer passarinhos.

- ela come carne?

- come. carne de passarinho.

- então ela é o quê? carnívora.

- é, carnívora.

- e o outro cachorro?

- o iron? o iron só come ração.

- e quem como ração é o quê, isaac?

- ué... que come ração é rac..raci...racioooo.... é racional.

(acho que o outro amigo deve ter ficado encarando isaac com o tipo "não entendi", mas ele continuou, mesmo sem se entender também)

- racional não... cachorro é irracional... mas come só ração... ah! viu esse carrinho aqui?

....

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Meu filho, o presidente

sei que, numa realidade próxima, ser mãe do presidente é com ser mãe de juiz de futebol.
mas espero eu, que, com esse post, eu seja alvo de risinhos e óóóós sem fim.

isaac chega em casa todo sorrisinho malandro.
abre a mochila e, daquele jeito desengonçado que lhe é peculiar, tira um pedaço de papel crepom vermelho.
arruma aqui, alí, faz um esforço danado e se ajeita.
mostra a faixa todo orgulhoso:

- mama, eu sou o presidente.

oim... pensei... achando que era uma atividade escolar onde todos sairam empossados.

- que lindo, isaac. vc agora tem um cargo de muita responsabilidade, não?!?!

- muita mãe. meus amigos votaram em mim.

pronto. coração da mãe para, explode de alegria e se enche de um orgulho besta.
deve ser a época.
todo mundo num discurso inflamado e partidário.
as verdades do país sendo esfregadas nas nossas fuças.
a indignação que faz chorar por dentro e xingar por fora.
deve ser.
nada.
eu só conseguia pensar "meu filho foi eleito. eleito pela maioria dos votos",
uma legião de 25 pessoinhas lindas e fofas escolheram isaac.
agarrei e apertei tanto que quase arrebentei a bendita faixa.
uma louca.
tirei foto, mandei pros avós, padrinhos, amigos. coloquei em rede social.
eu não me aguentei.

isaac, que não é nada bobo e conhece a mãe que tem, aguentou firme no propósito e esperou.
no dia seguinte, checou se eu não estava fazendo cartazes de campanha ou coisa parecida, e mandou ver:

- e mama, minha proposta de governo foi que a gente tem que pensar mais na natureza do planeta, nos rios, nas árvores e parar com a poluição.

ploft.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dentes

caiu.
neste dia 13/10 caiu o primeiro dente do Isaac.
pra ele, uma vitória.
curtiu amolecer, mostrou pra geral.
e quando o dente parecia ter vida própria, não parava mais quieto, atrapalhou a refeição, meu pequeno corajoso puxou.
arrancou fora e exibiu como um troféu.
o dente?
não...
a banguela.
a janela que ali se abriu.
mostrou ao pequeno que ele não é mais tão pequeno assim, que é grande o suficiente para que a mãe natureza lhe permita ter dentes "de gente grande".
e abriu pra esta mãe aqui mais uma página do capítulo da dramaturgia cujo título se resume em "ele está crescendo, meullldellls, o tempo voa!"
abrindo também as portas para outra criatura mágica.
a fada do dente.
não nego a existência dos seres mágicos.
até sou fã deles, viu...
e essa noite a fada veio.
levou (guardou com todas as suas forças) o dente, deixou moeda.
deixou um brinquedinho também.
e ele acordou felizão.
agora está lá.
escuto de longe ele assobiar pelo buraco que lhe restou.
pelo espaço do dente, que já recebeu visita de pecinhas de lego, todos os dedos da mão, objetos variados.
isaac vai se descobrindo.
todo dia.

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