sexta-feira, 28 de agosto de 2015

festa do pijama. eu sobrevivi.

Festa de aniversário.
Lógico que Isaac queria uma.
E no capricho.
Combinamos então que seria uma bem simples, já que depois de alguns anos trabalhando no ramo festeiro e pirando nas festas do filhote, eu queria mesmo era economizar e voltar a ser a mãe-só-jornalista.
Ele topou. ótimo.

Isaac vinha pedindo uma festa do pijama.
Queria os amigos passando a noite em casa.
Eu achei válido e viável.
Achei uma graça até.
E topei. ótimo.

(Vou contar como foi então, para vc, cara amiga de olhos assutados, ver que é legal sim.)

Pedi então que ele escolhesse dez amigos.
Lista restrita e íntima, deixei claro.
Expliquei que sendo mãe de filho único, acumulando experiência de convivência com grupos apenas com meus alunos de radialismo, não dava pra permitir que tooooodos os colegas viessem dormir em casa.

Delícia.
O planejamento se restringiu a comidinhas, docinhos, brincadeiras, cineminha e colchões.
Arrastamos os móveis da sala.
Vovó querida veio ajudar.

Contratei uma equipe para recreação.
Muito bem pensado e super recomendo, já que entreter 15 pequenos durante horas não é lá tão fácil.
O cardápio de salgadinhos e pão de queijo foi servido de uma vez, quando todos foram chamados para que se sentassem e comessem, tudo quentinho.
Confesso que eles se acharam ao sentar na mesa de jantar, com pratinhos e copinhos e tudo "como de gente grande".

Enquanto eles voltaram a brincadeira eu organizei todos os colchões com travesseiros e cobertas, cada um no seu lugar.
Irmãos dormindo próximos, meninas, meninos, tudo pensando na maneira mais neurótica-mãe-de-ser.
Mentira, eu queria é que fosse super divertido pra eles, sem probleminhas nem brigas.

Cantamos Parabéns e eles voltaram para mais uma sessão de brincadeiras.
Aliás, sou fã da equipe que me ajudou pq eles fazem aquelas brincadeiras das antigas, que a gente brincava na rua.
Lindo de ver.
Amei a galerinha pulando corda e andando de perna de pau no quintal de casa.

Chamei o grupo das meninas e fila pra escovar os dentes!
Enquanto elas foram colocar pijaminhas, os meninos foram pro banheiro.
Engraçado ver a diferença entre eles.
Super experiência!

Todo mundo lindo, empijamado, votação pro filme do cinema!
Cada um na sua caminha, filme na TV.
Aí fui vendo cada um no seu tempo, se encaixando, arrumando, apagando, dormindo...

Dormi com a galerinha no chão da sala, claro.
Abracei bem agarradinho o pequeno que pediu a mamãe de madrugada (e eu decidi por não ligar pois me senti super segura em acalmá-lo durante a noite).

Levantei cedo, já deixei a mesa do café da manhã pronta.
E pronto!
O primeiro que acordou, agitou geral e em meia hora estavam todos de pé, circulando pela casa.
Sentaram, comeram, uma graça.
E foram ajudar Isaac a abrir os presentes.

Dalí foi só trocar a galera e esperar as mamães saudosas.

Conclusão:
Faço de novo e faço feliz.
Explico.
Quando eu contava que iria mesmo fazer a tal festa do pijama recebia olhares assustados como se aquela fosse a maior loucura que uma pessoa poderia cometer na vida.
Sabia que ia ser trabalhoso, que corria vários riscos com tantas crianças sob minha responsabilidade, mas mesmo assim via a vontade do Isaac.
Além disso, via feliz e saltitante, ele querer ter os amigos num espaço que é quase só dele, passar o tempo com eles, dividir a casa, o lençol, os pais, a avó e os cachorros.
Enquanto pude observei as reações dele e era uma felicidade tão pura, tão simples.
Os amiguinhos tão se sentindo em casa, tão alegres...
Valeu super a pena.
Cada detalhe, cada momento, cada foto tremida, cada "tiiiiiia".

Enfim, sobrevivi pra contar, e te incentivar, viu?
Vale a pena.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sete anos

Pois é, minha gente.
Isaac fez sete anos.
Ontem.
E eu não escrevi este post ontem pq não era dia.
Além do óbvio motivo de que eu queria mais era viver e reviver ao vivo todos os momentos possíveis do dia dele, eu tenho um motivo meu.

Eu conheci Isaac assim, mesmo mesmo, de fora pra dentro, no dia 26.
Como assim?
Explico.
Lógico que cheirei a cria e sorri pro meu filho assim que ele foi retirado da kitinete quentinha que dividia com todos os órgãos vitais desta que vos tecla, mas depois dormi e só fui subornar enfermeira pra ter o pequeno nos braços na madrugada, quando me recuperei da anestesia.
Ou seja, comemoro o dia de hoje tanto quanto o ontem.
E sim, Isaac nasceu de uma bem sucedida cesárea, numa limpa e esterilizada sala cirúrgica, com uma mãe feliz e amarrada pelos braços, cheinha de anestesia.
Nasceu assim, como devia e podia, diante das informações e possibilidades que eu tinha na época.
E sim, foi para o berçário hospitalar, ficou aos cuidados de gente que não era eu.
Foi assim, como devia e podia, diante das informações e possibilidades da época.

Saca?
Um dia comemoro a vida. E no outro, as minhas reflexões sobre aquele começo de semana.
Aquele começo de tudo.

Vc deve estar me perguntando: E então pq raios esse post de aniversário não é daquelas poesias melosas e sobrecarregadíssimas de amor que vc faz todos os anos?

Respondo: Como não? E tem mais amor do que ser verdadeira e celebrar o tudo que nasceu em mim naquele dia 26?
E com mais amor ainda, já inicio neste espaço aqui tudo o que Isaac vai ouvir um dia, toda a briga do natural versus o cirúrgico, do humano versus o desumano, do certo versus o errado, do menos versus o mais.
Do radicalismo que mora em todos os lados, em todas as conversas, em todas as esferas.
E tenho cá pra mim, que o amor que tenho pelo meu filho, também me permite explicar como isso atrapalha, diminui, anula e cancela.

Puxa! E como um post de aniversário, transbordando de amor virou isso?
Bom,
prometi a mim mesma que este texto em especial não teria rascunho.
Seria um cuspe bem cuspido no monitor. Sem lencinho pra limpar.
E depois que, estou sob forte influência do menininho loiro de agora sete anos que me chama de mamãe.
Isaac, hoje, é um ser completo.
Lógico que nas proporções que lhe cabem, mas ele vive na realidade.
Logico que durante os momentos em que feiticeiros, dinossauros e super heróis não estão em alguma aventura.
Isaac conversa com a gente de maneira que eu demorei muito pra fazer com os meus pais.
Isaac mudou e anda de cabeça erguida, defende seu ponto de vista, sorri e abana a mão pros amigos.
Isaac lê, escreve, soma, subtrai e multiplica.
Além das contas matemáticas, mais um monte de outras coisas que só vai entender quando passar dos um metro e meio de altura, acredito.
Ele é uma pessoa teimosa e implacável quando quer ser.
E fala o que tem vontade.
E se sabe que é coisa forte, apenas alivia começando com a frase com "não se ofenda, mas....".

Eu não poderia desejar outra coisa a ele. Que não seja continuar assim.
Verdadeiro e complexo.
Teimoso e sedento por aprender tudo o que puder.

Aos sete.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nave Mãe

ser mãe.
tarefinha delícia porém cheia de vírgulas.
satisfação plena porém repletas de tempestades de cuspe.
um ensinar e aprender infinito.
ok.
sabemos.

e estava eu outro dia conversando com isaac sobre a vida.
jogo bem a real.
digo que ela não é fácil.
que se a gente não ter paciência a gente sofre.
que egoísmo é uma arma que usamos contra nós mesmos.
que gentilezas são necessárias para quem escolhe viver em sociedade.
e que, principalmente, ouvir os pais é importantíssimo.

tá.

ele logo pergunta se estou dando bronca.
digo que não.
mas que as vezes a gente precisa ter umas conversas mais sérias.
que eu preciso muito ensinar para ele algumas maneiras de se virar com o mundo.
de crescer num caminho legal.
que vou contando como aprendi pra ele mesmo saber o que fazer.

ãhã.

ele logo muda o assunto para video games, peças de montar e filmes de ação.

ok, vamos juntos, passo a passo.

e ele logo questiona sobre a palavra mãe estar tão presente em tudo.
a língua-mãe. explico.
a placa-mãe do computador. explico.
ele pergunta, pergunta, pergunta.
e eu, toda tonta, falo sobre a nave mãe.
a do jogo eletrônico querido.

- a nave mãe é aquela que protege as outras naves menores.

- nããããão, mãe. não, né?

- não??? então o que ela faz?

- a nave mãe é aquela que QUER controlar tudo.

(e me olhou com aquela cara de "e não controla bosta nenhuma")

ok.
mudança de comportamento! ATIVAR!!!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O dia em que o Zé Ramalho me passou uma rasteira

Sabem,
eu tenho um relacionamento ótimo com o som do meu carro.
somos amigos, somos parceiros.
conversamos, cantamos, nos divertimos juntos.
e sim.
sou aquela louca que para do seu lado no semáforo e mesmo assim continua cantando e dançando como se você alí não existisse.
eu empolgo.
e nem ligo.

bom,
acontece que dia desses estava eu toda trabalhada nas letras lindas do Zé Ramalho.
curti, boa parte do dia.
linda, feliz, cantando.

aí vou buscar isaac na escola e o Zé, lá, soltando a voz.
e eu também.
avôhai!!!
pego filhote, coloco no carro, converso sobre o dia e continuo a cantoria.
até que Zé me sacaneia, me joga pra serpente, me deixa no silêncio.
e do banco de trás escuto, com voz curiosa:

- mãe, o que é sexo????

pronto. não há cogumelo que salve esse momento.

- oi? sexo? ouviu onde filho?

- ué, você acabou de falar que sexo é assunto popular.

me imaginem alí, estabacada, caída de cara nesse chão de giz.
pensei, com aquele poder da "fração de segundos" que toda mãe tem.
analisei.
arrepiei.
mas, né?
que jeito?

- olha filho, sexo tem vários significados...

e ele alí, me encarando pelo retrovisor.

- hum?

- sexo é uma maneira de namorar que só os adultos podem fazer.

- tá bom.

e voltou pra janela, onde leu uma placa de trânsito.
achei estranho ele não questionar os "outros significados" mencionados pela doida aqui.
logo ele se vira e manda:

- mas mãe....

antes dele formular nova pergunta eu lembrei de uma amigo contando sobre a fatídica pergunta do filho e copiei, rápida no gatilho:

- e sexo também é se você é menino ou menina.

- ?????

- eu sou do sexo feminino e você é do sexo masculino.

e claro, engatinhei brincadeira pra ele esquecer do outro significado por um tempo, tipo uns OITO ou NOVE anos:

- então o Iron é de que sexo?

- macho!!!!

- e a vovó?

- Feminina?!

- sim! e o papai?

- masculino ou macho?

e lá vamos nós.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

quando um balão não é só uma bexiga...

das simplicidades dessa vida, né?
voltemos a falar delas.

isaac faz aniversário em agosto.
eu encerrei minhas atividades no ramo festeiro profissional faz pouco tempo.
continuo sim amando fazer as coisinhas, caprichar nos detalhes, mas agora me limito as festas do filhote.
e lógico, por mais simples e caseiros estejam os planejamentos para as comemorações deste ano, eu estou sim pensando numa lembrancinha para os pequenos convidados.

bom,
mas eu não pude não perceber, que, essa louca dessa vida faz a gente revivê-la.
assim como esse louco desse mundo nos faz dar voltas.
enfim, lembrei eu esses dias, de como a gente amava (num passado distante) quando sobravam bexigas das festinhas.
quando a gente achava alguma esquecida num canto.
ou podia levar uma da decoração pra casa.

vale a comparação.
hoje o que vejo são crianças endoidecidas estourando todas as bexigas possíveis antes do meio da festa.
ouvi de um monitor de buffet "elas precisam extravasar" e não consegui segurar a imaginação de que a próxima moda será a de festinhas em academias de muay thai.
e nem a indignação.
se o monitor enxerga assim, crianças endoidecidas enfiando suas pequenas unhazinhas na decoração não seria este um evento isolado.

tá,
voltando...
o que me fez lembrar das bexigas valiosas da minha infância foi uma simplicidade da vida.
explico.
isaac voltou de uma festinha todo feliz com um balão já cheio.
pegou de um centro de mesa, antes de sairmos do buffet.
veio agarrado a ela como se fosse a última bexiga do mundo.
cuidadoso.
deixou num lugar longe dos cachorros e de objetos perfurocortantes (me chamem de louca, mas amo essa palavra...kkkk...acho linda e objetiva... um serviço a informação).
acordou no dia seguinte e me convidou a não deixar a bexiga cair.
ficamos por um bom tempo só curtindo a leveza do momento.
risadas e desafios.
diversão plena, pura, simples.
ensinei a ele alguns nomes ligados ao vôlei.
e ele adorou.

a bexiga preta reinou absoluta lá em casa.
era requisitada a todo momento.

- mãe! topa vôlei de bexiga?

- mãe! agora so vale com os pés!

- agora só com a cabeça!

- agora bem alto!

sorte da danada da bexiga.
aposto que hoje murcha feliz por ter cumprido tão bem seu papel nesta vida.
sorte a minha por ter me entregado as delícias de ter uma bexiga sobre a mesa de jantar, sempre pronta, sempre disposta.
sorte.

e só pra registrar, a danada, continua lá, mesmo que diminuída pela falta de ar, desbotada, no fim da vida, continua me fazendo pensar tanto.
em tanta coisa.
na simplicidade, nas felicidades, na utilidade, nos valores, na velhice, na vida....

danada....

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