quarta-feira, 22 de abril de 2015

dos desafios e dos tamanhos

feriadão.
saiu sol.
eu e isaac resolvemos pular na piscina.
eu, como sempre, com um bom tanto de neura sobre o corpo, sobre o que está mais pra baixo do que pra cima, sobre os furos, pneus, coisa de mulherzinha.
ele, como sempre, atento a qualquer escorregão meu pra me mostrar a graça que a vida tem.

pulamos, brincamos, cantamos, gritamos.
uma farra.
até que ele começa com suas regras (tenho um filho viciado por elas, mas isso é assunto para um outro post).
"tem que ser assim", "você vai perder pontos", "assim tá errado", "agora é desse jeito", enfim, uma infinidade de regrinhas e desafios.

mas quando ele vê que sou indisciplinada e tô nem aí pra coisa toda, ele provoca.

- duvido que você consiga mergulhar assim.

- duvido que você sabe fazer aquilo.

duvida um monte. duvida tudo.
e eu vou tentando provar que dá.
até que:

- duvido que você mergulhe tão fundo que deite no chão da piscina.

eu respiro e fundo e vou. e saio toda dancinha da vitória:

- consegui! consegui!

- não conseguiu.

- lógico que consegui, Isaac! até encostei meu peito no chão.

ele olha, ri bem safadamente e manda:

- lógico, seus peitos são tãããão grandes!

ploft


segunda-feira, 20 de abril de 2015

quanto valem cinco reais?

eu sou mãe tirana?
mais ou menos.
sou chata?
um bom tanto.
sou dura?
sempre tem um avô ou avó me reprovando e dizendo que sou exigente demais.
mas meu bem, sou mãe, sou ser humano, e tô aprendendo.

acontece que, acredito eu, que isaac, já nos seus quase sete anos, tem sim que sentir a aguinha bater no popozinho lindo da mamãe.
explico.
a vida é feita, repleta, construída de acordo com as responsabilidades que temos.
e em qualquer idade, a gente tem que a prender a lidar com elas.

então, atualmente, isaac aprende que tem suas obrigações.
e se não lida com elas, sofre as consequências.
coisa básica.
guardar o tênis quando chega da escola, colocar a roupa suja no lugar certo, retirar o prato da mesa, fazer a tarefa da escola, cuidar dos livros e organizar os próprios brinquedos.
pego no pé.
ele bufa, reclama.
mas eu aguento.

aguento até ele brigar, dizendo que a culpa é minha quando não acha algo, quando se perde na própria desorganização.
não fico louca, não piro, mas tenho a certeza de que é nos pequenos acontecimentos que conseguimos ensinar os pequenos.

e na última semana, tive a oportunidade. e agarrei.
isaac tem dna de traça.
se enfia no meio dos livros e pode viver por alí por dias, semanas.
então, que receber este ano o benefício de trazer um livro a mais para casa no final de semana foi uma alegria sem tamanho,
e ele traz o livro.
com data certa para devolução.

e no meio de tantos, o livro em questão foi deixado um pouco de lado.
e a mãe neurótica avisava todos os dias quantos dias faltavam para a devolução.
logo o dia chegou.
o que aconteceu?
a mãe enfiou o livro na mochila?
não.
a mãe avisou que o livro deveria ir pra mochila.
ele ouviu e colocou?
nãããão.
ele saiu da escola todo irritado por que eu não havia colocado e então era preciso pagar multa.

- ok, isaac, você pega o dinheiro do seu cofrinho para pagar a multa,

choro, indignação, bico, horror, reclamações.

- mas foi você que não colocou o livro na mochila! Cinco reais é muito dinheiro! e eu estou guardando para comprar um jogo novo!

só faltou "vc é um monstro! uma velha louca! está me explorando!"
e de forma calma eu respondo:

- fui eu quem decidiu emprestar o livro? escolhi o livro? pedi o livro? a escola é minha? a mochila é minha?

ele emburra mais ainda e solta vários nãos entre os dentes.

- então, meu filho. quem é que tem a responsabilidade sobre o livro e tudo o que vem com ele?

mais resmungo, mais choro, mais mais mais.
explico que avisei da data, que sabia da data, sabia da multa, mas quem deveria aprender sobre tudo aquilo é ele.
que o valor da multa, os cinco reais, seriam pouco se ele realmente aprendesse a não atrasar mais os livros, se percebesse que já pode agarrar suas responsabilidades, aquelas que crianças de seis anos conseguem e devem ter.
e que, principalmente, não tenho culpa alguma. pois não tenho mesmo.

aceitou muito não, mas aguardo cenas...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

valente

ok.
falaremos de filmes, também.
mas não da minha princesa preferida não.
o único príncipe a ser citado neste post é aquele que parí.
então vamos lá.

isaac nasceu - por mais que não tratemos as coisas assim em casa - naquela sociedade do azul é de menino e rosa não, do menino não chora menina sim, do boneca não pode pra meninos, do mostra o pipi pro vovô, do você é homem rapaz! tem que ter coragem!
uma coisa.
irritante, mas que existe.
vamos lidando e lutando com certas coisinhas.

mas então, isaac está naquela fase de super valorização do ser masculino.
e no meio de todos os poréns, quer ser corajoso e valente, não sensível.
tá difícil de mostrar os medos.
tem lutado para não demonstrar o que ainda entende por fraquezas.

eu, que me mostro ser fraco sempre que posso e preciso, muitas vezes observo.
ensino, dou exemplos, abro meu coração, e observo.
sem pressão, sem trauma, sem dor.

mas venho então descobrindo que isaac tem sim seus medinhos normais, que todo menininho de 6 anos pode e deve ter, e mesmo com a casquinha de pequeno macho forte e poderoso, deixa escapar o que venho lhe mostrado, que é possível sim ser feliz fora desses parâmetros.

explico.
ele pediu pra assistir (pela milhonésima vez) Jurassic Park.
ok, diz a mãe.
ele se segurou o quanto pode, mesmo se borrando de medo do t-rex.
aí resolvi cutucar:

- ai isaac! essa cena é muito emocionante! ai meu deus!

ele não pensou duas vezes, agarrou meu braço, apertou os olhos e mandou:

- então me protege mãe! me protege que eu assusto!

aí deixou o orgulho bobo de lado e assistiu coladinho em mim, até o final.
eu?
curti o filho, o filme e o risinho besta que morou em mim por um bom tempo.

bjo em vcs


terça-feira, 14 de abril de 2015

ele ainda me ama

tá.
sem drama.
eu sei que ele vai me amar.
por todos os dias esse amor vai persistir.
as chatices, as idiotices, as brigas e a cada namorada que eu rejeitar.
vamos brigar, xingar, discordar.
e ele vai continuar me amando.
vou dar remédio azedo, sermão, esfregar atrás da orelha, cortar o filme no meio, segurar pra vacina, dar castigo, tirar o videogame.
mesmo assim ele vai me abraçar antes de dormir e me amar.
vou tirar da cama no inverno, fingir que não ouvi suas reclamações, obrigar a fazer a tarefa, fazer comer verduras antes do chocolate.
e o amor estará alí.
vou mostrar que não sou perfeita, vou xingar a dieta, vou chorar, fazer careta.
engordar, emagrecer, empelancar, engrisalhar, travar a coluna.
e mesmo assim ele vai me amar.
pode ser que uma bomba caia, uma merda grande seja feita, uma ideologia desabe e ele estará lá, me amando.
do jeito que ensinei.

e como eu sei?
simples.
toda mãe sabe, acredita, espera e guarda no coração.
ok.
mas nessa fase aqui, em que eu sou a última pessoa da fila, sou aquela que atrapalha as brincadeiras, perdeu a graça, sou só a chata, sou mulher e blé pra mim....
ontem ele percebeu que eu estava triste.
viu que eu estava cansada, com uma gripe que não acaba, toda gemendo, de pernas inchadas.
me abraçou, suspirou e mandou:

- mama, você é a melhor mãe do mundo.

eu, toda trabalhada na desgraceira disse que não, que não era.
ele se encostou em mim, sorriu quietinho e cochichou consigo mesmo:

- é sim. é sim.

esta aqui?
curtiu. só curtiu.

...

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Velcro

Aí, vc, mãe e cara colega, lê um título desse e pensa:
"a tal da conclusão do Edipo se acabou e a Carol vai para de reclamar".
Não.
Nem se iluda.
Isaac não está nada colado em mim.
Continua me ignorando como se eu fosse um videogame sem novas fases.
Mas tudo bem (e isso é papo pra um outro post).
O assunto de hoje é mais das graças dessa vida.

Eu sou do time das dramáticas, não nego.
Logo, achei que o nascimento dos dentes seria um processo tenso e traumatizante.
Não foi.
Aí achei que engatinhar seria um processo difícil.
Nem existiu.
Andar então, deixaria marcas eternas.
Nada.
Desfralde então, me faria endoidecer e padecer em todos os paraísos imagináveis.
Hã hã.
Aí comecei a relaxar, né?
Mudar e adaptar em escolas novas, foi lindo.
Ir brincar nos amigos, ok.
Ainda há algumas cositas que ele resiste.
Comer sozinho, tomar banho sozinho, limpar o próprio fiófis... Faz, mas reclama um tanto.
E eu, já achando que a vida era linda e descomplicada, me deparo com um pequeno perrengue.

O velcro.
Isaac está resistindo, com todas as forças que pode, a dar o laço no próprio cadarço do próprio tênis.
E está fulo da vida com o fato de que o pé cresceu e a industria calçadista aboliu os modelos com velcro para pisantes maiores que 30.
Longe de mim criticar os fabricantes.
Mas como (como Mellldellllls????) ensinar a um menininho teimoso de nascença a dar laço???
Não acho laço coisa simples e faço drama sim.
Já que é uma das marcas que me cabem.

E pra ajudar, pari criatura toda trabalhada na carinha de pau:

- Vamos filho, coloque o tênis.
Lógico que ele pega o modelo com velcro, já apertado.
- Use o outro Isaac, está vestindo melhor.
Ele analisa bem a situação e manda:
- Nãããão mãe.... Vai que desamarra e eu tenho que parar pra dar o laço, demoro e fico alí, perdido na multidão????
Ameaça um biquinho, e fica esperando a minha reação.
Viro as costas, me tranco no banheiro, dou risada e quase choro de orgulho.

Aceito dicas e sugestões.
bjo

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails