Lilypie Fifth Birthday tickers

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

sim, seria.



seria infinitamente bacana se isaac aprendesse a se banhar, trocar, comer sozinho com a mesma destreza que aprendeu a arrotar em volume mais que alto, subir na janela, pular no sofá, escalar as portas de armário e trepar na pia do banheiro...

sim seria...

suspiros.

...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Poetizando

Isaac não teve um de seus melhores domingos.
As coisas não foram bem do jeito que ele imaginou.
Mesmo no meio de um bando de crianças ele se sentiu sozinho.
E se entregou à solidão.
Atrás do sofá, debaixo da mesa, no canto da sala, com seus filminhos.
Inventou dor na perna, chorou, escolheu a afta como melhor amiga.
Se sentiu um estranho dentro da própria casa.

Depois, no final do dia, pediu colo, ficou junto, chorou mais.
Tomou banho, se aninhou, agarrou o paninho.
E antes de pegar no sono, me pegou pelo braço enquanto eu beijava sua testa.
Abriu os olhos com força e disse que tinha odiado o dia.

Quando perguntei o que ele estava sentindo, fez poesia com a angústia:

- Acho que estou doente, mamãe. Com uma dor forte aqui (no peito), que parece ânsia de vômito, mas quando o vômito não quer sair.

Teve uma noite das brabas, meu pequeno, quase não dormiu.
Chamou, gritou e ficou febril.
Eu abracei, forte, toda a madrugada.


...


segunda-feira, 3 de junho de 2013

A verdade, somente a verdade

E então que a culpa é minha.
Tá, sempre é, mas desta vez é mesmo.
Eu tô assim, além de culpada, sendo empurrada.
Estou num processo importantíssimo.
Decisões, escolhas, mudanças.
Elencando prioridades, colocando tudo na balança.
E qual o motivo disso?

Bom,
Além do "tá na hora", aliás, já passou dela, mas com certas coisas sou super cuidadosa, tem o motivo master de eu ter me perdido em alguns propósitos.
E esses, meu bem, tem tudo a ver com a Carol que escolheu constituir família, ser mãe, lutar por isso com todas as forças.

Eu fiquei sem tempo.
Tempo pra tudo e tempo para nada.
Horários, horários, horários.
Noites mal dormidas, dias mal aproveitados.
Qualidade de vida nível zero.

Logo, fui vendo como tudo isso afeta na vida lá em casa.
Sério, triste, mas graças a deus e a boa vontade do ser humano, tem conserto.
Primeiro que eu vivo morta. De cansaço e falta de vontade.
Depois que ninguém é feliz assim.
E se eu não tô feliz....

Esse feriado mesmo.
Trabalhei na quinta, na sexta e no domingo.
Ontem a tarde vi que Isaac estava a ponto de me matar sufocada com uma peça de lego.
Olhei bem nos olhos dele e perguntei:

- A mamãe está muito chata?

- Ô se está.

Morri um pouco.
E com uma dor inexplicável prometi a ele e a mim mesma que as coisas iriam mudar.
Iriam , não! Já começaram.
Decidido, definido, pronto.

Hoje vai ser diferente.
Tapete da sala, corrida pelos quartos, relógio bem longe.
E eu escrevendo agora, sinto outra coisa.
A saudade que eu estava disso tudo.
Dessa vida.

...

Observações para mim mesma:
Não, ainda não é uma opção tirar Isaac do inglês e da natação.
Primeiro que natação, além de fazer bem à saúde e ser uma questão de segurança, filhote gosta, se sente bem. Sente falta da atividade quando não vai.
E o inglês - tirando o contato com outro idioma (o que acho sim importantíssimo já que tudo é ou tem a língua inglesa no meio) - é um momento de confraternização com os amigos. São 3 meninos na turma, que se gostam e se entendem. E por mais que eu ame brincar com meu filho, sei que nunca vou superar as brincadeiras com os pequenos da mesma idade.
E eu não matriculei Isaac nessas atividades por desespero. Nem estou procurando desculpas para terceirizar momentos com o meu filho, até porque enquanto ele está lá, sendo criança, eu estou na salinha de espera, sendo mãe.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Uma semana...

Uma vida inteira.
Eu passei uma vida inteira vivendo como se ela nunca fosse ter fim.
Pois ela me parecia eterna.
De uma força tão imensa e tão intensa, que mesmo ela envelhecendo, mesmo com a tal demência frontal, eu tinha certeza absoluta que ela estaria alí para sempre.
E estará, eu sei.

Mas há uma semana precisei aceitar que ela se fosse.
Aliás, mais que isso.
Do dia que ela entrou no hospital, com seus 88 anos, eu mesmo sem querer aceitei.

Engoli o tempo, a idade, a carne já enrugada e fraca.
Engoli o choro.
Muito.
E hoje engulo a saudade.
Todo dia um pouco. Aos litros.
Mas não me engasgo com ela.
Aliás, a vida toda achei que engasgaria.
Mas não.

Dona Elisa foi um exemplo tão exemplo, de tudo, nessa vida, que fica difícil ter um sentimento assim, claro, sobre ela.
Viva ou morta.
Ela, só ela, era um tratado inteiro.
Um evento.
Uma luz.

Tinha a gargalhada mais deliciosa desse mundo e quando chorava, chorava com a alma não com os olhos.
Tinha histórias. Uma porção.
De amores impossíveis, de cura, de família, de reza, dos pais.
Era italiana, daquelas nonas legítimas, matriarca de nascença.
Chama Isaac de Giuseppe, mas nunca me explicou porquê.
Costurava com as linhas e com um amor inexplicável que tudo unia.
Não desgrudou de seu crochê até o último segundo.
Era teimosa, com orgulho.
Despertava o que podia de bom nas pessoas e não houve um ser (humano ou não) que não tivesse se apaixonado por ela.
Aliás, minha vozinha era um anjo, um ser iluminado, sensitiva que só.

Enquanto pôde, ligou para toda a família, filhas e netos, toda a noite, e não dormia enquanto não abençoasse a todos nós.
Aos vezes me ligava com a certeza de que eu precisava de suas palavras.
E todas essas vezes acertava.
Tínhamos uma ligação única, de pensamento, de amor.
Segurou minhas mãos em todas as dificuldades que passei na vida.
E riu comigo todas as minhas alegrias.

Foi a confidente mais eficaz de todas que ainda possam vir existir.
Foi as palavras sábias que precisei ouvir.
Foi a vida, em vida.
E ainda é.
É tudo o que eu sei sobre ser mãe. E espero que seja sobre o ser avó.
Me ensinou sobre aceitar, contornar, desviar e encontrar caminhos para continuar.

Ela continuou.
Aceitou tudo o que lhe foi imposto e não caiu.
E se caiu, levantou.
E em todas as vezes, levantou firme, forte, sábia.
E com a mesma sabedoria, quando viu que era a hora, bufou.
E como quem diz "deixa pra lá, já cumpri todas as minhas missões aqui", foi viver melhor.
Descansar.

Obrigada, vó.
E se "Deus aperta mas não enforca", mesmo, confere aí pra mim e dê um jeito de me contar.

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

mais uma sobre religião

Domingo, dia das mães, Isaac perdeu mais uma bisa.
Esta bisa era a mais presente.
Fisicamente e por tantos ensinamentos. Ela estava sempre presente.
A perda foi minha, confesso, minha vozinha, que tantas vezes citei aqui, foi viver uma vida melhor.

E depois de velório, enterro, fui buscar filhote na casa da avó.
Ele me abraçou apertado e por preguiça, respeito ou nada pra dizer, nada falou.
Nem perguntou, cutucou, nada.

Logo minha sogra questionou se havíamos contado sobre a bisa.
Ele ouviu e ficou calado.
Lógico que contamos.
Ele estava sabendo e me apoiando nos dias que fui ao hospital ou chorei junto a minha mãe.
Isaac sabia do jeito dele o que estava acontecendo. E me sorria em cada vez que eu chorava.

Filhote ouviu o questionamento e deixou aquele olhar longe.
Refletiu por momentos.
Olhou para cima e para baixo e tocou no assunto:

- Mamãe, agora que a bisa se foi, ela vai rezar pra que lado?

- Como assim?

- Ela vai rezar pra cima ou pra baixo?

(lógico, nós rezamos para o papai do céu, que está no céu, né? e a bisa, que foi morar lá com ele....)

- Ixi, Isaac, acho que ela vai rezar reto agora.

Ele olhou bem pra mim e balançou a cabeça, dizendo que aquilo fazia sentido.

E voltou a brincar.

...

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