sexta-feira, 27 de março de 2015

Digerindo

lembra de ontem né?
da mãe que acabou com os sonhos do filho?

a vida continua.
e vamos digerindo.
cada um do seu jeito.

isaac ainda quer falar sobre, mas pelo que conheço da figura, vou penar pra descobrir o que se passa alí dentro daquela cabecinha.

e então ele me dá doses homeopáticas:

- mãe, eu vou te fazer uma pergunta. só uma. - ele frisa, e eu penso que um dia isso sim será possível, já que isaac sempre tem um caminhão delas sob cada manga.

- sim, sim.

- não existe mais aquele negócio de lutas com espadas?

então, eu me jogo no jogo.

- existe filho, é um esporte que se chama esgrima. acho lindo.

ele sobe a sobrancelha e me encara pelo retrovisor como quem quer um tanto de paciência extra.

- nãããão, aquelas espadas graaaaandes.

alí tive a certeza plena de que a palavra PIRATA estava completamente banida da conversa.

- aaaaaaa, entendi, igual aquela espada que você usou no seu aniversário de 4 anos (no qual eu quase me matei para conseguir tudo o que ele queria e sonhava com o tema pirata)?

- isso.

- olha amor, eu acredito que não.

- como assim?

- é que com a tecnologia, as pessoas foram descobrindo armas mais potentes.

e tivemos alí uma conversa super produtiva sobre a indústria bélica, sobre as culturas que utilizam espadas, sobre sabres de luz, e etcs.

e ele parou pra pensar.
cortou a conversa num golpe só, como se fosse um samurai (já que a pirataria está na geladeira), e me deixou alí, só esperando.

e eu espero.


quinta-feira, 26 de março de 2015

Piratas

Tem coisas que a gente tem que passar.
o primeiro passo, o primeiro beijo, o primeiro porre, o primeiro amor.
essas coisas que a visão romântica da vida nos proporciona.
escrever um livro, plantar uma árvore, ter um cachorro, ou um peixe, um cacto.
essas questões são infinitas.
e eternas, diga-se de passagem.

mas eu estou mesmo aqui pra falar de piratas.
da visão romântica ou não.
da verdade ou não.
da imagem hollywoodiana ou não.

e também vou falar do Isaac.
esse ser surpreendente.
ou não.

mas enfim...

Isaac tem uma paixão por piratas desde sempre.
primeiro o lance todo das espadas, tubarões, navios, canhões, caveiras.
mas aí veio a disney e o jhonny deep. aí lascou-se.
ele adora, brinca, assiste aos filmes, imita, repete as cenas, sabe as falas.
tá.
até aí tudo bem.
deixemos de enrolação.

acontece que isaac participa agora de uma atividade na escola em que a grande questão é "o que você quer ser quando crescer".
lindo.
até seu filho responder que quer ser pirata.
e voltar puto da vida pra casa porque os colegas que não riram, se uniram em coro pra dizer que essa profissão não existe.

primeiro falamos que existe sim e explicamos que talvez os colegas tivessem achado estranho tal escolha.
conversamos sobre a índole duvidosa dos objetivos piratescos e que entendíamos sim os motivos de ele ter escolhido isso pro futuro.

e os dias passam.
e vem isaac de novo.
agora perguntando se fazer faculdade é coisa obrigatória.
já que não existe faculdade de pirataria.
pra quê, né?

mais uma vez conversamos sobre o futuro. sobre não ser obrigatório fazer um curso superior, mas deixei claro que acredito sim (ainda) nas instituições de ensino e nos prós de se conquistar o diploma.

e filhote então, retomou o fato dos amigos ainda rirem da escolha dele.
de querer ser um pirata.
aí que eu não devia estar num dia muito bom.
ou estava num ótimo, vai saber.
e disse que os piratas de hoje são vilões bem vilões.
que não eram mais como o Jack Sparrow.
mas meu filho quer ver pra crer.
e me mandou consultar o google.

e foi de cortar o coração e servir picadinho com cebola a cara que ele fez quando viu que a coisa atual está muito mais para Captain Phillips do que pra Piratas do Caribe.
Metralhadoras, arma na cabeça, figuras horríveis e amedrontadoras.
e ele, gente, chorou.
chorou sentido.
vi seu castelinho caindo, ruindo, despedaçando.

até tentei aliviar, dizendo que entendia que o que ele queria na verdade, era ser um adulto aventureiro, que viajasse bastante e tivesse muita coragem, mas não era isso não.

e com a merda feita, mas acredito eu que necessariamente, vi alí a transformação.
isaac se decepcionou com a verdade e teve que crescer com ela.
resolveu que não ia mais escolher pirata como opção para o futuro.
mas que também ia responder um NÃO SEI bem grande quando fosse questionado sobre isso.

está triste sim com tudo isso.
mas...
é a vida, não?!



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Das dores dessa vida

Fato.
Todo mundo sofre.
Faz parte do processo.
Ser um ser pensante implica em passar pela mais vasta sorte de momentos difíceis.
E inevitavelmente, superá-los.
As vezes não.
As vezes demora um monte.
Mas faz parte dessa vida também sobreviver.
Aos momentos, pessoas, situações, chatices, enfim.
Sei disso, você sabe, nossos filhos vão crescendo e aprendendo.
Tudo lindo e civilizado.
Tudo já explicado e desenhado pelas mais amplas sabedorias da psicologia.
O cosmos.
Religiões.
Tá.
Até que chega o dia que seu filho de seis anos chega em casa todo trabalhado na depressão.
Lágrimas nos olhos.
Se segurando (pq já tem aprendido muito dessa vidinha louca).
Depois de um tempo desaba, corre pro quarto e chora.
Sentido.
 - mãe, eu não sei o motivo, mas o fulano não quer mais ser meu amigo. Ele não me deu atenção hoje e fingiu que eu não existia.
Aguenta coração???
Respirei. Pensei.
Mas diferente daquela louca que ainda sou em alguns momentos, eu não pensei em enforcar a criança, muito menos em dizer um palavrão bem falado.
Eu estiquei meus braços, sorri, e dei colo.
Colinho.
Cafuné.
Deixei que ele se sentisse seguro para continuar a conversa.
E conversamos.
Sobre mostrar que não gostou da atitude do amigo. Que deve procurar saber o pq da atitude.
Sobre não se acomodar.
Sentimentos.
Sobre respeito e amizade.
Carinho.
E as diferenças entre as pessoas.
É assim crescemos.
Mais um pouco.
Cada um na sua fase, com seus limites.
Eu e ele.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

adjetivos

a...a vida...
a... a percepção que temos dela...
a... menininho de 6 anos descobrindo o poder das palavras...
e a.... menininho de 6 anos concluindo que pode usá-las...

Isaac entra no carro todo cheio de assunto.
E um dos assuntos da escola no momento, são as fantasias da festa de Halloween.
Especificamente de um aluno mais velho.
O sujeito estava vestido - e perfeitamente - de Dilma.
Isso, nossa presidentA.
Cabelo, roupa, gestos. Tudo.

Então que me vira meu pequeno, sem saber muito o que achava sobre a questão (tanto do colega vestido de mulher, tanto da mulher ser aquela de quem ele ouviu tanto falar na época das eleições e ainda ouve), e manda:

- Mãe, o cabelo do fulano estava feio.

- Sério?

- Estava horroroso.

- Nossa! Então ele estava um tribufu!

- Não mãe - disse bem sério - ele estava um QUADRIFU!

faz muito sentido, meu filho. muito.

...


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Voltando no tempo

Logo cedo Isaac filosofa, pensa e me aniquila.
Assim, antes do segundo gole de café.

- mãe, às vezes eu tenho vontade de voltar  no tempo.

- sério? Mas já?

- é, pra consertar algumas coisas que eu faço de ruim.

- entendo, mas sabia que da pra consertar as coisas sem precisar fazer uma viagem no tempo-espaço? Mas o que vc tem vontade de arrumar?

- por exemplo, quando eu derrubo uma jarra de vidro ou um copo cheeeeeio de suco de uva. (Sim, Isaac derruba tudo é só se eu virar o menino do avesso pra fazê-lo prestar atenção ou não querer tudo ao mesmo tempo)

- mas acidentes acontecem, e a gente conserta isso com pano, água e sabão.

- é, mas vc fica brava.

- às vezes sim, pq já aviso que pode cair, que pode acontecer e mesmo assim, não há atenção.

- é, mas acontece né?

Ali percebi que ele falava dos pequenos acidentes, das broncas, do arrependimento, das responsabilidades e consequencias.
Meu coração doeu um pouco, mas amo ter esses papos com Isaac. Aprender com ele também.

E pensei que gosta voltar no tempo, em algumas situações setia otimo.

Sempre que me perguntam qual conselho eu daria pra carol mais nova, eu tinha a mesma resposta: "faça, faça sem medo".

Hoje, se eu voltasse algumas décadas, eu seria mais específica: "Carolina, preste atenção nos detalhes. NOS DETALHES."

....

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