segunda-feira, 29 de junho de 2015

a fase, a coisinha mais fofa desse mundo, a mãe louca e quase normal, fim?

pode ser que o tempo cure tudo mesmo.
pode ser que isaac tenha assustado com as minhas reações e resolvido mudar o comportamento.
pode ser que seja aquele lance de fase.
pode ser que, após minha cota de boas ações cumpridas, seres superiores tenham resolvido me dar um tempo.
pode ser que alienígenas tenham ouvido meus gritos dramáticos e tenham abduzido criaturinha que habitava neste lar.

pode ser um tudo. ou de tudo um pouco. ou tudo ao mesmo tempo agora.
maaaaas acontece que isaac agora acorda sorrindo para mim.
me abraça e diz que me ama.
me ouve.
responde quando chamo.
tá a coisinha linda da mamãe.

lógico e claro que nem tudo é 100%.
mas, levando em consideração todo o lance da personalidade, mais as liberdades de expressão e pensamento que demos ao pequeno, tá tudo lindo.

passamos o domingo tão bem, tão concordando, tão rindo juntos, que ó, tô me achando a mãe mais bacana do planeta.
e mais, aquela que tem o filho mais cuti cuti de todos.
ele ir comigo ao mercado, a padaria, ao raio que nos parta.
tudo sem resmungar.

dá medo?
sim. muito.
mas digamos que, mesmo sabendo que essa fase colorida também vai passar, vou me entregar a ela, deixar me iludir, e chorar depois.
pq, né, tô aqui pra isso.

e tô aqui também pra reconhecer que, amigas, eu tenho as minhas fases.
eu tenho meus momentos descoloridos.
ou só colorido de cores berrantes, irritantes e bravas.
e isaac me aguenta.
tem que.
então, já que somos todos feitos de beleza e feiura, doçura e amargura, tensão e leveza, vamos que vamos.

vamos até o próximo momento loucura ou próxima descoberta.

ótima semana pra nós, estável ou não.

bjo




quarta-feira, 24 de junho de 2015

muito caldo de cana passou por baixo dessa ponte...

sei que o negócio da garapa é assunto antigo.
mas acontece que eu tô nesse negócio aqui pra registrar meus aprendizados na maternidade.
e a história do caldo de cana me mostrou muita coisa.

da parte otimista é que meu filho é pessoa generosa, está super entrosado com a comunidade escolar e tem feito uma força incrível contra a sua timidez.
continuando, vi também que eu sou mãezona.
sim, tenho um monte de gente que vive falando isso.
sem me achar, sério, a maioria delas fala com espanto. daquele jeito "nunca imaginei" ou "quem te viu quem te vê".

outra coisa, é que, ao contrário a mãe que eu vinha sendo, isaac está me enfiando nos assuntos escolares também.
e levar caldo de cana pra galera me rendeu alguns bônus.
mais papo com as professoras, mais papos com a secretária da escola (que já são umas graças, registremos), mais piadas para contar pras amigas.
lógico que minha saga enlouquecida atrás da garapa perdida virou um causo daqueles.

tudo muito bom tudo muito bem.
ok.
mas também aprendi que, com toda essa cana, tenho mesmo é que ficar mais esperta.
digamos que, o próximo tema a ser estudado pela turminha do primário seja os grandes mamíferos africanos, ou aranhas venenosas, ou culinária francesa, ou interceptores de esgoto...

né?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

simples assim

eu não costumo ser daquelas que resolve tudo da maneira mais simples.
as vezes sim.
as vezes me embaralho nas armadilhas que eu mesma crio.
e vou vivendo.
e aprendendo.
e tomando na cabeça.
coisas da vida.

acontece que eu tenho o prazer de, em alguns dias, dividir minha mesa com uma menininha linda.
oito anos.
esperta que só ela.
e ela senta aqui comigo.
enquanto eu sou a louca das notícias ela chora pela chatice das tarefas escolares.
e a gente se diverte.
eu tento (como tento bravamente com isaac em casa) ensiná-la, além das multiplicações e sílabas, que a gente tem esses compromissos mesmo e não dá pra fugir deles.
ela ri.
ri de mim, a danada.
e me ensina também.
sabe como?

- nossa, carol, pq vc pintou sua unha de vermelho?
- ah, eu adoro vermelho, vc não?
- vermelho é sua cor preferida?
- não. é azul. mas eu gosto de vermelho tbm.
- hummmm
- e a sua cor preferida, qual é?
- minha cor preferida é arco-íris.

simples assim, né?
e pq não?


quarta-feira, 17 de junho de 2015

a.k.a. garapa

aí vc, cara colega, que me acompanha já faz tempo, imagina como é que eu não fiquei quando isaac chega da escola ontem, mais melado que melado, dando a seguinte notícia:

- mãe, eu disse lá na minha sala, que eu vou à feira com o vovô e vou levar caldo de cana para todo mundo experimentar.

te dou, então, algumas alternativas, e vc tenta descobrir qual é que foi a minha reação:

a) gritei um PUTA MERDA! daqueles, pensando em onde é que eu ia arrumar garapa fresquinha pra adoçar 25 boquinhas;
b) amaldiçoei todo o ensino de história do brasil e seu desenvolvimento econômico baseado na cana-de-açúcar;
c) segurei o grito, sorri achando lindo ele ter lembrado do vovô, e mesmo não gostando do tal suco de cana, pensou em oferecer aos amigos;
d) já me enfiei no calendário de feiras da cidade, achei a mais próxima e tracei logística para buscar e entregar a garapa em tempo recorde para que fosse apreciada fresca pela geralzinha;
f) antes de dormir, fiz meu momento drama queen, ó vida ó céus, como é que eu ia resolver e cumprir a promessa alheia;
g) chorei tanto que nem sei pensando nas lombrigas que a falta da garapa causaria naqueles pequenos fofos, que sempre dão oizinho pra mim ou
h) dei de ombros e pensei, amanhã tem feira perto, vou lá e aproveito pra levar um tonel de garapa pra escola inteira.

para sua surpresa (lógico que não, se me conhece sabe que eu tô até aliviando nas reações), fui todas as alternativas.
e logo cedo, me despenco até a feira mais próxima, caminho toda ela, e nada de garapeiro!
nada de caldo de cana!
nada daquele motor barulhento ao lado das barracas de pastel.
zero garapa.

amanhã tem mais.
sempre tem.
beijo doce em vcs, viu?!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

o rei emburrado

tenho vivido na Bicolândia.
aquela terra onde a greve de sorrisos é fato.
onde o mau humor é regra.
lá, onde as bufadas são permitidas.
e os olhinhos virados solução.
os sorrisos são reprimidos e as risadas ficam guardadas.
em calabouços, de preferência.
toda resposta é não.
ou aaaaaaa...
ou afffff.
não tem dança.
música alta incomoda.
mãe pulando pela sala com peruca afrocircus é imediatamente tolhida.
carinha fechada é lei.
ignorar a genitora pode.
afastar os beijos então... tá certo.
e o rei dessa terra é absoluto nas suas ranhetices.
é firme.
implacável.
cheio de regras.
cheio de leis.
cheio de nãos.
ele não quer saber.
ele não abre mão.
ele nem passou a ser o príncipe.
pulou a fase.
é quase um tirano, quando quer.
e quase sempre exerce sua tirania.
mas o rei não é bobo.
assim, acredito.
ele não reconhece, mas tira seus momentos de folga.
até aplaude a vida fora da bicolândia, mas jura que não.
jura que é feliz (ou não) dentro do mundinho de nuvens cinzas.
mas quando não tem gente vendo, quando a mãe está distraída, ele se fantasia de menino de quase sete anos e corre pelo quintal.
ele cantarola músicas alegres, sorri pras formigas do chão.
e até consegue viver feliz para sempre.

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