Mudou o tempo (isso, de novo). Alergias atacadas em casa, muuuitas (muitas mesmo) noites mal dormidas, pequeno num chororô só, final de mês, crises de enxaqueca.
Todo dia olho pro espelho, com aquela cara de urso panda, e repito pra mim mesma que além de fazer parte do processo maternidade, essas fases sempre passam. São testes de vida.
Essa noite, por exemplo, Isaac acordou de 1 em 1 hora. E eu levantei as 5h30 pra trabalhar.
Tomei banho, me arrumei e olhei pro espelho (o mesmo panda), e tive a nítida sensação de que sou uma pessoa abençoada. Tenho uma família linda, condições pra tratar a enxaqueca, uma casa bacana pra cuidar, um emprego.
Coloquei uma calça jeans nova, jóia, descontaço em promoção super (um número a menos no manequim Uhu!!!!). Me meti num saltinho básico. Caprichei.
Saí da redação ontem sabendo que o hoje dia ia ser mais que longo (3 coletivas no mesmo horário), mas não tô abatida, não me entreguei. Nem vou, ouviu bem?!?!
Então, com essa força que brotou em mim, junto com alguns bocejos, claro, lembrei que já passei por fases que, como essa, me obrigaram a repetir pra mim mesma que a vida é boa (e é sim, muto) e que há um lado positivo em todo tropeço ou dificuldade.
E olha só como começa o texto...
...
Mamãe tem fases como a lua. Relato de julho de 2009
A vida é boa. E nesses últimos 11 meses, em meio a medos, dúvidas e alegrias venho descobrindo que ela é boa mesmo.
To numas de mãe babona, mas também de me enxergar como mãe, no geral, não só aquele ser orgulhoso e sentimental. Essa noite demorei a pegar no sono e fiquei fazendo um balanço dessa vida nova que o Isaac trouxe pra mim, pra minha casa.
E não é de assustar não, viu... é de prestar atenção e ver como realmente somos seres extraordinários, flexíveis. Não só as mães, mas pais, avós, tios, amigos... Uma criança muda muito em todos que participam do seu desenvolvimento, e Graças a Deus, meu filhote é uma criança feliz e tem agido positivamente nesse mundão que nos rodeia.
Eu vou aprendendo, com ele, com o maridão, com a sogra, a mãe, a madrinha... vou aprendendo que, apesar da minha imaginação ter alcançado lugares inatingíveis durante a gestação, não é frustrante ver que a realidade é um pouco diferente.
É engraçado ouvir dos colegas de trabalho que "a Carol é mãe de família agora". Ver que mesmo sendo essa figura, sou a Carol, com uma pitadinha disso ou daquilo. Hoje mesmo ouvi que desde que o Isaac nasceu não errei a previsão do tempo uma vez que seja. Aí me pus a pensar em todas as vezes que ouvimos nossas mamas falando pra levar um agasalho ou o guarda-chuva. Conclusão: toda mãe ganha um radar meteorológico.
Do mesmo jeito que quem recebe um filho (biológico ou adotivo) ganha ouvidos e faro de perdigueiro, um despertador interno britanicamente correto, uma velocidade pra Flash nenhum botar defeito e uma paciência que nem Jó teria.
E a memória??? Mãe decora todos aqueles nomes multinacionais de desenhos animados, relembra as cantigas e histórias que só ouviu nos primeiros anos de vida, as datas das vacinas, o telefone dos pediatras. Tá tudo alí, na ponta da língua quando necessário.
E a força, então... tem mãe que trabalha e mesmo assim chega em casa cheia de disposição pra brincar de cavalinho com o filhote. Tem mãe que não trabalha, mas mesmo depois de um dia inteiro cheio de horários e atividades tem vista e discernimento pra dublar personagens a beira da cama com o livro na mão.
Pois é, meninas, mães, mulheres, estava pensando essa madrugada... Não há criptonita que nos abata, cansaço que nos vença, tristeza que não acabe e preocupação que não fortaleça.
Mas é preciso sempre lembrar, desculpem, que não somos super-mulheres, que temos nossos defeitos e momentos de despreparo e desespero. Aí, só posso dizer uma máxima pra vocês: VIVENDO E APRENDENDO... a gente sempre chega lá.
Adoro essa foto. Dois motivos: Retrata a minha cara de cansada, com orgulho e feliz. E reparem no meu pequeno, ao fundo, só espiando a mamãe...
Ótimo final de semana pra todos vocês.
Bjo bjo bjo