sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Esperança duplex

A Primavera começou hoje.
Confesso que é uma das minhas estações favoritas.
Agora.
Sempre gostei mais do frio, ainda gosto muito, mas pós maternidade a primavera me conquistou.
Tudo fica lindo.
Colorido.
Cheio de borboletinhas, taturaninhas, lagartinhas e passarinhos.
E esse mundo no diminutivo me dá uma sensação boa.
Estranha porém boa.
Isaac gosta também. Fala dos jardins floridos como se morasse num romance.
Uma graça.
E a preparação para a primavera é outro esquema.
Ninguém fica fazendo contagem regressiva, esperando, cantando cançõezinhas sobre o inverno.
(eu faço, mas já aceitei que sou gente estranha)
Aqui na rádio mesmo a gente se prepara, faz previsão, entrevista e até apresenta o primeiro programa da primavera sorrindo.
Hoje mesmo acordei cantando Tim Maia.
E a cada primavera a esperança se renova, de alguma maneira.
Todos os anos respiro profundamente na espera da florada dos dois Ipês que plantamos em frente de casa.
Aconteceu uma vez e nunca mais.
Se tornaram duas árvores dorminhocas que dão folhas lindas e enormes, mas flores... necas.
E daí que os bem te vis são lindos e queridos em casa, pelo barulho que Isaac imita desde que aprendeu que podia soltar sons próprios, e pela folga em pentelhar os cachorros utilizando a piscina para banho e afins.
E no Ipê, mês passado, cresceu um pequeno ninho.
E o ninho virou um verdadeiro duplex.
E a Dona Bem te vi se apoderou da minha árvore.
E avança na gente quando passamos na calçada.
E grita, a danada.
Mas a gente entende, e adora.
Semana passada, Ipê preguiçoso voltou a dar folhas (porque flores ó, necas), e cúmplice ofereceu o verde suficiente para cobrir o ninho-duplex.
E só.
Somente folhas para um telhado legal e uma varanda.
E nessa semana, os sons mudaram.
Além dos gritos endoidecidos de uma mãe que tenta proteger seus filhos no gogó, pequenos pios e ensaiozinhos irritantemente doces começaram a ser ouvidos da sala.
Nasceram.
Já vimos dois, bem pequenininhos espiando pela portinha do chalé rústico com vista para a rua principal, com cobertura ecológica e trançado contemporâneo que habita meu Ipê.
E eu virei mãe do ninho.
Protejo, cuido, olho todos os dias.
E agradeço o Ipê preguiçoso, como se fosse um anjo, que proteje aquela casinha com suas folhas enormes.
E pra quê eu ia querer só as flores?
Com elas não há folhas, não é?
E daí, que ontem mesmo, abrindo a janela vi, que em uma das palmeiras começa outra família.
Ninho diferente, por enquanto simples, mas já pesado.
Não sei que passarinho é.
Mas agora tenho alí, mais um tanto de esperança, de sorriso bobo, de piozinhos novos, de olhar curioso do filho.
A vida não é linda na primavera????

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ser e ter...

Tenho lido em vários blogs sobre essa questão de ensinar os filhos o que é mais importante: ser ou ter.
A Anne, já o faz com o fofo do Joaquim e muito bem.
A Pri, ontem mesmo postou sobre a consciência já despertada na Stella.
E daí que me pus a pensar se estou fazendo direito.
Se estou demorando a lidar sobre isso com Isaac mais seriamente.
A gente aborda sim esses assuntos com ele, mas de leve.
E ontem, situação típica, oportunidade interessante, para falar com ele sobre a questão.
Conto.
Fomos a livraria ver presente para amiguinha que faz aniversário.
Já avisado sobre o destino, filhote emburra e diz que quer ir a loja de brinquedos.
Eu disse que íamos a livraria mesmo e ele já canta: Vai comprar um livro pra mim?
Eu, muito generosamente sem noção da malícia infantil já alí embutida, digo que sim.
Uma vez na livraria me ponho a escolher o livrinho mais bacana para a amiga.
Isaac segue escolhendo o dele.
Me veio com uns quatro exemplares, todos que vinham brinquedos junto.
(O que eu acho o horror da literatura moderna, diga-se de passagem. Livro ser vendido com brinquedinhos mil é coisa que, pra mim, não cabe)
Além de serem mais caros, por conta das tralhazinhas plásticas todas, tira total o foco do assunto, do interesse pela história.
E a cada brinquedo travestido de edição cultural eu explicava a ele que aquele não.
Quando ouvi de longe ele solicitando a vendedora sedenta por valores:

- Eu quelia um livo com binquedo pala a minha idade, você me mosta um?

E eu posso com isso?
Fuzilei a vendedora com olhos e pensamentos negativos.
E ela, de leve, desviou dos meus olhares e das perguntas do pequeno e esperto monstrinho.
Depois de muito papo chato e cansativo, Isaac confessou que não queria livro, queria brinquedo e ponto.
E saiu chorando porque não ganhou minituras submarinas, as quais tem um monte em casa.
E daí que mais calmo, sentado no chão da sala, procurei com ele toooodos os tubarões, baleias, polvos, caranguejos, conchinhas, golfinhos, Nemos, Marlins e Doris que ele tem em casa.
Fiz ele contar, olhar para todos aqueles brinquedos e lembrei que o que ele queria da livraria era exatamente o que já tem.
Aproveitei para falar um pouco sobre esse negócio de querer tudo. De não achar graça no que já tem. Que tem um monte de crianças que queriam ter pelo menos um brinquedo daqueles.
Disse também que os brinquedos custam dinheiro e que pra se ter dinheiro temos que trabalhar.
E sabe o que ouvi?

- Mas você tabalha muito na rádio. Você e papai tem muito dinheilo.

Daí que a coisa apertou.
E eu tive que explicar pra onde vai o suado dinheirinho que ganhamos.
Passando por escola, plano de saúde, supermercado, dentista e salário da empregada.
O que não me pareceu nem muito didático nem tão adequado assim a uma criança de 3 anos, mas eu tive que falar.
E ele ficou alí, achando a vida chata demais.
Acabou aí? Não.
Num surto de raiva ele chutou todos os brinquedos e disse que queria dar tudo para as crianças da creche.
(Coisa que trabalhamos bem aqui. Doamos roupas e brinquedos não mais utilizados)
Perguntei o motivo, já que ele gosta tanto das criaturinhas áquaticas.
E ele me respondeu:

- Se eu der esses, você me compra aqueles da livalia, porque eu não vou ter mais igual.

E aí???
Aí que até eu estava a ponto de mandar polvinhos e tubarõezinhos às favas.
Me segurei e tentei ser bem clara:

- A gente só leva para a creche os brinquedos que não usamos mais, certo? Se você doar esses, é sinal que você não os quer. Então não vai ganhar outros iguais.

Fez o bico.
E só.
Com os olhos cheios de lágrimas ele olhou bem pra mim e me apunhalou:

- Eu não gosto mais de você.

E saiu, foi brincar com outra coisa. Sem nem olhar pra trás.

Pois é, meu filho,
um dia você vai aprender (de alguma maneira vai) que você pode ter quantos tubarõezinho couberem na sua mão, mas isso não vai significar (nem de longe) que o oceano é seu.

E a mamãe te ama, tá? Pra sempre.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre o tempo materno, aprendi que...

do google

- dias da semana não respondem mais por segunda, terça, quarta, quinta ou sexta-feira. Agora atendem por dia de dentista, dia de parquinho, dia de ir a vovó, dia de passeio, dia de cinema...
- do mesmo jeito que o relógio não marca mais as horas em números. Agora é hora de papar, hora da soneca, hora da brincadeira, hora do filminho, hora da leitura, hora do lanchinho e etecéteras.
- aliás, relógio e criança são ítens que quase nunca combinam porque: 1) enrosca todo em brinquedos, mantas e capas de super herói; 2) é peça de fascínio rápido e vira mordedor, babador ou tesouro de pirata; 3) só vai te fazer ficar mais desesperada com os atrasos e o planejamento água a baixo que só quem tem criança pequena por perto sabe o que é.
- atrasos são comuns, inevitáveis, aos poucos fazem parte da sua vida e logo você aprende a ignorá-los.
- como também descobre o mistério do universo que é, mesmo começando com antecedência, impossível acordar, dar banho, trocar, alimentar e chegar no horário combinado.
- um dia você acaba entendendo como uma noite pode durar séculos ou apenas minutos (né, tio Albert?)
- 5 minutos são suficientes para o banho ideal, para a refeição ideal, para o banheiro ideal. Já o creme hidratante consegue cobrir todo o corpo em 2 minutos.
- “de McQueen” é o termo mais utilizado. Serve para demonstrar que a coisa vai acontecer rapidamente. Ex.: Banho de McQueen, almoço de McQueen, passadinha ali de McQueen.
- e se for devagar, a gente apela pro Banho de bicho preguiça, almoço de Mate, passadinha ali de dinossauro pescoçudo.
- filmes não tem mais duas horas de duração. Podem ter 27 horas, dependendo do número de “intervalos materno comerciais” que os filhos solicitam.
- é possível um prato de comida demorar horas para ser devorado.
- uma mamadeira pode ser sugada em 1 minuto.
- um brinquedo pode resistir 2 minutos.
- uma atividade 30 segundos.
- e um desfralde 20 anos.
- dia e noite tomam outro sentido, aliás sentido mais romântico, onde se fala sobre sol, nuvens, estrelas e crescimento.
- aliás, dependendo das manias da cria, fim do dia não existe. Existe o "sol que está indo dormir" ou "mas filho, as crianças do Japão também precisam ter o sol para brincar e crescer".
- o curto espaço de tempo entre o seu trabalho e a escola pode se transformar num ano inteiro dependendo do grau de culpa, saudade ou carência materna.
- assim como se ganha o dia e se esquece a hora quando um sorriso aparece, uma crise de tosse para ou uma nova descoberta desponta.
- aliás, tem fases da vida da mãe que o tempo vive parado.
- assuntos maternos são ótimos "esquecedores de tempo", e quando se vê, foi-se hora lendo blog, livro, revista, site especializado.
- dá tempo sim de fazer tudo: trabalhar, supermercado, arrumar, limpar, ajeitar, brincar, ler, passear. Tudo num dia só, numa manhã só, numa noite só.
- piscar de olhos se transforma na medida de tempo mais utilizada na vida.
- aliás, num piscar de olhos podem acontecer quedas, mordidas de cachorro, riscos na parede, brinquedos podem ser jogados pela janela e afins.
- do mesmo jeito que num piscar de olhos eles crescem.
- vou passar a vida dizendo que “ontem mesmo ele era um bebezico tão pequenininho...”

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Agora ele escolhe

E então que Isaac agora é criatura decidida a não ser mais filho único.
Sem problemas.
Tanto fala de irmãozinho que a gente já arrisca:
- E como vai chamar o irmãozinho, Isaac?
- Não é irmão é irmÃ.
- Hummmm... e como vai chamar?
Sem nem pensar ele responde:
- Rapunzel.
Glup.
- E se for um menino?
- Se for menino vai ser o José Bezerra, né mamãe?!
Só faltou bater na testa e falar dããããã...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Leite no copo

google

E daí que levei fumada bronquinha básica da Doutora Pediatra Lindona:

- Mamadeira??? - Questionou ela, com olhar reprovador me mirando sobre os óculos.

- É doutora, ele já toma tudo no copo, o leite as vezes, mas o tetê aída é preferido pelo Isaac. - Responde a mamãe aqui, toda diminuída e já se entregando à culpa.

- Mas com mamadeira não há meio termo. Você precisa tirar, apresentar os copos e explicar que ele não precisa mais dos bicos todos.

- Ahã...

- E Carol, já é comprovado que crianças de 3 anos tem uma pressa louca pela vida. Pra ele, mamar é se alimentar no tempo mais rápido. Além disso, usando a mamadeira ele pode fazer outras coisas ao mesmo tempo.

- Ahã.

- Sem contar que nessa idade é muito fácil eles darem aqueles temidos passos para trás no desenvolvimento.

- Ahã????

- É fácil de voltar a fralda, aos costumes e manias de bebê.

- Ã???

Deus me livre, bate na madeira, xô uruca pediátrica!

Aí que eu saí do consultório decidida.
Copo nele!
Sem dramas nem pressões.
Ok.
Aprendi com o desfralde que a coisa anda, flui e não adianta ter todos os ataques psico-maternos.
Saimos da Doutora Lindona e no caminho já fui conversando com ele.
Disse ao Isaac o que ouvi da médica e relembrei o que ela disse sobre o assunto a ele também.
E ele se mostrou super decidido.
Já é um menino gaaandi e o copo é uma opção válida.

PAUSA
Aí que mãe é tonta, né?
E eu já queria reforçar a coisa toda de maneira errada:

- Filho, será que a "fada da chupeta" tem uma amiga "fada da mamadeira"?

- Mamãe, a fada da mamadeira não existe.
DESPAUSA

E então que desde sexta-feira Isaac é menino desmamadeirado.
Toma no copo.
Lógico que na hora do soninho ele pede o tetê.
Converso, elogio as copadas que ele já deu e tem funcionado.
Mas é preciso coragem, viu?
No sábado mesmo já fiz a mochila pra sair sem a mamadeira dentro. E confesso, sem vergonha, o medinho que senti caso ele solicitasse o bendito tetê.
Não pediu.
(todas comigo) uuuufffffaaaaa...

Agora as considerações do medo materno:

- E se ele parar de tomar leite?
Bom, Doutora Lindona disse que a quantidade diminui, mas não posso desistir e tenho que oferecer sempre, nos horários de costume.

- E se não quiser?
A recomendação da pediatra é apresentar outras opções lácteas. Iogurtes, queijos e afins. Além disso, ela antecipou que o leite todo branco, no copo, fica meio sem graça pra eles. Caso queira dar uma colorida, o mais recomendável, tirando as furtas, é o ovomaltine (que é o menos pior).

- E olha a maravilha...
Doutora disse que, com a diminuição do leite (já comprovada em casa: as antes duas mamadeiras/dia de 240ml agora foram transformadas em dois copos/dia de 200ml) a tendência é o pequeno ter mais apetite para comidinhas salgadas, frutas e sucos.

- Melhor ainda é que...
Sem o tetezinho na cama, dá pra tomar no copo, escovar dentinhos e fazer xixi. Nas duas vezes que fiz isso a fralda amanheceu sequinha. Ponto super positivo na desfraldância.

Deus preserve.
Amém...

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