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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Eu tive um sonho...

Peraí!
Não dá pra chamar de sonho algo que te arrebenta a noite e não traz uma sensaçãozinha boa sequer.
Acompanha comigo.

Chego eu e Isaac a um lugar lindo, bem equipado, buscando novo professor de yoga (a nossa vai bater asas em breve - buaaaaaaaaa).
Todo mundo simpático, se ajudando, humor lindo.
Quando de repente começam a chegar pessoas conhecidas.
Todas com crianças.
Meninas, meninos, tudo com idade próxima.

O barulho peculiar infantil.
O barulho peculiar materno.
O caos instalado.

Fico na minha, ajudando a tirar uns balões do teto (oi?), quando isaac - que estava brincando, já que yoga ali, passou loooonge - surge irritado, perseguido por duas meninas.

Peço que ele respire fundo e me conte o que está acontecendo.
O silêncio peculiar do isaac.
A risadinha peculiar de quem tá sacaneando.
O olhar peculiar materno.

Fiquei esperta.
Logo vejo isaac com a mão nos olhos, é uma das meninas gargalhando.
Um soco, de direta. Muito bem dado.

O pedido de socorro peculiar infantil.
O pensamento peculiar materno.
Aquele que peculiarmente não podemos colocar em prática/

Veio a menina e deu outro soco.
E outro.
E outro.
Isaac não reagia.

Acordei num pulo!
Respiração ofegante.
Tomei um gole d'água.
Durmo de novo e ela lá.
Sonharia com satanás se pudesse escolher.

Acordei de novo.
E de novo.
E de.novo.
Puta! Olha a hora!
Essa menina deveria estar dormindo!

Dormi e lá estava ela, rindo da minha cara.
Quatro e meia da manhã tomei uma atitude.
Voltei a dormir.
Rezei pra que a mãe daquela criatura levasse ela pro balé e não pra yoga.
Que ela não estivesse mais ali.

Mas estava.
E eu puxei tanto o cabelo daquela filhadaputa!
E ensinei ao isaac golpes pela últimas vez usados durante o meu período de gordinha sobrevivendo aos primos mais velhos.
Última vez usados na imaginação da gordinha filha da professora sobrevivendo aos coleguinhas da escola.
E, de sonho, fiz o novo roteiro do Tarantino.

Dormi?
Lógico que não!
Depois do alívio virtual vem uma culpa, menina....
Uma culpa.

....

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Nocautes

Sabe a Ronda?
Mas não aquela Ronda. Dos áureos tempos.
To falando da atual.
A do último UFC do ano?!?! Sabe?!?
Então.
To fazendo cosplay de Ronda.
Nao tenho me enfiado em briga e arte marcial não faz meu gênero.
Acontece que tenho um filho de oito anos.
Menino.
DNA estabanado.
E a realidade se tornou outra.
Sabe aquela corridinha que seu bebê dava em sua direção e te fazia o ser mais feliz e completo de todos os mundos?!?!
Vixi... ficou ali, de lado, junto com as unhas do meu dedinho do pé.
A tal corridinha continua terminando num abraço. Mas entre a corridinha e o abraço temos aí posso, uma trombada, um soco acidental nos peitos é uma cabeçada no queixo.
Puxões de cabelo acidentais. Fato.
Peça de lego no olho. Quase sempre.
Chute na boca durante as brincadeiras no sofá? Opa!
E se for dia de cama compartilhada então.... não consigo nem explicar os golpes.
Tudo fruto do mais puro amor e carinho.
Mas a regra é clara, Arnaldo.
Pediu desculpa, viu como estão os feridos, tudo começa de novo.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

a.k.a. garapa

aí vc, cara colega, que me acompanha já faz tempo, imagina como é que eu não fiquei quando isaac chega da escola ontem, mais melado que melado, dando a seguinte notícia:

- mãe, eu disse lá na minha sala, que eu vou à feira com o vovô e vou levar caldo de cana para todo mundo experimentar.

te dou, então, algumas alternativas, e vc tenta descobrir qual é que foi a minha reação:

a) gritei um PUTA MERDA! daqueles, pensando em onde é que eu ia arrumar garapa fresquinha pra adoçar 25 boquinhas;
b) amaldiçoei todo o ensino de história do brasil e seu desenvolvimento econômico baseado na cana-de-açúcar;
c) segurei o grito, sorri achando lindo ele ter lembrado do vovô, e mesmo não gostando do tal suco de cana, pensou em oferecer aos amigos;
d) já me enfiei no calendário de feiras da cidade, achei a mais próxima e tracei logística para buscar e entregar a garapa em tempo recorde para que fosse apreciada fresca pela geralzinha;
f) antes de dormir, fiz meu momento drama queen, ó vida ó céus, como é que eu ia resolver e cumprir a promessa alheia;
g) chorei tanto que nem sei pensando nas lombrigas que a falta da garapa causaria naqueles pequenos fofos, que sempre dão oizinho pra mim ou
h) dei de ombros e pensei, amanhã tem feira perto, vou lá e aproveito pra levar um tonel de garapa pra escola inteira.

para sua surpresa (lógico que não, se me conhece sabe que eu tô até aliviando nas reações), fui todas as alternativas.
e logo cedo, me despenco até a feira mais próxima, caminho toda ela, e nada de garapeiro!
nada de caldo de cana!
nada daquele motor barulhento ao lado das barracas de pastel.
zero garapa.

amanhã tem mais.
sempre tem.
beijo doce em vcs, viu?!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

eu sou aquela mãe chata que achei que nunca seria

essa noite não dormi.
insônia.
soma-se uma gripe estranha, filho e marido também doentes e uma cabeça com síndrome-do-tenho-que-resolver-tudo-agora-senão-o-mundo-acaba.
essa sou eu.

e então que qualquer frase lida, video assistido, comida digerida, me lembram algo em que eu deveria estar pensando, ou me aperfeiçoando, ou me corrigindo, ou enfim....

gente louca.
sim, sou.

mas voltando a essa noite...
eu cheguei a uma conclusão dolorida.
me transformei num monstro horrível, descontrolado, sem paciência e - o pior de tudo - sem graça.

não é drama.
(sim, é, mas finge que não e me abraça)
não é culpa.
(sim, é, sempre é, mas a gente acha que já se libertou)
não é culpa da falta de sono.
(pode ser, um pouco)

mas parei pra pensar no dia e não lembrei em momento divertido, animado, nada.
só lembrei da louca dos horários, das regras, das obrigações.
soltei grito interno, pq né? de madrugada não dá pra extravasar assim.

me odiei muito.
me prometi mudança.
pelo meu bem e do meu filho.
e agora escrevo com um aperto no peito.
uma raiva gigantesca.
uma vontade enorme de rebobinar a fita.
de reescrever essa história.
de sentar e chorar.

sei que pode ser exagero, sei que não pode ser tudo assim assim...
mas no caminho que esrtá, não dá pra ficar.
mudemos.
mudemos e oremos.

...



quinta-feira, 26 de março de 2015

Piratas

Tem coisas que a gente tem que passar.
o primeiro passo, o primeiro beijo, o primeiro porre, o primeiro amor.
essas coisas que a visão romântica da vida nos proporciona.
escrever um livro, plantar uma árvore, ter um cachorro, ou um peixe, um cacto.
essas questões são infinitas.
e eternas, diga-se de passagem.

mas eu estou mesmo aqui pra falar de piratas.
da visão romântica ou não.
da verdade ou não.
da imagem hollywoodiana ou não.

e também vou falar do Isaac.
esse ser surpreendente.
ou não.

mas enfim...

Isaac tem uma paixão por piratas desde sempre.
primeiro o lance todo das espadas, tubarões, navios, canhões, caveiras.
mas aí veio a disney e o jhonny deep. aí lascou-se.
ele adora, brinca, assiste aos filmes, imita, repete as cenas, sabe as falas.
tá.
até aí tudo bem.
deixemos de enrolação.

acontece que isaac participa agora de uma atividade na escola em que a grande questão é "o que você quer ser quando crescer".
lindo.
até seu filho responder que quer ser pirata.
e voltar puto da vida pra casa porque os colegas que não riram, se uniram em coro pra dizer que essa profissão não existe.

primeiro falamos que existe sim e explicamos que talvez os colegas tivessem achado estranho tal escolha.
conversamos sobre a índole duvidosa dos objetivos piratescos e que entendíamos sim os motivos de ele ter escolhido isso pro futuro.

e os dias passam.
e vem isaac de novo.
agora perguntando se fazer faculdade é coisa obrigatória.
já que não existe faculdade de pirataria.
pra quê, né?

mais uma vez conversamos sobre o futuro. sobre não ser obrigatório fazer um curso superior, mas deixei claro que acredito sim (ainda) nas instituições de ensino e nos prós de se conquistar o diploma.

e filhote então, retomou o fato dos amigos ainda rirem da escolha dele.
de querer ser um pirata.
aí que eu não devia estar num dia muito bom.
ou estava num ótimo, vai saber.
e disse que os piratas de hoje são vilões bem vilões.
que não eram mais como o Jack Sparrow.
mas meu filho quer ver pra crer.
e me mandou consultar o google.

e foi de cortar o coração e servir picadinho com cebola a cara que ele fez quando viu que a coisa atual está muito mais para Captain Phillips do que pra Piratas do Caribe.
Metralhadoras, arma na cabeça, figuras horríveis e amedrontadoras.
e ele, gente, chorou.
chorou sentido.
vi seu castelinho caindo, ruindo, despedaçando.

até tentei aliviar, dizendo que entendia que o que ele queria na verdade, era ser um adulto aventureiro, que viajasse bastante e tivesse muita coragem, mas não era isso não.

e com a merda feita, mas acredito eu que necessariamente, vi alí a transformação.
isaac se decepcionou com a verdade e teve que crescer com ela.
resolveu que não ia mais escolher pirata como opção para o futuro.
mas que também ia responder um NÃO SEI bem grande quando fosse questionado sobre isso.

está triste sim com tudo isso.
mas...
é a vida, não?!



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

não sei

o não lembro de ontem tem um irmão.
ou um primo.
e ele mora aqui em casa.

o "não sei" tem nos acompanhado.
uma coisa.
sempre tem um não sei pra irritar a mamãe.
um não sei por não saber.
um não sei por preguiça pura.
um não sei pra tudo.

comida, hora, banho, desenho, atividade.
não sei.

não estresso tanto.
vá lá.
euzinha com quase 35 anos nas costas sei quase nada dessa vida, imagine Isaac com 6.

remédio?
tem horas que eu me entrego.

- Isaac, o que você quer comer?
- não sei.
- então tá. eu também não.

ponto.
e vírgula.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

a carga

a culpa é da mãe.
toda da mãe.
e a gente, toda trabalhada no drama, reforça.
até acha realmente que é.
veste, como se fosse verdade.

eu ainda tenho meus momentos drama queen.
acho sim que a culpa é minha.
aliás, procuro toda essa culpa em mim.

mas já estou naquela fase mais descolada.
onde se a culpa é minha eu (em alguns momentos lógico) até aceito, pego pra mim (mesmo que não seja) e vejo o que dá pra fazer.
se não der, paciência.
em outras situações, se me tentam tacar a culpa.
dou gargalhada na cara dela e digo que aqui não.

mas ainda tenho anos a aprender sobre.
muito chororô e desespero materno passarão por baixo desta ponte.
mas vamos levando.

acontece, que isaac, criatura que é, me joga/esfrega na cara o que acha de todo o trabalho materno.
aquele que ele acompanha no todo dia.
somado a dois meses sem ajudante no lar.

explico.
ele é fã. fã. fã. dos saltimbancos.
passa perto do aparelho de som, dá play no cd e dá risada com a galera das antigas.
canta, dança.
entende novas palavras.

pois bem.
ontem ele começa a cantar a música do jumento.
acho lindo, como tudo.
até ter o choque de realidade:

"O pão, a farinha, feijão, carne seca
Quem é que carrega? 

MA-MÃE!

O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
Quem é que carrega? 

MA-MÃE!

O pão, a farinha, feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
A areia, o cimento, o tijolo, a pedreira
Quem é que carrega?

MA-MÃE!"

ria o danado.
e quando perguntei o motivo da cantoria ele só respondeu:

- mas é, não é?????

....

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Você TEM que mandar em mim????

E então que chegou o dia...

Ah, o dia em que seu filho, não! no caso o meu filho. Aquela criaturinha loira que ontem mesmo cabia no meu colo...

O dia em que meu filho começou a me peitar.

Sério e de fato.

Eu falo algo e ele faz exatamente o contrário.

Peço e ele ignora.

Em tudo.

Falo com a orelhinha, sozinha, com as paredes.

Essa semana já ouvi as máximas:

- Você manda mesmo em mim?

- Eu só vou parar A HORA QUE EU QUISER.

- Você não manda em mim NÃO!

- E eu mando em quem?????

- Ai, lá vem você falando de respeito...

- Humpf...(vira os olhos, bufa, bate com as mãos nas coxas) ... eu tinha certeza que você ia falar isso.

E hoje, agora pouco, depois de eu falar um milhão de vezes "Isaac, não toque na lâmpada! Está quente e vai te queimar!" o mesmo Isaac mete o pezão descalço na lâmpada em questão, se queima e chora.
Depois do banho, pomada passada, ele olha bem pra mim e manda:

- Eu seeeei que você me avisou, mas você acha que manda em mim?????

...

Oh! Lord! E ele só tem quatro anos...

O que fazer?

...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

sim, seria.



seria infinitamente bacana se isaac aprendesse a se banhar, trocar, comer sozinho com a mesma destreza que aprendeu a arrotar em volume mais que alto, subir na janela, pular no sofá, escalar as portas de armário e trepar na pia do banheiro...

sim seria...

suspiros.

...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Rejeitada

Isaac não me ama mais.
buááááááá.......
Pronto.
Limpa rostinho.
Drama feito, posso continuar...

Acontece que eu, tão acostumada a ter o grude da mamãe sempre por perto agora me vejo jogada de escanteio.
Sério.
Ele não vê mais graça em mim.
(escorre lagrimazinha)
Ele não me dá mais tanta bola.
(solucinho)
Ele prefere assistir o Ben 10 do que brincar comigo no chão da sala.
(toma golinho dágua)
Ele bufa e olha pra cima quando eu tento uma aproximação.
(mão na cabeça e suspiro profundo)

Diz a Querida Psicóloga (e eu resumo aqui bem resumidinho) que a culpa é do Édipo, aquele sacana.
Que é uma fase em que Isaac está se sentindo excluído por eu não deixar que ele tome o lugar do pai, do meu trabalho e seja tudo pra mim nessa vida.
Mas ele é! - diz a mãe indignada, contida e sofredora.

Ele é. Mas nem tanto, saca?
Não pode ser.

E então que agora ele se vinga de mim com um comportamento "sai daqui que eu não preciso de você" com pitadas "vou fazer muita coisa pra te provocar".

Logo, como consequência eu virei a chata da rotina que envolve tomar banho, remédio, escovar os dentes, dormir na hora, natação, pediatra, dentista, aula de inglês.
É o que temos feito juntos.

Ontem tentei até o fim do dia que ele sentasse pra brincar comigo.
Uma das respostas foi "eu ainda tenho uns minutos no iPad, né?" e a outra foi "agora é hora do filminho".
Choro? Choooooro escondidinha no banheiro.

Acabou?
Nada.
Na tal hora do filminho sentei pra assistir junto e ganhei uma bufada catalã. Daquelas que me deu saudade de Barcelona.

...


terça-feira, 9 de abril de 2013

Bendita Palmilha!

Isaac, coitadinho, nasceu com o pé chato.
De tudo que podia herdar, herdou a pisada torta.
E desde o ano passado ele usa a tal palmilha ortopédica.
No começo fiquei ultra feliz por terem abolido da face terrestre aquelas botinas duras, com sola de madeira, que euzinha tive que usar na infância.
Era horrível, era medonha, era pesada, era uma arma ultra secreta contra as canelinhas inimigas do jardim da infância.
Enfim, voltemos a palmilha, que o que interessa neste blog é falar do filho, né? E do pé chato dele.
Bom, mas acontece que a tecnologia aqui, não é lá tão amiga.
A palmilha não é de madeira, não é medonha, não é arma que nada, maaaaaaassssss...
Não entra em p~#*@ de sapato algum!!!!!
Explico.
Pela curva do pé chato do Isaac, a palmilha tem que ter um lado mais alto.
A primeira que fizemos, depois de uma longa caminhada enfiando e desenfiando a bendita em inúmeros modelos e marcas diferentes, vendo filho estressar e gritar ao ver uma loja de calçados, conseguimos sucesso com uma botinha de uma única marca, a qual, na cidade inteira, havia o único par que comprei.
Acontece que a botinha é até bonita, mas é quente.
Quente assim, pra usar no Alasca.
E chegado o calor, aposentamos botinha, palmilha e o que mais lembrasse aquilo tudo.
Começo de ano, retomemos rotina, lá vamos nós no ortopedista.
Nova palmilha receitada, dei eu ao médico minha demostração master de mãe neurótica, sofredora e militante contra as botinhas quentes e as palmilhas que não se enfiam em lugar algum.
(enfiariam sim, em algum orifício do doutor, caso ele falasse que eu não tinha escolha)
Ortopedista deu risadinha e então, como se fosse a coisa mais natural desse mundo, receitou uma de "baixo perfil".
Assim, como se fosse a solução de todos os problemas desse mundão...
Ontem, então, toda meninona, fui buscar a tal palmilha que pensei eu caberia até em sandália havaiana.
Mentira!
O c@$%&*!
Passei o resto da tarde com Isaac debaixo de um braço e o par de palmilhas do outro, procurando um modelo de tênis que comportasse a bendita palmilha mais o pé do meu filho.
A grande m#$%d@ é que nem a indústria calçadista nem a medicina ortopédica estão preparadas para a P~##@ de um problema de pé chato que faz parte dos anais da medicina desde os anos 70.
Não, cara colega, não existe tênis, sandália, sapatênis, bota, cano alto, cano baixo, com cadarço ou sem que resolvam tal questão.
Zero. Nulo.
Aí você, no meio da busca louca, se encontra com vendedoras que tem a coragem de olhar nos olhos e falar   que dois números maiores ajudariam.
Você, em grau master de cansaço, já imaginando as palmilhas azuis rodopiando numa viagem descarga abaixo, aceita a sugestão e vê seu filho tropeçando e perdendo o tênis no meio da loja, porque né? dois números a mais, certeza que ia sair do pé... ainda ouve a lindinha dizer que "é assim mesmo, depois eles acostumam".
Acabei, eu mesma me atendendo numa dessas lojas grandes de material esportivo, aquela com nome de personagem mitológico que é metade gente metade cavalo (porque, né? vamos combinar que eles são demais, são tudo o que preciso e não precisam me atender direito nunca nunca NUNCA - fica o protesto porque o atendimento deles lá é que rodopiou na descarga, não desceu e foi parar tudo no shopping aqui da city), e achei um modelinho assim, não gostei muito mas não tem tu vai tu mesmo.... tá grande mas tá valendo... paguei uma nota e vamos que vamos readaptar o filho na função ortopédica toda.
#prontofalei
e
#aiquesaudadedabotinha

...

terça-feira, 26 de março de 2013

Gentileza

Sabe aquela fase?
Qual delas? Pergunta a já calejada mãe de um menininho observador de 4 anos.

Pois então vou contar um causo:

Saí toda atarantada para entregar uma encomenda constituída por 35 frasquinhos de vidro.
Repousei a caixa repleta de frasquinhos, prontos, lindamente embalados, no banco da frente do carro.
Eis que surge a coisa mais linda desse mundo e se enfia no carro pisoteando no banco.
Isso, no banco onde repousava a caixa, que guardava os frágeis frasquinhos.
Peço uma, duas, dez vezes e nada.
O menino loiro só me olhava de rabo de olho e alí persistia.
Encarno a educadora errante e, no medo da merda feita, puxo a cria pela camiseta.
De quebra ele ganha um beliscão no meio das costas.
Pele e camiseta vieram as duas juntas no meio do pacote do desespero materno.
Ele emburra, acha um absurdo.
Eu, toda cheia de culpa, prefiro não mexer muito pra não feder, enfio menininho emburrado no carro e saio.
No meio da caminho dessa graça de vida havia uma outra figura.
Velhinho, cabeça branca, bengala em punho, tentando atravessar rua movimentada.
Fiz o que meu coração e educação mandaram (alô mamãe!) e parei o trânsito.
Pus carro no meio da via, esperei senhorzinho (que nem agradeceu, buá) atravessar e segui.
Mas eu não perco a mania:

- Viu, filho?!?! Nós acabamos de fazer uma gentileza.

Ele bufa, olha pra mim como quem olha um pão embolorado, olha o senhorzinho e resmunga alguma coisa.
Não ouvi e, lógico, pedi que repetisse.
E tomei:

- Gentileza seria se você não me beliscasse. Nunca mais!

...


sexta-feira, 22 de março de 2013

Descobri que...


... com um filho de 4 anos, você se emociona e chora com o fato de achar lindo não sobreviver mais sem uma bolsa grande onde caibam um livro, uma blusa #4 e um punhado de tampinhas de garrafa.

(e chora mesmo, depois de um dia tenso cheio de perguntas, birras, manhãs e conversinhas sérias)

que o final de semana seja ensolarado, mesmo que chuvoso.

...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Quem manda em mim?

Isaac, com seus 4 anos e meio já tem certeza absoluta que é dono do próprio nariz.
Toma suas decisões, tem suas preferências e não se abala com nenhuma variação da palavra não.

... só que não...

Ele até pensa que manda no mundo, mas sabe bem que não é assim que a banda toca.
Damos a ele total poder de escolha, mas com os vetos que nos cabem.
Ele sabe disso, mas sofre, sofre, sofre quando suas vontades não são atendidas.

Argumenta, questiona, cansa, mas dar o braço a torcer é o mesmo que a morte.
Bufa, chora, esperneia, faz show e encena o dramalhão perguntando "porqueeeeeee?" com as mãos na cabeça.

Já entrou numas de enumerar quem manda em quê.
Já quase desencadeou guerra familiar dizendo que um manda mais que o outro lá em casa.
Já tentou muito mandar na gente, nos cachorros, em tudo.

Outro dia fico desconfiada ao ouvir o som do silêncio.

- Isaac! Tá tudo bem por aí?

- hã hã.

- E o que você está fazendo?

- Assistindo um filminho.

Como assim?

Chegou da escola, tirou a camiseta, foi pra sala, ligou a tv, se esticou no sofá e zero satisfação.
Aproveitei para um momento "calma lá meu filho".
Expliquei que as coisas não funcionam desta maneira.
Isaac sabe muito bem que tem hora pra assistir tv, que devemos aprovar ou não o que ele vai assistir.
Blá, blá, blá, televisão demais não é bacana, há programas que não são feitos para crianças da sua idade, blá, blá, blá...
Ele virou os olhos, emburrou.
E mandou, bem na minha cara:

- Tá. Você quer então que eu desligue agora ou não?

Oh! Adolescência! O que guarda para mim????

...


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A síndrome dos cinco minutinhos

Quer me irritar?
Me faça esperar de propósito.
Ou tente ficar negociando tempo comigo.
Primeiro, que na minha opinião, tempo não se negocia.
Segundo que atraso, na minha opinião, é uma baita falta de respeito com o ser que espera.
Terceiro que "hoje o tempo voa amoooor, escorre pelas mãos..."
Tá.
Piadas a parte, a fase da vez é essa.
Isaac vem me testando.
Cabo de guerra, guerra de argumentos, paciência, vamos ver quem manda nessa casa.
Chame do nome que quiser.
Mas o master do master da irritação carolínica se chama (eu que batizei, tá.) Síndrome Aguda dos Cinco Minutinhos.

- Isaac, assim que acabar o desenho nós vamos tomar banho.

Desenho acaba e lá vem ele:

- Banho??? Mas já???? Só mais cinco minutinhos????

Me mata.

- Filho, vamos, vamos, que temos que sair.

- Agola? Tem mais cinco minutinhos???

Me mata e pisoteia em mim.

- Isaac, tá na hora de ir pra cama, vamos!

Olha na janela.

- Mas já anoiteceu?

Me irrito com horário de verão que deixa o sol brilhante as 8 da noite:

- Já filho, o horário de verão, bla bla bla....

- Mas tá claro ainda..... Posso brincar mais cinco minutinhos?!?!

Me mata. Mas antes me explica quem raios ensinou pra ele o raios dos cinco minutinhos!

....

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

de olhar caído...

Eu e essa mania naturista (ou naturalista?!? agora fiquei na dúvida).
Bom,
confesso.
Ando pelada pela casa. Tomo banho com filhote. E não sou nada adepta das portas trancadas.
Mas além do conforto e sensação de liberdade que isso me traz, ganho também comentários do menininho que alí cresce e percebe as diferenças nos seres humanos.
Saio do banho, começo a me arrumar e logo vem Isaac me mirando.
Olhou, olhou e concluiu:

- Mamãe, você parece um graaaande rosto.

- Ah é? Como assim?

Dedinhos apontaram meus seios:

- São dois olhos.

Apontaram meu umbigo:

- Um naliz.

Apontaram minhas partes íntimas:

- E uma boca.

- Hummmm.... então eu pareço um rosto.

- É, mas seus olhos estão um pouco caídos.

Toma!

....

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

das vinganças mirins...



ontem isaac estava uma coisa.
possuído, diriam os mais religiosos.
chegamos a hora da janta na briga, na bronca e no quase castigo.
aí tô eu quieta, arrumando cozinha escuto a criaturinha resmungando logo alí:

- gorda, gorda, gorda! seu popô não passa na porta!

como assim? pode isso arnaldo?????

...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu e meu popozão

Fato.
Não sou magrelinha nem nada.
Nunca fui.
Me amo com pança e tudo mas tem dias que detesto esse meu avesso de anorexia.
E lógico que Isaac convive com meus altos e baixos estéticos.
Lógico que acha tudo uma grande besteira.
Lógico que me ama assim mesmo, sem padrões.
E demonstra. A sua maneira.
Ele já me chamou de baleinha, fofinha, barrigudinha.
Lindo.
Ahã.
Depende do dia.
Mas acontece que agora a cria usa tudo no aumentativo.
Quando não, no superlativo.
Não enxergo preconceito ou maldade não. É o jeito que ele me vê e só.
E daí que quando não são pérolas, são a forma mais graciosa de acabar com a mamãe. Em ambos os sentidos.
Outro dia mesmo disse que meu popozão não passaria na porta.
Que queria pular no meu barrigão. E disse isso olhando com a mesma vontade que olha pra um pula pula inflável, daqueles bem cheios.
Já gritou pra todos os pais da escola, na hora da saída, como estavam grandes os meus peitões.
Ontem me cutucou até a exaustão. E quando perguntei o que ele queria, respondeu apenas que estava medindo o meu suvacão.

...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sim! Sim! Sou eu!

Visualize a cena:

Mãe há tempos sem sair a noite, se vira, pede ajuda pra avó, conversa com filhote, dá banho nele, se banha, troca ele, se troca, se arruma, se enfia no salto, corretivo, base, sombra, blush e batom.
Se olha bem no espelho antes de se entregar aos olhares do filho e do marido que alí no quarto brincavam de alguma coisa.
Para na porta.
Marido cutuca o filho e este, no automático, já solta um mamãããããe todo miado.
Mas para.
E no pós pausa manda:

- Nossa!!!!! Nem parece que é a minha mamãe.

...

sem mais.

...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mamãe, veja bem...

Aí danou-se.
Cada vez que Isaac respira fundo e me manda um "mamãe, veja bem" eu danço.
E danço bonito.
Pobrezinha de mim, que optei por uma criação na base da conversa, atenção e muito carinho.
Nem dá pra fingir que não escutou e sair correndo.
O negócio é firmar os pés no chão e esperar qual é a nova conclusão.
E torcer para que esta não me derrube como uma ventania tomba uma árvore despreparada no meio do caminho.
Isaac está naquela fase de negociação.
É o dia todo medindo forças com a gente.
Explicando e pedindo explicação.
(tá. se não consegue o que quer chora. como a criancinha que é.)
Se impondo.
Estufando peitinho branquelo e magrelo.
Querendo fazer valer as suas vontades.
Eu?
Assisto, interajo, canso e sofro.
Tudo numa medida básica, sem estresse, sem drama, rindo da vida.
(mentira. não é 100% assim, mas eu tento)
Só que acontece que acredito crescer alí em casa, o ser mais incansável do universo.
Ele fala, repete, demonstra opções, opiniões e por fim conclui:

- Mamãe, veja bem, se hoje não é dia de ganhar presente, como eu vou fazer para brincar?

- Mamãe, veja bem, se eu for tomar banho agora vou ficar muito agitado e não vou querer dormir.

- Mamãe, veja bem, minha barriga ainda não está muito vazia, então eu não posso comer.

- Mamãe, veja bem, só mais um filminho não vai me fazer mal.

Deu pra sacar porque é que eu arrepio em cada "veja bem"???

...


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