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sábado, 23 de março de 2013

Ele quer uma mãe perua

Então que além de perceber todo o processo que é a maternidade, agora convivo também com as vontades, ideias e expectativas que Isaac tem de mim.
Entendo, acho lindo e engraçado até, mas me faz pensar.
Explico.
Em toda oportunidade que tem Isaac me arruma.
Como assim?

No último Dia das Mães ganhei um par de sapatos que, em cada pé, pra ser mais específica, conseguiram colocar dourado, estampa de oncinha e um broche de caveiras com pedras.
E foi ele quem escolheu.
E eu ganhei, usei e uso até hoje. Uso do meu jeito, mais despojado, mas uso.
Ontem mesmo ele madrugou e veio todo amassado, arrastando paninho e travesseiro, me encontrar louca de atrasada em frente aos armários.

-Vou te ajudar a escolher uma roupa. Disse o menininho todo decidido.

Entre "danou-se" e "ai que delícia" um milhão de coisas passaram pela minha cabeça.
Deixei que o fizesse.
Pra roupa ele até que escolheu uma básica (o que sobra no meu guarda-roupas), mas ele endoideceu quando a gaveta de acessórios foi aberta.
Dois anéis.
Dois colares.
Brinco.
Fuça fuça fuça.
A hora que achei que toda a função tinha terminado:

- Mãe! Você esqueceu das pulseiras!!!!

E não parou por aí.
Ele quis escolher o sapato.
Estava com um de saltão na mão quando eu tive que interferir.
Chovia lá fora e eu só consigo achar lugar pra estacionar perto da escolinha uma duas ou três quadras de distância. Depois volto pro carro com Isaac, mochila, lancheira, pasta de tarefa, tudo sendo equilibrado.
Ele olhou bem, buscou a sapatilha mais estrambólica, bem rosa, com partes brilhantes e me deu sorrindo.

Lógico que coloquei no pé.
Lógico que troquei assim que entrei no carro.
E lógico que destroquei quando parei na porta da escola pra buscá-lo.
E até que ela combinou bem com o guarda-chuva verde em forma de sapo que me acompanha nesses dias.
Como não?!?!

...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não estou só. Obrigada meninas...

E então que os comentários no post de ontem me caíram assim, como um abraço.
Daqueles bem quentes e apertados.
Obrigada de coração, meninas.

E ontem já comecei a me mexer pra mudar as coisas um tanto.
Isaac só teve natação então voltamos pra casa, curtimos lanchinho e ainda assistimos a um filme tão antigo quanto esta que vos tecla: Tartarugas Ninja.

Final do dia fomos caminhando de mãos dadas até o mercadinho que fica perto de casa, cantando e fazendo brincadeirinhas sobre puns, arrotos, catarros e fezes (ah....ser mãe de menino...).
Rimos um monte juntos.

Um bálsamo para esta mãe cansada e dolorida.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Parem o mundo!

Enfim.
Depois de 2 meses no esquema pega na escola-leva pra casa-almoça-leva pra natação-psicóloga-inglês-mercado-padaria-quitanda-amigos-trabalho, eu deitei a cabeça no travesseiro e fiz o drama que me cabe:

Why me, Lord?!?!?!

Fiquei um tempo deitada olhando pro teto, tentando me lembrar de algum detalhe bacana do meu meio período com Isaac.
E nada.
Não lembrei. E também não vivi.
E quase me matei afogada com o travesseiro.

Fiquei com raiva.
Como assim?
O dia agora é feito de compromissos e obrigações e a gente quase nem brinca mais.
Não tem mais aqueles longos papos.
Não veste fantasia e rola no chão.
Nada.

A gente não anda mais pelo condomínio, a gente não para no Bosque pra se encher de areia, a gente não vai andar no shopping só pra ir conferir os cartazes novos do cinema.
Nada.
E ontem, quando ele pediu pra fazer o cineminha do final do dia eu dormi. Capotei na metade do filme.
E o pequeno só me acordou avisando que o filme tinha acabado e perguntou se já era hora de ir pra cama.

E que ódio que me deu.
Dos grandes.
Ódio de mim, dessa vida corrida.
Desse tempo que corre.

E como é que foi que as coisas ficaram desse jeito?
Matematicamente simples.
Enfie tudo o que der e o que não der em 24 horas.
Pronto.

Excedi o limite.
De tudo.
E deu que agora levo uma vida milimetricamente regida pelos segundos que me cabem.

E eu não quero viver assim.
Não quero e pronto.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Mãe é ser humano

Tenho eu aprendido com a maternidade que, por mais que nós mães quisermos, nunca seremos só mães.
Explico.
A cada dia aceito mais que além de mãe - cargo que foi atribuído a mim pela natureza e por mim mesma numa escala um tantinho mais complexa - sou ser humano.
Ser humano mesmo, daqueles normais e as vezes nem tanto, sabe?
E tendo isso quase que resolvido dentro de mim, me permito ser mais humana nas ações que envolvem o Isaac.
Hoje, por exemplo, me permito responder a alguns infinitos porquês da cria com um belo e real NÃO SEI.
Isso.
Se eu não sei a resposta, digo que não sei.
(lógico que depois vou que nem uma louca procurar a resposta pra dar pra ele, me deem um desconto pois sou ser humano e não uma estátua maciça em ferro)
Se acho que é cedo demais pra discutir certos assuntos com ele, não enrolo, não invento historinha, digo que quando ele crescer vai entender tal assunto.
Tenho exposto com mais frequência minhas fraquezas.
Se o cansaço é realmente grande, explico, e peço que me deixe esticar as pernas por 20 minutos.
E dia desses, diante de um acontecimento muito triste, precisando eu colocar tudo pra fora, me permiti chorar. Chorar como uma criança.
E Isaac viu.
E veio ele me dar colo.
Alisar meu rosto e abraçar apertado.
Perguntou sobre meus motivos e respeitou quando eu disse que não queria passar toda aquela tristeza pra ele.
Ficou preocupado, dormiu de mãos dadas comigo.
E não perguntou mais sobre isso.
Lógico que não vou ficar chorando na frente dele. Até porque não faz parte do meu show.
Mas é bom saber que posso.
E é bom ensinar pra ele que eu não sou um super herói... ou um tipo e tirano invencível...
Certo?

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Logística materna

E então que Isaac começa hoje mais um ano letivo.
Lá se foi meu menininho, todo orgulhoso, amanhecer no Jardim 1.
Logo, começo eu, a pensar em todas as novidades que esse ano trará.
Primeiro que filhote está mais moleque, evoluiu e muito nas lutinhas e cambalhotas durante as férias. Tenho até que registrar aqui que Isaac evoluiu também no quesito mordidas, tapas e pontapés.
(logo, já imagino o que me aguarda nas reuniões e rodinhas de mães na hora da saída)

Mas fora o comportamento, temos ai sala nova, professora nova, possíveis novos colegas. Tudo o que o volta ás aulas proporcional.
Temos também o novo aprendizado, o início da alfabetização, os novos traçados, as novas dúvidas e a nova infinidade de perguntas.

2013 também reserva novidades para esta mãe aqui.
Acontece que, relacionado a escola, Isaac não vai ter mais aqueles dois dias integrais.
Chorou um ano inteiro dizendo que não gostava. Sofreu. Sofri. Sofremos.
Decidimos então que pra escola mesmo ele só vai de manhã.
A tarde a Deus pertence?
Necas.
Pertence a ele. Ao Isaac.

Ficamos assim então.
Os dias são divididos entre natação, psicóloga e inglês.
Acho que é atividade pacas?
Acho sim. Mas pior seria se ele ficasse só em casa ou só me acompanhando aos afazeres domésticos ou repetindo programinhas básicos aqui da city a semana toda.

E eu me vejo agora com a função mãetorista mais do que intensa.
E não é só isso. Isaac tem só 4 anos. Em todas as suas atividades eu sento e espero.
Leio. Converso. Observo. Releio.
Aprendo mais sobre paciência e sobre mim.

Por enquanto Isaac tem adorado a natação.
São duas horas por semana, ou seja, dois dias de aula.
Ele também está louco para voltar ao inglês.
Somamos ai mais duas horas por semana, dois dias de aula.
E a Querida Psicóloga, mais dois dias na semana.

Rebolei e Remexi a agenda. Organizei horários e hábitos.
Noves fora, ainda temos um dia livre na semana. Pra ficar sentado no sofá, no meio dos brinquedos ou fazer qualquer coisa que der vontade.
Ufa.
E falo de dia livre porque os horários dessas atividades acabam pegando o meio da tarde. Aí já viu, some uma atividade nova a rotina já cheia de horários de uma criança.

Já experimentei dessa nova rotina nas férias.
Estou me adaptando a ela, assim como a cria, que tem odiado ir ao supermercado comigo e já fez amizade com a cabeleireira.
Sei que ela vai ficar mais intensa com o recomeço de tudo, mas venho me preparando.
E tenho tentado fazer Isaac entender que sua companhia agora é necessária não só na vida de mãe como na vida e dona de casa e mulher também.

O pilates?
Parei.
Sei que não está certo, mas é o que dá pra agora.
Logo retomo alguma atividade física. Logo me encaixo no meio disso tudo. Logo completo esse quebra-cabeças.
E tudo dá certo.
Que assim seja.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu e meu popozão

Fato.
Não sou magrelinha nem nada.
Nunca fui.
Me amo com pança e tudo mas tem dias que detesto esse meu avesso de anorexia.
E lógico que Isaac convive com meus altos e baixos estéticos.
Lógico que acha tudo uma grande besteira.
Lógico que me ama assim mesmo, sem padrões.
E demonstra. A sua maneira.
Ele já me chamou de baleinha, fofinha, barrigudinha.
Lindo.
Ahã.
Depende do dia.
Mas acontece que agora a cria usa tudo no aumentativo.
Quando não, no superlativo.
Não enxergo preconceito ou maldade não. É o jeito que ele me vê e só.
E daí que quando não são pérolas, são a forma mais graciosa de acabar com a mamãe. Em ambos os sentidos.
Outro dia mesmo disse que meu popozão não passaria na porta.
Que queria pular no meu barrigão. E disse isso olhando com a mesma vontade que olha pra um pula pula inflável, daqueles bem cheios.
Já gritou pra todos os pais da escola, na hora da saída, como estavam grandes os meus peitões.
Ontem me cutucou até a exaustão. E quando perguntei o que ele queria, respondeu apenas que estava medindo o meu suvacão.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Moço

Essa vida.
Uma graça.
Deixa eu explicar.
Hoje é o Dia da Partilha na escola do Isaac.
E é dia do Isaac levar o lanche pra dividir com os colegas de maternal.
Doze pequenos.
Que não são mais tão pequenos assim.
Muito menos Isaac.
Que me viu toda cheia de pacotes entrando na escola.
Me abraçou.
Feliz porque eu cumpri promessa e saí voando da rádio pra levar o lanche quentinho.
Ouvi ele falando pro pai "ela trouxe quentinho" e quase morri de orgulho alí.
De mim, dele, do pai, enfim, dessa família linda que desenvolvemos.
E mesmo entre sacolas, bateu aquele medinho dele agarrar nas minhas pernas e não querer entrar.
Mas ele me beijou. Abraçou forte o papai.
Disse amém ao meu "fique com deus".
Empunhou sua mochila do batman e foi.
Sem nem olhar pra trás.
Todo cheio de si.
Cresceu.

...


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um metro

E então que ontem fomos ver a pediatra do Isaac.
Tempo mudou, rinite atacou, garganta doeu e lá vamos nós.
Mas o problema não é esse.
E nem há um problema.
Só que eu sou mãe.
E assim, dramática, emotiva e culpada por natureza.
E como em toda consulta, Isaac é examinado, pesado e medido.
Pronto.
E ficou no limite da Dona Régua, que o mede desde seus quarenta e poucos centímetros.
UM METRO E DOIS!
Saltitou a feliz doutora.
Sorriu Isaac, todo orgulhoso de si mesmo.
uéuéuéuéuéué, soou alarme na cabeça desta mãezinha aqui.
Um metro de filho, veja bem...
Viajei até a loja onde compro tecidos pro Ideias e me imaginei toda simpática:

"oi moça, hoje vou levar um metro de menininho loiro. olhos castanhos, por favor."

Pensa.

"hoje vai ser um metro de menininho loiro, meio emburrado, de sorriso raro, please?!?"

Um metro de filho, eu já tenho.
Um metro E DOIS.
E eu não prometo que não falarei que outro dia mesmo ele era tão pequeno que se perdia nos macacões RN.
Era tão minúsculo que nem mamar conseguia direito.
Que demorou a andar, mas falou rápido.
Tão rápido quanto cresceu.
E chegou num metro.

E acha que acabou aí?
Me vira então a Querida Doutora e acaba comigo:

"pode comprar tylenol 'criança', porque o 'bebê' não dá mais"

Ploft.

.....




terça-feira, 11 de setembro de 2012

Menu cotidiano completo

Isaac chega em casa no final do dia e pede:

- Água, mamãe! Não! Suco. Tem suco de quê?

- De abacaxi.

- Pode ser.

E mata a sede.

Logo se lembra do próprio estômago, confundindo as horas:

- E nós vamos almoçar o quê?

- Jantar Isaac.

- Aaaaa....

- Temos isso, isso e isso.

- Eu quero torta com salada. Só alface e tempero.

Mãe faz o prato.
Pedaço bom de torta de sardinha e folhas crocantes com azeite e um tanto de queijo ralado, só pra dar uma graça.
Ele come.
Feliz.
Raspa o prato.

- E de sobremesa?

- Sobremesa?

- É, mãe. Posso comer morango doce? (morango com açúcar)

- Iiiiiii, acabou morango.

- Então pode ser uma pêra. Picadinha e sem casca.

Lá vai a mãe.
Volta a mãe.
Cria raspa pratinho e solta um hummmmm...

- Que mais, Isaac?

- Tá faltando um bombonzinho. Pode?

- Pode.

- Joga o papel no lixo?

- Poooooooooor....

- Por favor.

A mãe levanta e ele ainda se aproveita:

- Vai na cozinha?

- Hãhã.

- Então traz um copinho d'água?

...

Mesmo feliz da vida com apetite meio-saudável-meio-formiga da cria, mãe arruma sarna pra se coçar pensando em como o filho já é uma pessoinha. Assim, cheia de vontade própria.
E chora.
De amor e de cansaço.

...




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mãe chata (e boba)

E então que passamos o feriadão só nós dois.
Eu e maridex.
Lindos, leves, livres e soltos.
Literalmente.
Tínhamos um evento na capital e Isaac, por mais que ame a loucura paulistana, não cabería na programação.
Depois do Oh vida! Oh céus!, levo ou não levo, somos ou não pais de merda, fomos salvos pela dinda do Isaac que fez o convite pro final de semana e ele aceitou na hora.
Alívio de um lado, drama do outro.
Mãe é assim ser complexo.
Mesmo mortinha de saudade eu não vejo vantagem em ficar ligando tanto. Monitorando tanto.
Deixo acontecer.
Trocamos alguns torpedos, recebemos foto. E só.
Tanto foi o sossego que cheguei a mencionar, em voz alta, a seguinte frase:

Se Isaac tiver pronunciado meu nome em uma única frase seria na seguinte "ainda bem que a chata da minha mãe não está aqui".

Influenciada pela fase general que tenho vivenciado em casa.
Diante de um reizinho sem escrúpulos.
Deixo claro.

Fomos, curtimos, encontramos gente super querida e curtimos mais ainda e dormimos e voltamos.
E eu, pensei durante a longa estrada, que com certeza o final de semana dele tinha sido muito divertido, e eu alí seria só um detalhe esquecível.
Cheguei a pensar que ele nem me daria bola.
Isaac primeiro abraçou o pai. Rolou no chão com ele.
Riu.
Depois veio até mim, pediu colinho, abraçou grudadinho e disse, olhando nos meus olhos, que estava morto de saudades.

Boba, né?

...


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quando eu era...

Correria.
Dia foi louco, final dele idem.
Compromisso agendado.
Tia Querida vem ficar com Isaac.
Ele todo animado porque a tia é daquelas loucas agitadas que fazem do mundo um lugar mais colorido.
Filhote adora.
A gente também.
Mas a mãe encarna a chata, a louca e o general ao mesmo tempo pra fazer a janta, tomar banho e se arrumar em 40 minutos.
Vamos por prioridades, tento eu me organizar.
Em vão.
Filho pede macarrão.
Toca ferver água, fazer molhinho compatível com atual situação do intestino infantil alí presente.
Foi-se o tempo. Foi-se o banho.
Tá, vou assim mesmo, se consola a mãe após uma leve cheirada no próprio suvaco (quem nunca?).
Senta.
Passa o tempo que resta insistindo pro filho comer.
E comer sozinho, espetando os fusilis de farinha integral.
Sim, somos saudáveis.
Até onde dá.
Enquanto isso, monto um lego, de peças minúsculas, driblando os cachorros que, mancomunados com menininho sem vergonha, sempre estão prontos para ajudá-lo raspar o prato.
E no meio da luta, cria olha bem nos meus olhos, coisa que não tem feito muito ultimamente, e manda:

- Quando você era divertida...

- Como assim? Não sou mais?

- Não. Não é. Você ERA divertida.

E enfiou um macarrão na boca, deixando bem claro que a conversa acabara alí.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Geração tecnológica

Eu já cansei de falar que meu próximo filho virá com saída USB.
Fato.
Nossos filhos são nativos dessa coisa louca que é estar conectado, de N maneiras, 100% do tempo, a tudo, a todos e ao universo, digamos assim.
E nativo que só, Isaac sempre me deixa pensativa com essa questão.
Acontece que resolvemos deixar ele um tanto longe de computadores, i-tudos, videogames e afins por um tempo.
Criança tem que ter vontade de brincar no quintal, tirar o sapato e setir a grama, a terra. Ter vontade de pedalar, ver o sol lá fora e deitar no chão pra ver a lua e as estrelas.
Até é assim por aqui.
Mas a vontade natureba está perdendo campo pras tecnologias que vem até Isaac como se ele um imã fosse.
E (claro que vocês já devem ter vivenciado algo parecido) ninguém precisa ensinar nada.
Nem onde liga, desliga, muda, altera, atualiza ou compra.
I-pad, celular, touch, internet e youtube começaram a fazer parte da vida do filhote num instante que nem notamos qual foi.
Muitas das coneversas lá em casa são assim:

- Papai, quero o filme do Jake e os Piratas!

- Mas não está passando agora.

- Então ABAIXA da internet pra mim?!?!?!

Ou ainda:

- Mamãe, pega seu contador e liga no youtube pra gente ver aquela parte do Madagascar 3???

Quer mais?

- Olha lá, mamãe! Acabou o dragão do playmobil....

- Isso mesmo, Isaac.

- Mas você compra um pra mim na internet.

- Como você sabe que tem na internet?

- Na internet tem tudo, mãe... (e ele até vira os olhos com tamanha ignorância materna)

Confesso que me bate uma preocupaçãozinha.
Logo eu que olho tão torto para os adolescentes de hoje, presos numa vida virtual de MSNs, Facebooks, instagrans, vibers, slevers e etc...
Não sou contra.
Aliás, sou usuária de boa parte desses artifícios cibernéticos.
Mas quando eles chegaram à minha vida, eu já tinha maturidade e discernimento suficientes pra colocar limites, pra entender até onde ajuda e onde atrapalha.
Pra entender que a vida real as vezes é chata mas é muito bacana também.
E já tinha muitos amigos de carne e osso, os quais sei o tamanho do abraço, da gargalhada e do aperto de mão até.
E meu filho que é nativo?
Já nasceu de mãe blogueira e pai viciado em programinhas para celular.
Passa os dedinhos pelas telas como se a coisa sempre tivesse sido assim. E se estressa porque o modelo antigo da mamãe ainda requer teclas.
Isaac lê livros. Adora sentir as páginas entre suas mãos.
Mas estes perdem a graça imediatamente diante de um filmezinho novo no celular ou de um novo DVD no aparelho portátil.
E ele pediu um tablet de aniversário.
TA-BLE-T, disse ele no auge de seus quase 4 anos completos.
Cabe a mim.
Cabe a nós, pais.
Entender esse mundo diferente. E se questionar.
Como adequar nossos parâmetros de educação para um espaço sem limites?
Um mundo inteiro que se abre alí, numa touch screen?
Fácil?

...

Nota para mim mesma: Ontem o Google Street View chegou em minha cidade.
Me senti pelada, verdade seja dita.

...







sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A aposentadoria e a morte

A dentista do Isaac é uma pessoa incrível.
Brava e bem humorada ao mesmo tempo, conquistou meu filhote ainda bem novinho.
Cuidou, brincou e fez dele uma crinaça de dentes saudáveis e lindos.
Mas acontece que a Querida Dentista não é lá tão mocinha.
E esta semana nos comunicou que está se aposentando.
Eu tentei antecipar o assunto, explicar um pouco sobre o fator previdenciário (mentira. da braba).
Ele entendeu o quanto quis e lá fomos nós.
Ela realizaou a última consulta e com lágrimas nos olhos disse dos seus planos de descanso, paz e menos bocas abertas.
Chorei. De uma maneira um tanto disfarçada, confesso, ao ver Isaac abraçar a dentista e se segurar, firme, na despedida.
No caminho do carro ele soltou um suspiro, derrubou os ombros e começou a chorar.
Sentido, tadinho.
Questionava o tempo, a mãe, a dentista e essa loucura de vida.
Deixei que ele colocasse pra fora.
Assisti mais um aprendizado.
E logo ele começou com suas perguntas.

- Mamãe, porque a Tia Dentista não quer mais ser a minha dentista?

- Ela quer filho, mas ela vai parar de trabalhar. Não será mais a dentista de ninguém.

- Nunca mais?

- Acho que sim, filho.

- Porquê?

- Isso se chama aposentadoria Isaac.

- Porquê?

- Aposentadoria é quando as pessoas já trabalharam muito e agora merecem um descanso.

- Ela fica cansada de ser minha dentista?

- A Tia Dentista ficou cansada pois já trabalhou muuuuuitos anos, sendo dentista de muuuuuuitas crianças. E sua também.

Ele ouviu tudo atentamente até a tolinha aqui cair numa armadilha sem volta:

- E ela está velhinha, precisa ter uma vida mais tranquila.

Olhos arregalados mode on.

- Então, mamãe (bico de choro e medo), a Tia Dentista Querida vai morrer?

- Não filho. Não vai morrer.

- Mas você disse que todo mundo morre. E morre quando fica velhinho.

Respira, respira, respira.

- Sim filho. É bem isso. Mas a Dentista não vai morrer agora. Ela só parou de trabalhar.

Isaac entrou no carro em silêncio.
E quieto ficou pensando na vida. Ou no fim dela.
Por um bom tempo ficou triste.
Eu fiquei na minha. Dando espaço praquilo tudo.
De noite ele tocou no assunto novamente:

- Quando você ficar velhinha e morrer eu vou ficar sem mamãe...

E ao ouvir a própria voz percebeu alí outra coisa:

- E quando EU ficar velhinho, um dia EU não vou existir mais.

Eu, tão pequena diante dessa verdade toda, só contribuí com o meu otimismo característico:

- É filho, mas isso vai demorar muito. Muito, muito, muito mesmo.

Amém, né?

...







quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não é ele que decide, eu sei.

Mas pesa.
E a cada dia que passa, a opinião do Isaac vai ganhando mais peso.
Lógico que cabe a ele decidir algumas coisas como que brinquedo quer pegar, que fruta vai comer, se prefere cinema ou parquinho, mas as questões adultas são exclusiva dos adultos desta casa.
Mas como Isaac é ser componente desta família, tem ideias próprias e personalidade marcante - e assim o respeitamos - nós ouvimos tudo o que ele tem a dizer.
Ou a gritar, dependendo da fase birrística do momento.
Como no caso do irmão.
Claro que ele tem a opinião dele.
Claro que ele avalia, dentro de suas percepções, o que um irmão representa.
Óbvio que se sente ameaçado.
E é compreensível.
E louvável que coloque suas expectativas e frustrações pra fora.
Estimulamos que ele exponha seu ponto de vista, exerça o que lhe cabe dentro da sua já experiência de vida.
Ouvimos sim.
Pesa?
Um tanto.
Mas já deixamos claro que um outro filho é o que queremos para a nossa família.
Conversamos e damos espaço pra que Isaac tire suas conclusões.
Ele se abre ou se fecha.
E assim vai.
Crescendo.
Cresce ele, crescemos nós, cresce a família.

...

E não. Não estou grávida.

...



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Pequenos conflitos

Isaac se descobre como menino.
Como ser do sexo masculino.
Como pessoa.
Com suas particularidades.
Com seu lugar no mundo.
E define assim o tamanho das coisas.
Aquele tamanho que não se mede em centímetros.
Isaac percebe que é alguém.
Que tem limites.
Que tudo tem limite, aliás.
Que a vida começa, continua e morre.
Que existe velhinho e doente.
Que há graça e desgraça.
E elas as vezes andam de mãos dadas.
Isaac sente que tudo tem um preço.
Tudo tem consequência.
Tudo tem validade.
Tudo toma espaço.
Tudo precisa de resposta.
E continua com seus porquês.
Isaac cresce.
Em tamanho e em maturidade.
Em decisões e escolhas.
Mesmo pequeno cresce e admira sua importância.
Em casa, no grupo, na escola, na família e na fila do posto de saúde.
Isaac observa.
E analisa.
E revisa.
E entende.
E desentende.
E concorda, discordando.
E conclui.
Conclui que não quer ficar velhinho nunca.
Que não quer casar.
Que não gosta de bagunça de filho.
Que fralda ainda é possível.
Que os tênis estão apertados.
Que tem roupa que não agrada mais.
Que quer ser igual ao papai hoje e igual a mamãe amanhã.
E que, definitivamente, não quer irmãos.

...

Aos quase quatro.

...

Bjoca e ótima semana!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Espertinho da Silva

Pois é.
Já falei aqui que nós adotamos o "birrou perdeu" lá em casa.
Simples técnica do tirar um brinquedo a cada coisa feia feita.
Tem funcionado?
Digamos que sim.
E digamos também que tem aguçado em um bom tanto a capacidade de negociar e a esperteza da cria.
Até porque a vida é uma graça, né?
Isaac perde os brinquedos.
Sabe os quais já perdeu e tem bem nítida a lista dos que quer recuperar, assim, de imediato.
Então que já sacou algumas maneiras em burlar regras.
E tenta, as vezes conseguindo outras não, passar a perna nesta que vos tecla.
Fato é que ele sabe como e quando consegue me agradar e arrancar desta pobre mãe aquele "muito beeeeeem" com palminhas e tudo.
E uma dessas coisas é fazer atividades físicas.
E nesses dias de férias em casa, uma das recomendações que dei a Chris é que ela tentasse fazer ele pedalar, ao menos um pouquinho.
Logo, no primeiro dia vieram os dois me contar que Isaac fez as pazes com o triciclo.
Ganhou um parabéns e eu, dando um tiro no próprio pé, disse que ele poderia escolher um brinquedo de volta.
Ótimo. Tudo lindo.
Mas acontece que agora ele pedala todo dia. De dois a três minutos.
E assim acha que vai me receber com sorrisinho e esvaziar o meu estoque de brinquedinhos apreendidos.
Vem todo mostrando as pernas, dizendo que "elas são de aço, blablabla, me devolve um brinquedo".
Eu?
Devolvo assim não.
Agora tento explicar o inexplicável de alguma maneira cabível.
Se é que vocês me entendem.

....



terça-feira, 10 de julho de 2012

Toda forma de amor

Isaac tem pais melados.
A gente vive se beijando, dizendo que ama, fazendo carinho.
Até os cachorros lá em casa são beijoqueiros.
E o pequeno está crescendo assim.
Todo trabalhado na declaração de amor, no dengo e no chega-chega.
Esses dias, com um sono que até doía, se enfiou num drama dizendo ao pai, com os olhos cheios de lágrimas, "você não me ama maaaaaais".
Deitou no travesseiro e sorriu, de olhos fechados, completando o dia com "eu te amo muito, papai", assim mesmo, 2 minutos depois.
Ontem saiu do banho dizendo que amava mais que o céu.
Eu, derretendo como uma geléia feita de açúcar e amor, disse que o amava também, mais que tudo.
Ele então agarrou conversinha:

- Me ama mais que tudo, mamãe?

- Amo, Isaac, amo mais.

- Então você não ama o papai.

- Amo o papai sim. Amo você e ele.

- Mas ama o papai quanto?

- Amo muito. Muito e muito.

Ensaiou um choro.

- Se é tanto assim, então você não me ama....

- Amo.

- Como?

- Tenho um amor aqui pra cada um de vocês.

Arregalou bem os olhos.

- Um???? Mas um é pouco.

- Mas é um amor enorme pra cada um, tá bom?

- Enorme?

- É. Enoooooorme.

- Então tá bom.

...




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Heróis

Domingo.
Seis e meia da manhã.
Escuto passinhos no corredor.

- Mamãe!

- Bom dia, filho.

- Bom dia mamãezinha querida.... - e se esfrega, cheira, aperta meus braços.

Eu curto. E sorrio boba, agradecendo a Deus.
Ele se vira:

- Eu sonhei.

- E foi bom, Isaac?

- Ahã. Sonhei que você era Lois Lane e eu Clark Kent.

ploft.

.....

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O mais novo fã da Piaf

E então que já fomos assistir Madagascar 3 duas vezes.
E lógico que iremos uma terceira.
Mas eu sou daquelas bestonas que vê oportunidade em tudo.
E com a educação do filho sou um radar enlouquecido, sabe?
Então...
Apaixonei da Capitã Dubois assim, de cara.
Depois que ela cantou Non, Je Ne Regrette Rien virei fã.


Acontece que Isaac saiu do cinema com a música na cabeça.
Cantamos numa língua enrolada que nem perto passou do francês.
Assim, a frase principal da canção virou, pela imaginação do meu filhote, Nooooon confio nesse leoooon, assim, com sotaque francês mesmo.
E cantamos No Confio Nesse Leon até ontem a noite, quando num surto Piafístico eu resolvi me jogar com Isaac no YouTube.
E ele conheceu Edith Piaf.
E seus olhinhos brilharam.
E ele cantou junto.
E eu?
Eu babei.
Sorri e babei.


...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Como um Lightyear

Mesmo nos dias que não são Dos Namorados somos cheios de amor pra dar.
É te amo pra todo lado.
Beijo, aperto, abraço, carinho.
E rola papinho doce como mel:

- Mamãeziiiiiinha....

- Ooooiiiiii - eu derreto.

- Eu te amo.

- Também te amo muito, Isaac. Te amo mais que tudo.

- E eu te amo mais que o planeta Terra, mais que a chácara e mais que o universo.

Aperto, amasso, corro atrás pra dar o último beijinho.

Se ele não para eu apelo:

- Você não me ama nada!

- Amo sim!

- Ama quanto?

Aí ele vira um herói intergalático:

- Eu te amo infinito e além.

Ploft.

...

Lindo, romântico e beijoqueiro Dia dos Namorados.
Pra todos nós.

...

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