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domingo, 11 de junho de 2017

Amor

Antes de começar este post preciso fazer algumas considerações:
ok que hoje é dia dos namorado e falar de amor hoje me entrega ao clichê.
Ok que falar que o filho é namorado da mamãe é coisa pra lá de estranha que me irrita desde sempre.
E mais ok ainda qhe vai parecer pouco criativo:
Mas acontece que eu mantenho isso aqui - mesmo que sem-vergonhamente - é pra todo tipo de momento e inspiração, então me deixa.

...

Isaac está beirando os nove.
E isso faz dele uma pessoinha quase que completa no quesito emoção.
Engatinha ainda em vários subtítulos do tema.
(Eu mesma engatinho em muitos)
Mas vai aprendendo como lidar com os motivos inexplicáveis e não-contáveis do existir.
Sofre.
Eu sofro.
(Pq mãe sofre mesmo e ponto)
Nós sofremos.
Assim a vida segue no curso, tranco e barrancos, velejar que nos compete.

Tá.
Mas é aí, não sei em que coordenada espacial, que entra o sentimento maluco e nem sempre gratificante que é o amor.
Lindo, mas nem tanto.
Puro, mas às vezes.
Completo... de dúvidas.

Não minto.
Mostro - sempre que consigo - que o amor é controverso.

- filho, eu te amo, você é a coisa mais importante pra mim, mas eu sou mãe de merda às vezes é esqueço que tinha reunião na escola.

- te amo e sou responsável por você. Desculpe, mas na próxima eu compareço.

- filho, a mamãe tá um tanto chateada hoje. Te amo, mas ó, daqui uma horinha eu organizo as minhas ideias e estarei melhor.

E ainda tem aqueles momentos em que eu preciso que ele saiba que o amor existe na vida dele.
Mesmo que pareça que não.

- isaac, você é muito amado, sabia?
Quase sempre o safado fala que não pra ganhar cafuné e ouvir a mesma frase inúmeras vezes, sorrindo grato, respirando fundo.

Enfim....

Hoje ele estava particularmente cheio de amor pra dar.
Disse que eu sou a melhor mãe do mundo (cof cof).
Disse que eu sou muito amada e exato que é, já emendou com "você sabe muito bem disso".
Disse que queria me abraçar pra sempre.

Óbvio que derreto.
Claro que deixo ele ver meus olhos transbordando.
E digo ainda que sou muito grata pela minha vida.

Mas hoje fiz do amor um ciclo infinito:

- filho, sabe como a mamãe te ensina a amar?

 curioso que só, me olhou bem nos olhos e nem piscou aguardando o segredo do universo.

- te amando.

- é né, mãe?

- eu só sei assim filho.

- eu acho que que eu também.

...


domingo, 21 de maio de 2017

O cachorro do Kid Vinil

Eu tinha uma porçao de tópicos a abordar por aqui.
Faz tempo que a gente não se fala neste canal...
Faz tempo que não atualizo a história do Incrível Isaac via internet.
Por aqui tudo bem.
Criança crescendo, evoluindo.
Lindo.

Mas acontece que o Kid Vinil me resolve cantar em outra freguesia.
Que é mais interessante ser boy em outro plano.
E, nesse tempo maluco e apressado, o tic tic nervoso cantado em casa vai me render outras explicações.

Só que - se você me conhece já sabe bem onde vai dar - além do além pra onde foi Kid, temos o Cosmo.
Para! Longe de mim estabelecer aqui figuras e cenários religiosos.
Cosmo é o cachorro do Kid Vinil.
Que se já não bastasse ter uma cara de companheiro de vida, foi levado a dar adeus ao dono no velório.
E foi fotografado de todas as maneiras que eu aqui não tô sabendo lidar internamente.

Tô aqui, quieta no sofá, ligando os pontos todos.
Keith Richards, nossa schnauzer está bem debilitada devido a diabetes.
Já está completamente cega, coração fraco, alimentação restrita, medicamentos diários.
Não está fácil ser Keith.
(e antes que você me corrija, siiim, eu sei que o Keith é homem e que a Keith aqui é fêmea, mas pra mim faz todo o sentido. to-do)
E Kid era diabético.

Iron Maiden, nosso schmauzer, está velho,
Já não escuta direito, não corre mais atrás do Isaac.
Dorme o dia todo.
Enfim... a barba que era branca passou pra um amarelo senil.

E no meio disso tudo tem o Isaac.
E tem eu também tentando ser uma pessoa melhor e uma mãe mais centrada a cada dia.
Continuo viajando, como deu pra perceber com esse texto amalucado.

Enfim...
Diabetes, focinhos esbranquiçados, doenças, tempo.
Jogue tudo no liquidificador supersônico que é a cabeça de uma mãe.

É isso que dá... um desabafo desconexo de quem acha mais fácil falar sobre sexo do que sobre morte.

A seguir cenas...


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Eu tive um sonho...

Peraí!
Não dá pra chamar de sonho algo que te arrebenta a noite e não traz uma sensaçãozinha boa sequer.
Acompanha comigo.

Chego eu e Isaac a um lugar lindo, bem equipado, buscando novo professor de yoga (a nossa vai bater asas em breve - buaaaaaaaaa).
Todo mundo simpático, se ajudando, humor lindo.
Quando de repente começam a chegar pessoas conhecidas.
Todas com crianças.
Meninas, meninos, tudo com idade próxima.

O barulho peculiar infantil.
O barulho peculiar materno.
O caos instalado.

Fico na minha, ajudando a tirar uns balões do teto (oi?), quando isaac - que estava brincando, já que yoga ali, passou loooonge - surge irritado, perseguido por duas meninas.

Peço que ele respire fundo e me conte o que está acontecendo.
O silêncio peculiar do isaac.
A risadinha peculiar de quem tá sacaneando.
O olhar peculiar materno.

Fiquei esperta.
Logo vejo isaac com a mão nos olhos, é uma das meninas gargalhando.
Um soco, de direta. Muito bem dado.

O pedido de socorro peculiar infantil.
O pensamento peculiar materno.
Aquele que peculiarmente não podemos colocar em prática/

Veio a menina e deu outro soco.
E outro.
E outro.
Isaac não reagia.

Acordei num pulo!
Respiração ofegante.
Tomei um gole d'água.
Durmo de novo e ela lá.
Sonharia com satanás se pudesse escolher.

Acordei de novo.
E de novo.
E de.novo.
Puta! Olha a hora!
Essa menina deveria estar dormindo!

Dormi e lá estava ela, rindo da minha cara.
Quatro e meia da manhã tomei uma atitude.
Voltei a dormir.
Rezei pra que a mãe daquela criatura levasse ela pro balé e não pra yoga.
Que ela não estivesse mais ali.

Mas estava.
E eu puxei tanto o cabelo daquela filhadaputa!
E ensinei ao isaac golpes pela últimas vez usados durante o meu período de gordinha sobrevivendo aos primos mais velhos.
Última vez usados na imaginação da gordinha filha da professora sobrevivendo aos coleguinhas da escola.
E, de sonho, fiz o novo roteiro do Tarantino.

Dormi?
Lógico que não!
Depois do alívio virtual vem uma culpa, menina....
Uma culpa.

....

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Nocautes

Sabe a Ronda?
Mas não aquela Ronda. Dos áureos tempos.
To falando da atual.
A do último UFC do ano?!?! Sabe?!?
Então.
To fazendo cosplay de Ronda.
Nao tenho me enfiado em briga e arte marcial não faz meu gênero.
Acontece que tenho um filho de oito anos.
Menino.
DNA estabanado.
E a realidade se tornou outra.
Sabe aquela corridinha que seu bebê dava em sua direção e te fazia o ser mais feliz e completo de todos os mundos?!?!
Vixi... ficou ali, de lado, junto com as unhas do meu dedinho do pé.
A tal corridinha continua terminando num abraço. Mas entre a corridinha e o abraço temos aí posso, uma trombada, um soco acidental nos peitos é uma cabeçada no queixo.
Puxões de cabelo acidentais. Fato.
Peça de lego no olho. Quase sempre.
Chute na boca durante as brincadeiras no sofá? Opa!
E se for dia de cama compartilhada então.... não consigo nem explicar os golpes.
Tudo fruto do mais puro amor e carinho.
Mas a regra é clara, Arnaldo.
Pediu desculpa, viu como estão os feridos, tudo começa de novo.

domingo, 22 de maio de 2016

Vídeo game, network e realidade

Sim, cara colega,
Abraça aqui se seu filho já entrou pro clubinho dos loucos por vídeo games.
(não que eu também não seja sócia, mas no filho da gente sempre dói mais, né?)
Mas peraí!
Que clubinho?!?!

Se você então agora faz parte de outro grupo, vem comigo, daquela época em que a gente tinha clubinhos com pessoas de verdade, se encontrava, pedia pra mãe pra fazer um telefonema, inventava código, peça de teatro e até jogava vídeo game... Abraça mais forte, deu saudade.

Desce Carolina e voltemos ao vídeo game versão 2.0.

Acontece que eu ando implicando com essa realidade atual.
Isaac adora jogar.
Limitamos aos finais de semana, os quais ele espera cheio de vontade.

(que ele nunca descubra que eu e o tio dele jogávamos de madrugada, durante a semana mesmo, escondidos da vovó)

E eu vivo instigando para que ele aproveite o pequeno vício de maneira positiva.

- Isaac, que amigo seu joga Lego Marvel?

- pega dicas com ele!

- o fulano já passou dessa fase?

- destravou tal personagem?

E, na grande maioria a resposta é um não sei, daqueles com tom "afffffff" que acho que eu mesmo ensinei à cria.

Outro dia mesmo questionei - durante uma pedreira de fase cheia de objetivos inatingíveis - se o amigo não tinha dicas para dar:

- filho, o amigo não joga esse? Liga pra ele! Convida pra vir aqui jogar! Vai ser divertido.

Mas aí tomei uma facada no peito:

- ah, mãe, coloca no Google.

Não desisto né?!?

- ah, Isaac, é muito mais legal a gente conversar com os outros. Ele pode ter dicas bem legais!

Virada de olho e paciência quase no game over.

- ah! Mãe! Coloca aí no site tal que tem tudo!

Lembrando dos meus clubinhos e da sala da minha mãe cheia de meninos trocando revistas e dicas dos jogos, cai na minha própria armadilha:

- então entra aí no live, pergunta pro amigo da escola, certeza que ele tá on line.

Ele?
Me olhou de canto de olho com um sorriso irônico.
Daqueles.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Pequenas nerdices, religião e praticidade

titulo de post mais controverso não há, eu sei.
Mas é isso mesmo.
Sem preconceito algum digo que tenho um filho nerd, ou geek, sei lá.
Ainda me familiarizo com toda a nomenclatura.
No final das contas, Isaac é daquelas pessoas que curtem aquilo que o povo chama de coisa de nerd.
Troca qualquer programa por um filme da marvel, tem uma infinidade de livros sobre criaturas, se interessa mais pelo C3PO do que por mim, tem dias, confesso.

Enfim,
Acontece que depois que apresentamos Marty McFly e Doc ao pequeno, ele arruma uma maneira de enfiar o Delorean onde consegue.
Explico.

Viagens no tempo, comparações com o passado, previsões pro futuro, experiências e imaginação a mil.
Coisa de criança e mãe de criança.
A gente se entrega.
Brinca, curte, tira e volta os pés no chão.
Como se deve.

E aí, que outro dia, Isaac - que diga-se de passagem está formando suas ideias sobre religião - suspira, e expõe a ideia:

- mãe, eu acredito que Jesus já sabe tudo o que vai acontecer com a gente.

- é filho? Vc quer saber no que eu acredito?

- lógico!

(Adolescência, não nos roube isso, poooooor favor)

- acredito que Jesus e o papai dele tem algo planejado pra gente sim, mas eles nos deram um poder.

- mutante?

- mais ou menos. Eles nos deram o poder de escolher.

- só?????

- então, só. Mas olha, a gente aprende muitas coisas, o que é certo e o que é errado, mas muitas vezes fazemos o errado.

- como assim?

- hummmm... Acho que quase todo mundo sabe que fumar faz mal, certo? Mas mesmo assim tem gente que vai lá, compra o cigarro e fuma.

- Jesus ensinou que fumar faz mal?

- de certa forma, ensinou que a gente deve cuidar da nossa saúde.

- aaaa... Mas ele sabe do nosso futuro.

- sabe?

- saaaabe. E a cabeça de Jesus é tipo um Delorean da nossa vida.

Explodi de orgulho, gente, explodi.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

as sete (e muitas mais) faces do ser humano de sete anos

Esse é um apanhado do todo dia lá em casa.
De como é ser mãe, amiga, colega de quarto, de brincadeira, de zueira e de briga.
Esse é um tanto do Isaac, e de mim, pq não?!?!

O educado:
Assiste indignado o narrador de um canal infantil que usa a frase "sai da frente" para anunciar o desenho que vai começar.
- nossa! que moço mais mal educado? Ele não sabe que se diz "da licença"?

O consciente
Assusta ao ver a máquina de lavar roupa completando um dos seus ciclos.
- mãe!!!! Você sabe bem que está acabando com a água do planeta, né?

O fofo possessivo
Me abraça forte e repete um milhão de vezes:
- vc é minha mãe, minha mãe, minha mãe, só minha, minha minha.

Só que não
Me olha bem nos olhos e metralha:
- sai, sai, você atrapalha minha brincadeira.

O saudável
Abre o saquinho de mini pizzas e fica horrorizado:
- você tá de brincadeira né? Cadê tomate? Isso aqui é só um pãozinho redondo com queijo!

O carente
- vc não me ama! O iron não me ama! Ninguém me ama!!!! Como é que alguém vive assim?

O nerd
- mãe, mae, acorda!
- hummmmm
- mãe, acorda! É sério!
- oi filho.
- como é mesmo a música do darth vader?

O controverso
- posso escolher? Então eu quero pizza de brócolis com rúcula.
- só isso?
- só. Mas não esquece do bacon.

O safadinho
- ai To cansado.
- muito?
- ai ai ai ai (bem tipo maria do bairro)
- mas tá com dor também?
- ai ai ai ai ai (bem tipo marimar)
- onde?
- ai, aqui ó, nos pés.
- aqui?
- é. Aproveita e faz uma massagem.

O polêmico
- Isaac? Quem vc acha que manda em casa?
- a mamãe, ela manda em tudo aqui.

O sedentário
- vamos! Vamos pedalar!
- aaaaaaaaa....
- vamos Isaac! Faz bem pra sua saúde! E é super divertido!
- divertido? Onde é divertido fazer força e ficar com dor nas pernas?

O negociante
- Ok. Vamos combinar. Você pedala x minutos e ganha x minutos de jogo no tablet.
- tá, mas se eu pedalar mais eu vou poder jogar de graça?

O bagre ensaboado
- mãe, eu fiquei na cor amarela hoje na escola (todo miando).
- a é? E o que houve?
- olha, me escuta primeiro, eu não sabia que conversar enquanto um outro amigo estava apresentando seu trabalho era sinal que eu não gostava dele.
- mesmo assim, a professora está certa. Não é legal atrapalhar o colega.
- é, mas eu gosto dele! (Faz a vítima)
- sei.
- mas eu gosto de conversar tbm, oras. Ela não entende?????

O dramático
- vamos filho! Já já vc tem pilates!
- pilates????? (Lagrimazinha no canto)
- sim, pilates.
- pq? Pq? Pq???????

O prático
- vamos! Vc tem que terminar todos os exercícios. Depois vc escolhe o que fazer.
- sério?
- sério.
- é isso. Vc não me ama mais.

O docinho de coco da mamãe.
- e aí Isaac? Tudo lindo na escola?
- tudo, mas faltou uma coisa.
- o que?
- vc, mãe, faltou vc.

O surreal
- vem aqui mãe! Deita e levanta a blusa!
- pra quê meu filho????
- vou tirar a tampa do seu umbigo e me enfiar aí de novo.

O impaciente
- calma Isaac. Precisa ter paciência.
- paciência? Pra que serve paciência?
E antes de eu concluir um movimento respiratório completo...
- pra que serve? Pra quê? Pra que serve? Hein? A paciência? Ela serve pra que? Oi? Quem precisa de paciência? Que paciência? Hein? Manhê? Vc tem paciência? Que paciência? Pra quê?

O saudoso-canibal
- mãe, eu estou com tanta saudade que engolia você e guardava aqui dentro.

O canibal-canibal
- estou com fome. Mas tanta fome! Vem cá!
(E faz aquele mundaréu de onomatopeias fingindo que está me mastigando)

O brontossauro
- mãe! Eu não comi lanche na escola hoje. Agora, se eu pudesse comia uma árvore. Mas aquela árvore gigante, lá da avenida, aquela enorme. Bem alta.

Na TPA (tensão pré-alguma coisa que ainda não descobri)
-humpf....
- tudo bem filho?
- afffffffuuuuu....
- Isaac?
Ele me olha torto, bem torto, levanta e vai até o lugar mais longe que consegue, se enfia num gibi e só sai quando está morrendo de fome.

O super sincero
- mãe, não vá se ofender, mas, com essas unhas compridas, vc está parecendo uma BRUXA.
Ao ver minha decepção ele manda:
- ué, eu tinha que falar. Tinha!






terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Três minutos



Achei interessante ser esse o primeiro post do ano.

(Tenho sido uma blogueira sem vergonha e não nego)

Acontece que a gente, por mais insano que pareça, quer mesmo é a bendita da felicidade.
Quer ser feliz.
Quer o filho feliz.
Marido, cunhadas, sogro, sogra, pais, país, universo. Tudo na plena felicidade.
Impossível?
Sei que é.
Mas não custa tentar.

Acontece que eu, ser reclamão, porém chegado numa gargalhada bem dada, tenho sofrido muito com a ranhetice do Isaac.

Ele é lindo, saudável, vive bem, escola legal, pais que o amam, dentes sendo alinhados pelo aparelho, mas risada zero.

É difícil tirar um sorrisinho do danado.
Ele é emburrado de natureza.
Não vê graça.
Gargalhada é coisa rara.

Enfim, estava eu outro dia, só com meus botões, me entregando as músicas, como de costume, tive uma ideia.

Vou fazer três minutos.
Três. Só três.
Começo sozinha, tenho certeza, mas sei que ele vai se render.

E como quem não queria nada, coloquei a música mais dançante e pulante da playlist e me joguei nos movimentos.
Dancei como se Ana Botafogo fosse (tivesse tido um ataque).
Dancei feito clipe dos anos 80.
Moves like jagger, Jackson, travolta.
Pelos três minutos e poucos da música eu ri de mim, rodopiei e girei.
Cantei alto.

E quando me dei conta havia um serzinho loiro de olhar reprovador parado na porta da sala.
Não sabia se ria, chorava ou ligava pro conselho tutelar.

Estava achando aquilo tudo um absurdo gigantesco.
Vergonha da mãe que tem.
Branco, apoiado na parede como se tivesse 60 anos.

Eu só parei a hora que a música terminou.
Olhei bem nos olhos dele, toda descabelada, e propus que ele também tivesse aqueles três minutos.

Estendi a mão, tentei brincadeira, chamei.
E ele:
- eu, hein?????

Nota pra mim mesma e pra vc, Isaac do futuro: nunca se permita desperdiçar oportunidades de ser feliz, mesmo que sejam os três minutos mais bobos ever. Sempre vale a pena.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

esse velho aí não existe

das loucuras dessa vida, a maior - creio eu - é esquecer que o tempo passa, e junto com ele a inocência e as gracinhas infantis.
isaac ainda é criança. sim. sim.
mas não é mais um bebezinho.
nem um menininho fácil de enganar.

acontece que no começo do mês ele veio falando sobre os presentes de natal.
e eu, toda desatualizada, perguntei sobre a cartinha que ele escreveria ao noel.
e tomei, claro:

- eu sei que não é ele que traz os presentes.

ploft!
momento drama da mamãe.
aquele mimimi todo que vocês já conhecem.
logo pensei que com sete anos eu já tinha mandado o bom velhinho à merda.
então, tudo bem.

bom,
e como vocês tbm me conhecem, eu não deixei quieto:

- e quem é que traz os presentes, isaac?

- uma pessoa vestida de papai noel, ué.

- uma pessoa qualquer?

- é. um desconhecido.

- alguém que não te conhece?

- é.

- e traz um presentaço pra vc no natal?

- é.

ploft!
momento mãe lokalokaloka.
pensei em cooooooomo meu delllllssss!!!! essa criança, nesse mundo louco, cheio de perigos, poderia i-ma-gi-nar que um estranho pode ser legal a ponto de dar um presente pedido e aguardado durante o ano toooodoooooo??????
bora destruir esse conceito aí, minha gente.

bom,
não sei se fiz certo. não se se deveria, mas cortei aí.
expliquei com calma, com amor e paciência... fui conversando até ele mesmo chegar a conclusão de quem, na real dava os presentes a ele.

senti sim a decepção.
fui olhada daquela maneira que arrepia, sabe?
daquele jeito "sua velha cruel, mentiu pra mim durante tooodos esses anos????".

mas ó, passou.
mas passou assim:

- mãe, então se antes eu ganhava um presente do papai noel e um de você e do papai.... agora vocês vão me dar DOIS presentes?????

né?

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

as voltas que o mundo dá, o feminismo e a doce arte de educar uma criança...

título longo, eu sei...
mas não consegui resumir, nem pensar em um melhor.
mas vamos lá... organizar as ideias.

acontece que aos sete anos eu ia sozinha ao supermercado.
com a mesma idade eu já era capaz de deixar louça lavada, cozinha arrumada e tarefa feita.
já lia e escrevia meus livros, fazia capa e tudo.
ia pra escola a pé sem reclamar.
já sabia que ônibus tomar, contar os dinheiros e solicitar o troco caso faltasse.

certeza.
a geração antes da nossa não estava a fim de criar bundões.
seja lá por qual motivo, a educação a base do olhar de repreensão, das ocasionais chineladas e dos temidos "vai lá no meu armário e pega a cinta", funcionou.
bom, pelo menos pra mim.

mas acontece também que o tempo passa, as cabeças pensantes e influentes se transformam, a tecnologia avança e penso eu agora que virei bundona.
em algum momento, com algum sentido, me perdi na coisa toda.

hoje sou eu quem cria um filho de sete anos.
que reclama para ajudar em tarefas simples do cotidiano.
que nem imagina uma realidade onde ele lave o próprio copo.
vá lá limpa a própria buzanfa sem achar aquilo um absurdo.

e eu fico me perguntando em que momento da vida a coisa desandou...
como é que eu não segui com os ensinamentos passados pela minha vozinha e depois minha mãe.
que tipo de ser eu acho que vou deixar pro mundo.
um bundão feliz?
um egoísta?
um infeliz de tão feliz?
uma daquelas criaturas que se frustram por ter que colaborar?

mas mesmo me fazendo uma infinidade de perguntas eu não desisto.
é lógico ser mais fácil ir lá pegar o copo, dar dois passos e colocar na pia do que desfiar um sermão sobre a contribuição e convívio em sociedade, mas eu não me poupo.
falo sobre a vida, sobre tudo o que significa ter a atitude de pegar o copo que usou e levar até a pia.
o copo, o prato, os talheres e o guardanapo, que deve ser jogado no lixo reciclável.

ainda tem o tênis, a mochila, os brinquedos.
os horários e compromissos.
o banho sem demora, a roupa limpa, a suja, a cueca longe do chão.
enfim, as responsabilidades.
que já existem sim, e eu não as ignoro.
não deixo que isaac esqueça também.
oras.

eu não esquecia.
e olha que tinha sete anos.
ai de mim se precisasse de supervisão adulta para as responsabilidades que faziam meus dias na época.
eu mesmo me cobrava em ajudar, já que minha mãe trabalhava o dia todo... nem passava pela minha cabeça dar mais trabalho a ela.

não quero viver de extremos.
não quero ser igual a minha mãe.
mas também não quero ser tão diferente assim.
quero mais é que o mundo dê voltas e voltas e volte de novo, pois acho que assim também se aprende.

e como é que pensei nesse texto?
olhei meus cintos no armário esse final de semana e gelei ao pensar se todas aquelas taxas e fivelas enormes morassem no armário da minha mãe em 1986.

...



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

da mãe que pensa, sofre, senta, chora e levanta, dança, grita, ri, vira cambalhota.

pois é.
ser mãe é ser bipolar.
ou tripolar.
ou quadripolar.

tenho aprendido no todo dia.
e mais importante, estou - aos poucos, diga-se bem - conseguindo lidar com tudo isso.

sim.
corro o risco de ser só comigo.
de a bipolar mesmo ser eu, não a maternidade.

só que acontece que eu comecei a chamar a maternidade de montanha russa desde que me vi grávida.
então, tenho pra mim que é tudo um conjunto.

e eu não falo de bipolaridade com preconceito.
falo pq eu tenho me analisado e, numa tarde, eu consigo ir de música clássica a heavy metal sem nem perceber.

explodo de raiva ao mesmo tempo que me encolho ao mesmo tempo que explodo de orgulho pelos feitos do isaac.
choro ao mesmo tempo que rio ao mesmo tempo que dou bronca ao mesmo tempo que dou cambalhotas.

desenho animado, cara amiga?
não.
eu, sendo eu mesma, sendo a mãe em que me desenvolvo.

lógico que eu inflo a loucura toda aqui pra dar graça.
mas é assim que me vejo.

semana passada saí correndo da sala e me tranquei no banheiro para derrubar duas lágrimas.
sim, choro na frente do isaac sim, ele tem uma mãe humana e sabe disso.
mas eu corri pro banheiro pq eu não ia saber explicar o motivo das duas lágrimas.
então me tranquei mesmo pq na hora me pareceu mais fácil.

aí, veja você, esta madrugada tive uma revelação.
estar entregue a todos os sentimentos ao mesmo tempo é quase que uma exigência nesse ramo.
o de criar filhos.
um plus curricular.
explico.
melhor, pensa na cena:
você lá, com a cria, toda trabalhada na música alegre, feliz, dançante, todo mundo girando e rodando pela sala até que o menininho começa a pular no sofá.
e a festa continua.
até que o menininho lindo resolve que subir no parapeito da janela é a nova moda.
incrementada pelo salto mortal triplo direto nas almofadas.
e aí? faz o quê?
mantém a vibe?
segura aloka e finge que não viu?

ãhã.
eu não sei você, mas eu observei a primeira, a segunda, a terceira, a quarta rodada de pulos.
e em todas elas acompanhada daquela vozinha dizendo "vai dar merda, vai dar merda, vai dar merdaaaaaaaa".
ouvi a vozinha, mudei a música, sentei no chão com a mão na cabeça e dei um grito interno.
antes do externo, claro.
que saiu assim, como se fosse liberto de uma década de isolamento.

deu pra entender?
só pra completar o raciocínio... depois do grito, logico que corri pro abraço, beijei, até sorri.
mas um segundo depois estava séria, olho no olho, dissertando sobre as consequências ortopédicas de uma queda.

né?

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sete anos

Pois é, minha gente.
Isaac fez sete anos.
Ontem.
E eu não escrevi este post ontem pq não era dia.
Além do óbvio motivo de que eu queria mais era viver e reviver ao vivo todos os momentos possíveis do dia dele, eu tenho um motivo meu.

Eu conheci Isaac assim, mesmo mesmo, de fora pra dentro, no dia 26.
Como assim?
Explico.
Lógico que cheirei a cria e sorri pro meu filho assim que ele foi retirado da kitinete quentinha que dividia com todos os órgãos vitais desta que vos tecla, mas depois dormi e só fui subornar enfermeira pra ter o pequeno nos braços na madrugada, quando me recuperei da anestesia.
Ou seja, comemoro o dia de hoje tanto quanto o ontem.
E sim, Isaac nasceu de uma bem sucedida cesárea, numa limpa e esterilizada sala cirúrgica, com uma mãe feliz e amarrada pelos braços, cheinha de anestesia.
Nasceu assim, como devia e podia, diante das informações e possibilidades que eu tinha na época.
E sim, foi para o berçário hospitalar, ficou aos cuidados de gente que não era eu.
Foi assim, como devia e podia, diante das informações e possibilidades da época.

Saca?
Um dia comemoro a vida. E no outro, as minhas reflexões sobre aquele começo de semana.
Aquele começo de tudo.

Vc deve estar me perguntando: E então pq raios esse post de aniversário não é daquelas poesias melosas e sobrecarregadíssimas de amor que vc faz todos os anos?

Respondo: Como não? E tem mais amor do que ser verdadeira e celebrar o tudo que nasceu em mim naquele dia 26?
E com mais amor ainda, já inicio neste espaço aqui tudo o que Isaac vai ouvir um dia, toda a briga do natural versus o cirúrgico, do humano versus o desumano, do certo versus o errado, do menos versus o mais.
Do radicalismo que mora em todos os lados, em todas as conversas, em todas as esferas.
E tenho cá pra mim, que o amor que tenho pelo meu filho, também me permite explicar como isso atrapalha, diminui, anula e cancela.

Puxa! E como um post de aniversário, transbordando de amor virou isso?
Bom,
prometi a mim mesma que este texto em especial não teria rascunho.
Seria um cuspe bem cuspido no monitor. Sem lencinho pra limpar.
E depois que, estou sob forte influência do menininho loiro de agora sete anos que me chama de mamãe.
Isaac, hoje, é um ser completo.
Lógico que nas proporções que lhe cabem, mas ele vive na realidade.
Logico que durante os momentos em que feiticeiros, dinossauros e super heróis não estão em alguma aventura.
Isaac conversa com a gente de maneira que eu demorei muito pra fazer com os meus pais.
Isaac mudou e anda de cabeça erguida, defende seu ponto de vista, sorri e abana a mão pros amigos.
Isaac lê, escreve, soma, subtrai e multiplica.
Além das contas matemáticas, mais um monte de outras coisas que só vai entender quando passar dos um metro e meio de altura, acredito.
Ele é uma pessoa teimosa e implacável quando quer ser.
E fala o que tem vontade.
E se sabe que é coisa forte, apenas alivia começando com a frase com "não se ofenda, mas....".

Eu não poderia desejar outra coisa a ele. Que não seja continuar assim.
Verdadeiro e complexo.
Teimoso e sedento por aprender tudo o que puder.

Aos sete.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nave Mãe

ser mãe.
tarefinha delícia porém cheia de vírgulas.
satisfação plena porém repletas de tempestades de cuspe.
um ensinar e aprender infinito.
ok.
sabemos.

e estava eu outro dia conversando com isaac sobre a vida.
jogo bem a real.
digo que ela não é fácil.
que se a gente não ter paciência a gente sofre.
que egoísmo é uma arma que usamos contra nós mesmos.
que gentilezas são necessárias para quem escolhe viver em sociedade.
e que, principalmente, ouvir os pais é importantíssimo.

tá.

ele logo pergunta se estou dando bronca.
digo que não.
mas que as vezes a gente precisa ter umas conversas mais sérias.
que eu preciso muito ensinar para ele algumas maneiras de se virar com o mundo.
de crescer num caminho legal.
que vou contando como aprendi pra ele mesmo saber o que fazer.

ãhã.

ele logo muda o assunto para video games, peças de montar e filmes de ação.

ok, vamos juntos, passo a passo.

e ele logo questiona sobre a palavra mãe estar tão presente em tudo.
a língua-mãe. explico.
a placa-mãe do computador. explico.
ele pergunta, pergunta, pergunta.
e eu, toda tonta, falo sobre a nave mãe.
a do jogo eletrônico querido.

- a nave mãe é aquela que protege as outras naves menores.

- nããããão, mãe. não, né?

- não??? então o que ela faz?

- a nave mãe é aquela que QUER controlar tudo.

(e me olhou com aquela cara de "e não controla bosta nenhuma")

ok.
mudança de comportamento! ATIVAR!!!!!

terça-feira, 14 de julho de 2015

as lições de uma mãe que não é a loira do tchan

aaaa.... as férias.
isaac entrou de férias na penúltima sexta-feira.
somemos então, são 11 dias de férias.
e eu tô rebolando, viu, gente?!
trabalho, casa, família, cachorro, papagaio, periquito and filho de férias.
vamos nos ajeitando.
mas longe do desespero que já tive em várias outras ocasiões, esse ano resolvi encarar assim:
isaac já tem seis anos.
sabe muito bem que a mãe trabalha.
e sabe que a mãe não tem férias.
em nenhuma de suas funções.
logo, sentei com ele na semana antes de tudo começar, e expliquei que seria assim.
que eu ia fazer o possível para que os dias fossem felizes e divertidos, mas que ele teria que ter paciência pelas manhãs, enquanto eu daria atenção ao trabalho.
e que alguns dias ele iria passar duas horinhas comigo na rádio.
ou ia ter que ir comigo ao supermercado.
expliquei que tinha coisas que não tinha como cancelar.
ele entendeu.
é lógico que resmungou, fez manha, mas tem entendido muito bem.
então ele dorme até não aguentar mais de manhã enquanto eu organizo o dia da casa e adianto o noticiário.
se vem comigo pra radio, já vem com kit sobrevivência a momentos chatos.
mesmo assim, tem sido um baita (e feliz) parceiro de estúdio. escolhe as músicas, ouve das notícias as palavras que lhe interessam, uma graça.
e a tarde, como de costume, sou dele.
tenho rebolado pra achar o que fazer, amigo pra chamar, tudo.
mas o mais importante é que, nsstas férias, estamos nos ensinando uma lição das mais importantes:
(atenção! foi o que aprendi esse ano, nessas férias, aliás, nesse início de férias)
que, em alguns casos - principalmente se vc não for a loira do tchan ou fã de passinho - rebolar tanto pode não ser uma boa.
eu aprendi que, as vezes, é importante ouvir o vento, sentir o sol, passar hora brincando de não deixar a bexiga tocar o chão.
pq, as vezes, quem rebola acaba descadeirado.

...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

a fase, a coisinha mais fofa desse mundo, a mãe louca e quase normal, fim?

pode ser que o tempo cure tudo mesmo.
pode ser que isaac tenha assustado com as minhas reações e resolvido mudar o comportamento.
pode ser que seja aquele lance de fase.
pode ser que, após minha cota de boas ações cumpridas, seres superiores tenham resolvido me dar um tempo.
pode ser que alienígenas tenham ouvido meus gritos dramáticos e tenham abduzido criaturinha que habitava neste lar.

pode ser um tudo. ou de tudo um pouco. ou tudo ao mesmo tempo agora.
maaaaas acontece que isaac agora acorda sorrindo para mim.
me abraça e diz que me ama.
me ouve.
responde quando chamo.
tá a coisinha linda da mamãe.

lógico e claro que nem tudo é 100%.
mas, levando em consideração todo o lance da personalidade, mais as liberdades de expressão e pensamento que demos ao pequeno, tá tudo lindo.

passamos o domingo tão bem, tão concordando, tão rindo juntos, que ó, tô me achando a mãe mais bacana do planeta.
e mais, aquela que tem o filho mais cuti cuti de todos.
ele ir comigo ao mercado, a padaria, ao raio que nos parta.
tudo sem resmungar.

dá medo?
sim. muito.
mas digamos que, mesmo sabendo que essa fase colorida também vai passar, vou me entregar a ela, deixar me iludir, e chorar depois.
pq, né, tô aqui pra isso.

e tô aqui também pra reconhecer que, amigas, eu tenho as minhas fases.
eu tenho meus momentos descoloridos.
ou só colorido de cores berrantes, irritantes e bravas.
e isaac me aguenta.
tem que.
então, já que somos todos feitos de beleza e feiura, doçura e amargura, tensão e leveza, vamos que vamos.

vamos até o próximo momento loucura ou próxima descoberta.

ótima semana pra nós, estável ou não.

bjo




quarta-feira, 24 de junho de 2015

muito caldo de cana passou por baixo dessa ponte...

sei que o negócio da garapa é assunto antigo.
mas acontece que eu tô nesse negócio aqui pra registrar meus aprendizados na maternidade.
e a história do caldo de cana me mostrou muita coisa.

da parte otimista é que meu filho é pessoa generosa, está super entrosado com a comunidade escolar e tem feito uma força incrível contra a sua timidez.
continuando, vi também que eu sou mãezona.
sim, tenho um monte de gente que vive falando isso.
sem me achar, sério, a maioria delas fala com espanto. daquele jeito "nunca imaginei" ou "quem te viu quem te vê".

outra coisa, é que, ao contrário a mãe que eu vinha sendo, isaac está me enfiando nos assuntos escolares também.
e levar caldo de cana pra galera me rendeu alguns bônus.
mais papo com as professoras, mais papos com a secretária da escola (que já são umas graças, registremos), mais piadas para contar pras amigas.
lógico que minha saga enlouquecida atrás da garapa perdida virou um causo daqueles.

tudo muito bom tudo muito bem.
ok.
mas também aprendi que, com toda essa cana, tenho mesmo é que ficar mais esperta.
digamos que, o próximo tema a ser estudado pela turminha do primário seja os grandes mamíferos africanos, ou aranhas venenosas, ou culinária francesa, ou interceptores de esgoto...

né?

quarta-feira, 17 de junho de 2015

a.k.a. garapa

aí vc, cara colega, que me acompanha já faz tempo, imagina como é que eu não fiquei quando isaac chega da escola ontem, mais melado que melado, dando a seguinte notícia:

- mãe, eu disse lá na minha sala, que eu vou à feira com o vovô e vou levar caldo de cana para todo mundo experimentar.

te dou, então, algumas alternativas, e vc tenta descobrir qual é que foi a minha reação:

a) gritei um PUTA MERDA! daqueles, pensando em onde é que eu ia arrumar garapa fresquinha pra adoçar 25 boquinhas;
b) amaldiçoei todo o ensino de história do brasil e seu desenvolvimento econômico baseado na cana-de-açúcar;
c) segurei o grito, sorri achando lindo ele ter lembrado do vovô, e mesmo não gostando do tal suco de cana, pensou em oferecer aos amigos;
d) já me enfiei no calendário de feiras da cidade, achei a mais próxima e tracei logística para buscar e entregar a garapa em tempo recorde para que fosse apreciada fresca pela geralzinha;
f) antes de dormir, fiz meu momento drama queen, ó vida ó céus, como é que eu ia resolver e cumprir a promessa alheia;
g) chorei tanto que nem sei pensando nas lombrigas que a falta da garapa causaria naqueles pequenos fofos, que sempre dão oizinho pra mim ou
h) dei de ombros e pensei, amanhã tem feira perto, vou lá e aproveito pra levar um tonel de garapa pra escola inteira.

para sua surpresa (lógico que não, se me conhece sabe que eu tô até aliviando nas reações), fui todas as alternativas.
e logo cedo, me despenco até a feira mais próxima, caminho toda ela, e nada de garapeiro!
nada de caldo de cana!
nada daquele motor barulhento ao lado das barracas de pastel.
zero garapa.

amanhã tem mais.
sempre tem.
beijo doce em vcs, viu?!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

sobre pensamentos e beijos

olho pro teclado.
as letras se embaralham.
o pensamento escorre por onde consegue.
eu quero escrever.
quero muito.
mas parece que os dedos, as ideias, as letras não se coordenam.
estão em desacordo hoje.
cada um com sua vontade própria.

e eu, que sou apenas a portadora deles todos, fico aqui.
tentando unir tudo.
dar sentido.
dar vazão.
rumo.

fico entre desembaralhar e embaralhar as letras do teclado.
fico a admirar o vermelho lindo que colore as minhas unhas.
fecho uma janela.
abro outra.
navego pela cidade, pela rede, pelo mundo.
navego por mim, em mim.
aqui dentro.

e só consigo me concentrar em uma única coisa
de verdade
no beijo que isaac me deu antes de ir pra escola.

coisa de mãe né?
coisa de mãe.



terça-feira, 2 de junho de 2015

e onde é que eu mando?

lá em casa a coisa tá mais ou menos assim:
eu mando
tu mandas
ele manda
nós mandamos
vós mandais
eles mandam

e ninguém manda merda alguma.

explico.

a fase é a seguinte.
isaac, com seis quase sete, está indignado com esse lance de hierarquia.
logo, já começou a questionar onde raios pode impor sua vontade sem alguém questionar, optar ou dar explicação sobre poder e querer.

ele anda achando um absurdo não ter poder sobre o próprio nariz, o quarto, a comida, o banho, enfins...
filhote quer é ter a certeza de que há alguém abaixo dele na vida.
ok.
escolhemos pela educação na base da conversa e estimulamos e muito que ele tome decisões, sinta suas pequenas responsabilidades, aprenda com as consequências que lhe cabem.
sofro em ter que tesourar sua autonomia as vezes, mas educação é coisa complicada.

já tentamos dar umas colheradas de poder a ele:

- ok, vc manda no seu quarto.
e no dia seguinte os cachorros já tinham até arrumado um lugar só deles, os livros estavam esparramados pelo chão e tinha farelo de biscoito por todo lado.

- ok, vc vai escolher o que quer jantar.
leite com rosquinhas virou prato único no menu.

- ok, onde você quer passear hoje? é vc quem manda.
pronto, passaríamos toda a eternidade em casa jogando videogame.

aí não dá, né?
aí nós tivemos que realocar isaac em seu posto de "tá, tudo bem, te respeitamos, te amamos, mas não vai dar né meu filho?".
tenho dado alguns poderes a ele, lógico. precisa.
tenho explicado bem sobre querer e poder.
do jeito que dá.
e vamos assim.
saca ontem a noite:

- isaac, vamos fazer a tarefa.
- aaaaaaaaaa.... não quero.
- sério?
- sério. a tarefa é minha e eu não quero.
- ok. vc manda.
- mando?
- sim, claro. mas amanhã vc explica para a professora, tá?

abriu o livro, sentou, leu, escreveu, desenhou, pintou, guardou na pasta, na mochila e saiu como se nem existisse.

...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Isaac, você é tão amado...

meu filho,
tenho pensado muito esses dias.
sobre o amor.
sim, sobre ele.
nas mais diversas formas.

mamãe tem estado com essa cara de cansada, filho.
não e culpa sua.
nem de ninguém.
é que adulto tem dessas coisas.
de não dormir pq quer pensar.
quer achar respostas.
ou apenas formular perguntas.

você pode achar uma bobagem grande agora.
ficar acordado olhando pro nada.
mas um dia você vai crescer e entender muita coisa.
que insônia é um fato. as vezes.
que olhar pro nada pode ser olhar pra tudo, olhar pra dentro, olhar pra fora da janela e do mundo.
que pensar é quase tudo o que somos.

mas agora é cedo.
cedo pra insônia.
cedo pra ter culpa.
cedo pra pensar em tudo.
cedo pra olhar pro nada.

agora, filho, é hora de você se sentir seguro.
seguro em nossos braços.
seguro para tomar as decisões que cabem a vc agora.
seguro para falar o que gosta, o que quer.
e também para expor seus sentimentos.

agora, isaac, é hora de entender.
entender o tamanho que o mondo tem para alguém do seu tamanho.
entender que esse mesmo mundo é horas sério, horas super divertido.
entender que tem vacina, tombo, tarefa e castigo.
mas que também há tanto doce que a gente até enjoa e não consegue comer tudo.

é hora de ter certeza,
apenas uma, acho eu.
de que você, filho, é amado.
é muito amado.
muito, mesmo e de verdade.
daqui até o infinito.


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