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domingo, 21 de maio de 2017

O cachorro do Kid Vinil

Eu tinha uma porçao de tópicos a abordar por aqui.
Faz tempo que a gente não se fala neste canal...
Faz tempo que não atualizo a história do Incrível Isaac via internet.
Por aqui tudo bem.
Criança crescendo, evoluindo.
Lindo.

Mas acontece que o Kid Vinil me resolve cantar em outra freguesia.
Que é mais interessante ser boy em outro plano.
E, nesse tempo maluco e apressado, o tic tic nervoso cantado em casa vai me render outras explicações.

Só que - se você me conhece já sabe bem onde vai dar - além do além pra onde foi Kid, temos o Cosmo.
Para! Longe de mim estabelecer aqui figuras e cenários religiosos.
Cosmo é o cachorro do Kid Vinil.
Que se já não bastasse ter uma cara de companheiro de vida, foi levado a dar adeus ao dono no velório.
E foi fotografado de todas as maneiras que eu aqui não tô sabendo lidar internamente.

Tô aqui, quieta no sofá, ligando os pontos todos.
Keith Richards, nossa schnauzer está bem debilitada devido a diabetes.
Já está completamente cega, coração fraco, alimentação restrita, medicamentos diários.
Não está fácil ser Keith.
(e antes que você me corrija, siiim, eu sei que o Keith é homem e que a Keith aqui é fêmea, mas pra mim faz todo o sentido. to-do)
E Kid era diabético.

Iron Maiden, nosso schmauzer, está velho,
Já não escuta direito, não corre mais atrás do Isaac.
Dorme o dia todo.
Enfim... a barba que era branca passou pra um amarelo senil.

E no meio disso tudo tem o Isaac.
E tem eu também tentando ser uma pessoa melhor e uma mãe mais centrada a cada dia.
Continuo viajando, como deu pra perceber com esse texto amalucado.

Enfim...
Diabetes, focinhos esbranquiçados, doenças, tempo.
Jogue tudo no liquidificador supersônico que é a cabeça de uma mãe.

É isso que dá... um desabafo desconexo de quem acha mais fácil falar sobre sexo do que sobre morte.

A seguir cenas...


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Eu tive um sonho...

Peraí!
Não dá pra chamar de sonho algo que te arrebenta a noite e não traz uma sensaçãozinha boa sequer.
Acompanha comigo.

Chego eu e Isaac a um lugar lindo, bem equipado, buscando novo professor de yoga (a nossa vai bater asas em breve - buaaaaaaaaa).
Todo mundo simpático, se ajudando, humor lindo.
Quando de repente começam a chegar pessoas conhecidas.
Todas com crianças.
Meninas, meninos, tudo com idade próxima.

O barulho peculiar infantil.
O barulho peculiar materno.
O caos instalado.

Fico na minha, ajudando a tirar uns balões do teto (oi?), quando isaac - que estava brincando, já que yoga ali, passou loooonge - surge irritado, perseguido por duas meninas.

Peço que ele respire fundo e me conte o que está acontecendo.
O silêncio peculiar do isaac.
A risadinha peculiar de quem tá sacaneando.
O olhar peculiar materno.

Fiquei esperta.
Logo vejo isaac com a mão nos olhos, é uma das meninas gargalhando.
Um soco, de direta. Muito bem dado.

O pedido de socorro peculiar infantil.
O pensamento peculiar materno.
Aquele que peculiarmente não podemos colocar em prática/

Veio a menina e deu outro soco.
E outro.
E outro.
Isaac não reagia.

Acordei num pulo!
Respiração ofegante.
Tomei um gole d'água.
Durmo de novo e ela lá.
Sonharia com satanás se pudesse escolher.

Acordei de novo.
E de novo.
E de.novo.
Puta! Olha a hora!
Essa menina deveria estar dormindo!

Dormi e lá estava ela, rindo da minha cara.
Quatro e meia da manhã tomei uma atitude.
Voltei a dormir.
Rezei pra que a mãe daquela criatura levasse ela pro balé e não pra yoga.
Que ela não estivesse mais ali.

Mas estava.
E eu puxei tanto o cabelo daquela filhadaputa!
E ensinei ao isaac golpes pela últimas vez usados durante o meu período de gordinha sobrevivendo aos primos mais velhos.
Última vez usados na imaginação da gordinha filha da professora sobrevivendo aos coleguinhas da escola.
E, de sonho, fiz o novo roteiro do Tarantino.

Dormi?
Lógico que não!
Depois do alívio virtual vem uma culpa, menina....
Uma culpa.

....

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bê u ene dê a.

faz tempo que vc que me acompanha sabe que sou boca suja.
Verbalmente despudorada.
Criação vocabular livre.
Com os benefícios e malefícios, faço o uso de certas palavras que deixam muita gente se olhos arregalados.
Incluindo meu filho - aquele garotinho de oito anos - que me repreeende a cada putamerda proferido.
Enfim...
Toda essa introdução pra falar sobre a poupança, a buzanfa, a traseira, o popô, a anca, as nádegas.
A minha?
A sua?
A nossa?
Não!
A bunda que falamos hoje é iluminada, superior e suprema.

Pausa
Acontece que ouvir assim, da boca do seu filho a palavra bunda, aqui é um evento.
Despausa

E lá vem o causo, estava eu dirigindo dia desses, isaac no banco de trás mirando a paisagem.

- olha mae! Olha a lua!

- olha a lua? Cadê?

- ali ó!

- Olha só!!!! E tá parecendo com o que essa lua hoje, isaac?

...

Silêncio.
Aquele que faz a gente morrer de curiosidade, depois de orgulho, de vergonha ou de rir internamente.


- pensando bem, mãe, a lua pode ser a bunda de Deus.

Acompanhei o raciocínio viu?!?! Pode parecer maluquice, mae acompanhei.

- a bunda de Deus?

- é.

- mas me diz, tem dia que ele tá mais tímido e mostra menos, depois mais um pouco e tem dia que tá desavergonhado e mostra tudo assim, bem cheia?????

Ele riu né?
Depois me olhou com aquela cara "essa velha não leva nada a sério" e riu mais um pouco.

....
E aí veio outro silêncio.

- se fosse, ia ser uma bunda bem feia.
S
E ficou ali, visualizando uma bundona beeeeem grande, branca e repleta de crateras.

E eu morri.
Como sempre.
De amor e de rir (internamente)

..:




domingo, 22 de maio de 2016

Vídeo game, network e realidade

Sim, cara colega,
Abraça aqui se seu filho já entrou pro clubinho dos loucos por vídeo games.
(não que eu também não seja sócia, mas no filho da gente sempre dói mais, né?)
Mas peraí!
Que clubinho?!?!

Se você então agora faz parte de outro grupo, vem comigo, daquela época em que a gente tinha clubinhos com pessoas de verdade, se encontrava, pedia pra mãe pra fazer um telefonema, inventava código, peça de teatro e até jogava vídeo game... Abraça mais forte, deu saudade.

Desce Carolina e voltemos ao vídeo game versão 2.0.

Acontece que eu ando implicando com essa realidade atual.
Isaac adora jogar.
Limitamos aos finais de semana, os quais ele espera cheio de vontade.

(que ele nunca descubra que eu e o tio dele jogávamos de madrugada, durante a semana mesmo, escondidos da vovó)

E eu vivo instigando para que ele aproveite o pequeno vício de maneira positiva.

- Isaac, que amigo seu joga Lego Marvel?

- pega dicas com ele!

- o fulano já passou dessa fase?

- destravou tal personagem?

E, na grande maioria a resposta é um não sei, daqueles com tom "afffffff" que acho que eu mesmo ensinei à cria.

Outro dia mesmo questionei - durante uma pedreira de fase cheia de objetivos inatingíveis - se o amigo não tinha dicas para dar:

- filho, o amigo não joga esse? Liga pra ele! Convida pra vir aqui jogar! Vai ser divertido.

Mas aí tomei uma facada no peito:

- ah, mãe, coloca no Google.

Não desisto né?!?

- ah, Isaac, é muito mais legal a gente conversar com os outros. Ele pode ter dicas bem legais!

Virada de olho e paciência quase no game over.

- ah! Mãe! Coloca aí no site tal que tem tudo!

Lembrando dos meus clubinhos e da sala da minha mãe cheia de meninos trocando revistas e dicas dos jogos, cai na minha própria armadilha:

- então entra aí no live, pergunta pro amigo da escola, certeza que ele tá on line.

Ele?
Me olhou de canto de olho com um sorriso irônico.
Daqueles.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Três minutos



Achei interessante ser esse o primeiro post do ano.

(Tenho sido uma blogueira sem vergonha e não nego)

Acontece que a gente, por mais insano que pareça, quer mesmo é a bendita da felicidade.
Quer ser feliz.
Quer o filho feliz.
Marido, cunhadas, sogro, sogra, pais, país, universo. Tudo na plena felicidade.
Impossível?
Sei que é.
Mas não custa tentar.

Acontece que eu, ser reclamão, porém chegado numa gargalhada bem dada, tenho sofrido muito com a ranhetice do Isaac.

Ele é lindo, saudável, vive bem, escola legal, pais que o amam, dentes sendo alinhados pelo aparelho, mas risada zero.

É difícil tirar um sorrisinho do danado.
Ele é emburrado de natureza.
Não vê graça.
Gargalhada é coisa rara.

Enfim, estava eu outro dia, só com meus botões, me entregando as músicas, como de costume, tive uma ideia.

Vou fazer três minutos.
Três. Só três.
Começo sozinha, tenho certeza, mas sei que ele vai se render.

E como quem não queria nada, coloquei a música mais dançante e pulante da playlist e me joguei nos movimentos.
Dancei como se Ana Botafogo fosse (tivesse tido um ataque).
Dancei feito clipe dos anos 80.
Moves like jagger, Jackson, travolta.
Pelos três minutos e poucos da música eu ri de mim, rodopiei e girei.
Cantei alto.

E quando me dei conta havia um serzinho loiro de olhar reprovador parado na porta da sala.
Não sabia se ria, chorava ou ligava pro conselho tutelar.

Estava achando aquilo tudo um absurdo gigantesco.
Vergonha da mãe que tem.
Branco, apoiado na parede como se tivesse 60 anos.

Eu só parei a hora que a música terminou.
Olhei bem nos olhos dele, toda descabelada, e propus que ele também tivesse aqueles três minutos.

Estendi a mão, tentei brincadeira, chamei.
E ele:
- eu, hein?????

Nota pra mim mesma e pra vc, Isaac do futuro: nunca se permita desperdiçar oportunidades de ser feliz, mesmo que sejam os três minutos mais bobos ever. Sempre vale a pena.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

esse velho aí não existe

das loucuras dessa vida, a maior - creio eu - é esquecer que o tempo passa, e junto com ele a inocência e as gracinhas infantis.
isaac ainda é criança. sim. sim.
mas não é mais um bebezinho.
nem um menininho fácil de enganar.

acontece que no começo do mês ele veio falando sobre os presentes de natal.
e eu, toda desatualizada, perguntei sobre a cartinha que ele escreveria ao noel.
e tomei, claro:

- eu sei que não é ele que traz os presentes.

ploft!
momento drama da mamãe.
aquele mimimi todo que vocês já conhecem.
logo pensei que com sete anos eu já tinha mandado o bom velhinho à merda.
então, tudo bem.

bom,
e como vocês tbm me conhecem, eu não deixei quieto:

- e quem é que traz os presentes, isaac?

- uma pessoa vestida de papai noel, ué.

- uma pessoa qualquer?

- é. um desconhecido.

- alguém que não te conhece?

- é.

- e traz um presentaço pra vc no natal?

- é.

ploft!
momento mãe lokalokaloka.
pensei em cooooooomo meu delllllssss!!!! essa criança, nesse mundo louco, cheio de perigos, poderia i-ma-gi-nar que um estranho pode ser legal a ponto de dar um presente pedido e aguardado durante o ano toooodoooooo??????
bora destruir esse conceito aí, minha gente.

bom,
não sei se fiz certo. não se se deveria, mas cortei aí.
expliquei com calma, com amor e paciência... fui conversando até ele mesmo chegar a conclusão de quem, na real dava os presentes a ele.

senti sim a decepção.
fui olhada daquela maneira que arrepia, sabe?
daquele jeito "sua velha cruel, mentiu pra mim durante tooodos esses anos????".

mas ó, passou.
mas passou assim:

- mãe, então se antes eu ganhava um presente do papai noel e um de você e do papai.... agora vocês vão me dar DOIS presentes?????

né?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

da mãe que pensa, sofre, senta, chora e levanta, dança, grita, ri, vira cambalhota.

pois é.
ser mãe é ser bipolar.
ou tripolar.
ou quadripolar.

tenho aprendido no todo dia.
e mais importante, estou - aos poucos, diga-se bem - conseguindo lidar com tudo isso.

sim.
corro o risco de ser só comigo.
de a bipolar mesmo ser eu, não a maternidade.

só que acontece que eu comecei a chamar a maternidade de montanha russa desde que me vi grávida.
então, tenho pra mim que é tudo um conjunto.

e eu não falo de bipolaridade com preconceito.
falo pq eu tenho me analisado e, numa tarde, eu consigo ir de música clássica a heavy metal sem nem perceber.

explodo de raiva ao mesmo tempo que me encolho ao mesmo tempo que explodo de orgulho pelos feitos do isaac.
choro ao mesmo tempo que rio ao mesmo tempo que dou bronca ao mesmo tempo que dou cambalhotas.

desenho animado, cara amiga?
não.
eu, sendo eu mesma, sendo a mãe em que me desenvolvo.

lógico que eu inflo a loucura toda aqui pra dar graça.
mas é assim que me vejo.

semana passada saí correndo da sala e me tranquei no banheiro para derrubar duas lágrimas.
sim, choro na frente do isaac sim, ele tem uma mãe humana e sabe disso.
mas eu corri pro banheiro pq eu não ia saber explicar o motivo das duas lágrimas.
então me tranquei mesmo pq na hora me pareceu mais fácil.

aí, veja você, esta madrugada tive uma revelação.
estar entregue a todos os sentimentos ao mesmo tempo é quase que uma exigência nesse ramo.
o de criar filhos.
um plus curricular.
explico.
melhor, pensa na cena:
você lá, com a cria, toda trabalhada na música alegre, feliz, dançante, todo mundo girando e rodando pela sala até que o menininho começa a pular no sofá.
e a festa continua.
até que o menininho lindo resolve que subir no parapeito da janela é a nova moda.
incrementada pelo salto mortal triplo direto nas almofadas.
e aí? faz o quê?
mantém a vibe?
segura aloka e finge que não viu?

ãhã.
eu não sei você, mas eu observei a primeira, a segunda, a terceira, a quarta rodada de pulos.
e em todas elas acompanhada daquela vozinha dizendo "vai dar merda, vai dar merda, vai dar merdaaaaaaaa".
ouvi a vozinha, mudei a música, sentei no chão com a mão na cabeça e dei um grito interno.
antes do externo, claro.
que saiu assim, como se fosse liberto de uma década de isolamento.

deu pra entender?
só pra completar o raciocínio... depois do grito, logico que corri pro abraço, beijei, até sorri.
mas um segundo depois estava séria, olho no olho, dissertando sobre as consequências ortopédicas de uma queda.

né?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nave Mãe

ser mãe.
tarefinha delícia porém cheia de vírgulas.
satisfação plena porém repletas de tempestades de cuspe.
um ensinar e aprender infinito.
ok.
sabemos.

e estava eu outro dia conversando com isaac sobre a vida.
jogo bem a real.
digo que ela não é fácil.
que se a gente não ter paciência a gente sofre.
que egoísmo é uma arma que usamos contra nós mesmos.
que gentilezas são necessárias para quem escolhe viver em sociedade.
e que, principalmente, ouvir os pais é importantíssimo.

tá.

ele logo pergunta se estou dando bronca.
digo que não.
mas que as vezes a gente precisa ter umas conversas mais sérias.
que eu preciso muito ensinar para ele algumas maneiras de se virar com o mundo.
de crescer num caminho legal.
que vou contando como aprendi pra ele mesmo saber o que fazer.

ãhã.

ele logo muda o assunto para video games, peças de montar e filmes de ação.

ok, vamos juntos, passo a passo.

e ele logo questiona sobre a palavra mãe estar tão presente em tudo.
a língua-mãe. explico.
a placa-mãe do computador. explico.
ele pergunta, pergunta, pergunta.
e eu, toda tonta, falo sobre a nave mãe.
a do jogo eletrônico querido.

- a nave mãe é aquela que protege as outras naves menores.

- nããããão, mãe. não, né?

- não??? então o que ela faz?

- a nave mãe é aquela que QUER controlar tudo.

(e me olhou com aquela cara de "e não controla bosta nenhuma")

ok.
mudança de comportamento! ATIVAR!!!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O dia em que o Zé Ramalho me passou uma rasteira

Sabem,
eu tenho um relacionamento ótimo com o som do meu carro.
somos amigos, somos parceiros.
conversamos, cantamos, nos divertimos juntos.
e sim.
sou aquela louca que para do seu lado no semáforo e mesmo assim continua cantando e dançando como se você alí não existisse.
eu empolgo.
e nem ligo.

bom,
acontece que dia desses estava eu toda trabalhada nas letras lindas do Zé Ramalho.
curti, boa parte do dia.
linda, feliz, cantando.

aí vou buscar isaac na escola e o Zé, lá, soltando a voz.
e eu também.
avôhai!!!
pego filhote, coloco no carro, converso sobre o dia e continuo a cantoria.
até que Zé me sacaneia, me joga pra serpente, me deixa no silêncio.
e do banco de trás escuto, com voz curiosa:

- mãe, o que é sexo????

pronto. não há cogumelo que salve esse momento.

- oi? sexo? ouviu onde filho?

- ué, você acabou de falar que sexo é assunto popular.

me imaginem alí, estabacada, caída de cara nesse chão de giz.
pensei, com aquele poder da "fração de segundos" que toda mãe tem.
analisei.
arrepiei.
mas, né?
que jeito?

- olha filho, sexo tem vários significados...

e ele alí, me encarando pelo retrovisor.

- hum?

- sexo é uma maneira de namorar que só os adultos podem fazer.

- tá bom.

e voltou pra janela, onde leu uma placa de trânsito.
achei estranho ele não questionar os "outros significados" mencionados pela doida aqui.
logo ele se vira e manda:

- mas mãe....

antes dele formular nova pergunta eu lembrei de uma amigo contando sobre a fatídica pergunta do filho e copiei, rápida no gatilho:

- e sexo também é se você é menino ou menina.

- ?????

- eu sou do sexo feminino e você é do sexo masculino.

e claro, engatinhei brincadeira pra ele esquecer do outro significado por um tempo, tipo uns OITO ou NOVE anos:

- então o Iron é de que sexo?

- macho!!!!

- e a vovó?

- Feminina?!

- sim! e o papai?

- masculino ou macho?

e lá vamos nós.



quarta-feira, 24 de junho de 2015

muito caldo de cana passou por baixo dessa ponte...

sei que o negócio da garapa é assunto antigo.
mas acontece que eu tô nesse negócio aqui pra registrar meus aprendizados na maternidade.
e a história do caldo de cana me mostrou muita coisa.

da parte otimista é que meu filho é pessoa generosa, está super entrosado com a comunidade escolar e tem feito uma força incrível contra a sua timidez.
continuando, vi também que eu sou mãezona.
sim, tenho um monte de gente que vive falando isso.
sem me achar, sério, a maioria delas fala com espanto. daquele jeito "nunca imaginei" ou "quem te viu quem te vê".

outra coisa, é que, ao contrário a mãe que eu vinha sendo, isaac está me enfiando nos assuntos escolares também.
e levar caldo de cana pra galera me rendeu alguns bônus.
mais papo com as professoras, mais papos com a secretária da escola (que já são umas graças, registremos), mais piadas para contar pras amigas.
lógico que minha saga enlouquecida atrás da garapa perdida virou um causo daqueles.

tudo muito bom tudo muito bem.
ok.
mas também aprendi que, com toda essa cana, tenho mesmo é que ficar mais esperta.
digamos que, o próximo tema a ser estudado pela turminha do primário seja os grandes mamíferos africanos, ou aranhas venenosas, ou culinária francesa, ou interceptores de esgoto...

né?

quarta-feira, 17 de junho de 2015

a.k.a. garapa

aí vc, cara colega, que me acompanha já faz tempo, imagina como é que eu não fiquei quando isaac chega da escola ontem, mais melado que melado, dando a seguinte notícia:

- mãe, eu disse lá na minha sala, que eu vou à feira com o vovô e vou levar caldo de cana para todo mundo experimentar.

te dou, então, algumas alternativas, e vc tenta descobrir qual é que foi a minha reação:

a) gritei um PUTA MERDA! daqueles, pensando em onde é que eu ia arrumar garapa fresquinha pra adoçar 25 boquinhas;
b) amaldiçoei todo o ensino de história do brasil e seu desenvolvimento econômico baseado na cana-de-açúcar;
c) segurei o grito, sorri achando lindo ele ter lembrado do vovô, e mesmo não gostando do tal suco de cana, pensou em oferecer aos amigos;
d) já me enfiei no calendário de feiras da cidade, achei a mais próxima e tracei logística para buscar e entregar a garapa em tempo recorde para que fosse apreciada fresca pela geralzinha;
f) antes de dormir, fiz meu momento drama queen, ó vida ó céus, como é que eu ia resolver e cumprir a promessa alheia;
g) chorei tanto que nem sei pensando nas lombrigas que a falta da garapa causaria naqueles pequenos fofos, que sempre dão oizinho pra mim ou
h) dei de ombros e pensei, amanhã tem feira perto, vou lá e aproveito pra levar um tonel de garapa pra escola inteira.

para sua surpresa (lógico que não, se me conhece sabe que eu tô até aliviando nas reações), fui todas as alternativas.
e logo cedo, me despenco até a feira mais próxima, caminho toda ela, e nada de garapeiro!
nada de caldo de cana!
nada daquele motor barulhento ao lado das barracas de pastel.
zero garapa.

amanhã tem mais.
sempre tem.
beijo doce em vcs, viu?!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

como assim? vai passar? ô. uma hora vai... rs

sou xereta.
sim.
um bom tanto.
mas acontece que observando essa vida, as pessoas que passam pela minha...
e digo pessoas de todas as idades, tamanhos, graus de parentesco, amizade, afinidade, ódio, irritabilidade, artista de cinema, cantor, político, gente desconhecida, conhecida, enfim... vou tirando meus aprendizados.
sou mulher, já adulta, mas tenho cá meu pezinho na adolescência, mesmo que não seja a minha.
dou risada da vida com a mesma frequência que choro por ela.
tá.
acho que todo mundo é assim, não?

e vou aprendendo mais ainda sendo mãe, né?
convivendo com mães.
antes nas rodinhas, depois pelo blog, depois internet toda, facebooks, instagrans da vida, no geral.
conviver com mães é um tratado.
você sai de cada encontro ou se sentindo uma merda ou super heroína ou as duas coisas ao mesmo tempo ou um milhão de coisas ao mesmo tempo (e boa parte delas você nem sabia que existia).
você acha que sabe, mas não sabe.
você acha que é a louca do primário e descobre que isso é normal.
você crê que está fazendo quase tudo certo e nota que está fazendo certo demais.

e uma das frases que aprendi com a maternidade é que passamos a viver a vida em fases.
não que não fosse assim antes, mas é na maternidade que você entende o processo.
e não é pq você é criatura iluminada, veja bem...
é mais pq diante do seu drama/desespero/questionamentos, sempre vem uma mais sábia e solta a máxima "fica tranquila, é uma fase, vai passar".
eu mesma já ouvi e já falei tanto isso aí que ter a conta é impossível.

e eu mesma já desacreditei de mim quando ouvi minha própria voz explicando algo do horroroso mundo maternal como uma simples fase.
sim.
fases existem e são para ser vividas.
fases são necessárias, mas...
cola aqui, amiga...
chega perto que eu vou te contar um segredinho.

tem fase que não passa, tá?

o que passa é a sua vontade de morrer diante de uma dificuldade daquelas.
o que passa é a inexperiência.
o que passa é o desespero (que se volta para outro tópico).
como também passa o seu olhar para tudo o que seu filho faz/já fez/e ainda vai fazer.

ou seja, as fases são suas.
só suas.
não do seu filho, do seu marido, do seu casamento, do tio da quitanda.

e eu percebi esses dias que as fases nos acompanham.
só que ganham dimensões muito diferentes de acordo com o seu jeito de lidar com elas.
se mate não, viu?
não é impossível, nem difícil.
aceitar as fases e deixá-las maiores ou menores é item de fábrica.
está aí em algum lugar,

então, se seu filho não pára de gritar, comer meleca, acordar de madrugada, fazer birra, te ignorar por completo, respire fundo.
entoe o mantra clichê básico de que é uma fase.
(garanto, faz parte do processo)
e se deixe transformar.
como?
quando?
vou liberar aqui outro segredinho.
(atenção, talvez seja só trocar um clichê pelo outro)
e esse aqui você pode usar e abusar:

- uma hora vai...

ótima semana pra nós!



quinta-feira, 14 de maio de 2015

o dedo do meio

já que o assunto é a falta de educação e o vocabulário impróprio...
continuemos.

o dedo médio ganhou mais um sentido em casa (aquele bem sujo) quando isaac fez um machucado no bendito dedo e saía mostrando assim, deliberadamente para a geral.

explicamos, sei lá se devíamos, mas explicamos, que aquele dedo inofensivo alí, se bem mostrado, seria arma das boas em algumas ocasiões seria um palavrão daqueles, mesmo que não falado.

e desde então, a cria acha uma graça imensa em mostrar o dedo do meio pro cachorro, pro espelho, pro passarinho, pra cadeira, enfim...

até pra mim, já peguei.
ele que não leia, mas filho de quem é até demorou.
maaaaas, ganhou sermão, lógico.
nunca mostrei o dedo pra minha santa mãezinha, muito menos para quem não o mereça.

bom,
mas acontece, né? que a vida, essa gracinha...

isaac chega em casa todo indignado:

- mãe! você acredita que a Gi (amiga da escola, fofa de tudo) não sabia que o dedo do meio é um palavrão??????

indignada fiquei eu.
meu filho se transformou na criatura que ensina coisa feia pros coleguinhas inocentes da escola.
já senti os olhares "quem será a mãe desse menino????" das mães loucas, sendentas por justiça e laranjinhas menos podres.
mais um sermão.
não.
mais uma conversa sobre o que pode e o que não pode ser compartilhado com a turminha. sobre educação e respeito,

é fácil de teclar, assim, rindo de si mesma, mas isaac está numa fase doida, onde as explicações tem que ser muuuuito bem explicadas.
toda resposta gera mais uma tonelada de perguntas.
todo assunto vira um tratado.
e eu vou aprendendo também.
aprendendo como lidar, como responder, como dar limites e principalmente, conhecendo minha capacidade em não enlouquecer ou sair gritando "jesus me ajuda!".

o dedo do meio, aliás, os dois que cabem ao isaac, continuam lá. firmes e fortes.
cheios de sentidos e significados.
cheios de gracinhas também, devo anotar,

...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

é de chocolate...

eu já escrevi aqui, reclamei, chorei, dramatizei.
encarnei o "isaac não me ama mais" de todas as maneiras possíveis.
sou boba. sei.
sou exagerada. ok.
sou lokalokaloka. na maior parte do tempo.

mas acontece que eu sou assim, e sofro do jeito que me cabe.
certo que dou risada. muita risada de mim.
inclusive agora, enquanto teclo, tem gente me olhando com olhar estranho, já que tenho um risinho constante.

quem é mãe de menino já deve ter recebido essa graça divina sentido que há sempre uma criaturinha apaixonada, suspirando por você, derretendo de tanto te amar.
não?
pois bem, isaac era assim.
era.
hoje mais me ignora do que me observava.
hoje mais bufa na minha cara do que suspirava de amores e admiração.
hoje mais fala "ôôô mããããe..." do que "mamãe!!!"
hoje.... enfim....

perdeu o interesse.
é fase.
eu sei.
e até aproveito.
sofro sim, sinto falta sim, mas é a vida.

e a vida, essa coisa, sempre me dando tapinhas na cara.
me rotulando como essa doida exagerada que mesmo sou.
explico:

isaac entra no carro e eu já esperando toda a sorte de respostas monossilábicas para as raras perguntas que faço na saída da escola.
ele me espia, faz gracinhas pelo retrovisor.
logo penso que aquele sorrisinho alí é uma armadilha.
e encaro que estarei presa nela nos próximos segundos.
ele sai do carro, me abraça e manda:

- você é minha mãe de chocolate!

- sou é? tô doce ou bronzeada?

- nãããão mããããe (só pra não perder o costume, vai), você é minha delícia.

enquanto eu ficava alí, anestesiada, pronta pro momento cataploft que há tempos não vivia, ele escancarou a banguela e foi.
foi voltar a ser o menino de seis anos, quase sete, que ignora a mãe o resto da tarde.

bjo

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Mãe Relax: Recomendo sim e digo o porquê.

Comecemos esse post com momento flashback:
Lá, quando me enfiei de nariz, cara e tudo na blogosfera materna e fiquei apaixonada pelas possibilidades que nela existiam, tive a sorte de me estabacar em alguns blogs.
O da Mari, digo, foi um deles.
Aí li, reli, pitaquei, respondi, marquei, me apaixonei.

tchururu tchururu...efeito sonoro gracinha.... pronto... Voltemos pros 2015, please.

E eu vejo alí a Mari, toda gata, toda na alegria maluca, toda rodeada de gente feliz e orgulhosa, toda trabalhada nas letrinhas e carimbinhos, toda sendo ela (a ela que conheço de texto, de foto e de miabraçaamiga).
Fico na fila, dando pulinhos, abraço, digo poucas palavras, peço foto, babo em lucas babando jujubas, paquero os olhos lindíssimos de alice, beijo de novo e saio.

Enfio dois livros na sacola e começo a ter coceira.
Coceira pra ler logo, pra saber daquilo, sentir mais perto. Sei lá.

Mas então, segundona braba, Isaac endoidecido pede tudo. Pede atenção, carinho, respostas e banho de banheira.
Ótimo, penso, encho a banheira enquanto faço a tarefa com ele, e me divido alí entre banho e janta, coisa básica.
Mas aí vejo aquela coisinha linda, com laço de fita, me esperando sobre a mesa.
Mais que rápido decido que vai dar tempo de fazer a janta já já e sentar ao lado da banheira e dar uma conferida no que a Mari tem a dizer se torna a melhor das opções.
Lembrei ainda, mais feliz, que a coordenadora da escola nos deu a seguinte dica "deixe que seu filho veja você ler"... ótimo, agora tenho um álibi.

E eu sentei, deixei o filho se divertir me molhando, jogando brinquedo em mim, ameaçando mergulhar o livro na espuma, mas me entreguei.
Logo, aquela devoradora de páginas que mora em mim ficou louca mesmo e só foi aprisionada novamente quando escuto da cria que está com fome. Puta Merda! A janta!
Faço macarrãozinho, é rápido, todo mundo ama e pronto.

Mas o livro né gente?
O livro da Mari, no final das contas, é isso.
Isso mesmo aí em cima.
Esse acumulado de pequenas cenas. Da rotina desta mãe aqui que caminha lindamente sobre o muro sem cair nem de tudo pro lado das neuras, nem de tudo pro lado dos desapegos.

Agora, amiga, se você não passou por estas linhas sem pensar em algo do tipo "essa mãedemerda vai deixar o filho sozinho morrendo afogado na banheira?" ou "como assim não tem janta pra essa criança?" ou "não tem janta e ainda vai sentar pra ler?", aí digo, o livro da Mari, pra você, pode ser caso para prescrição médica.

bjos em vocês e bjo em você, viu Dona Mari, continuo fã.



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quarta-feira, 8 de abril de 2015

eu sou aquela mãe chata que achei que nunca seria

essa noite não dormi.
insônia.
soma-se uma gripe estranha, filho e marido também doentes e uma cabeça com síndrome-do-tenho-que-resolver-tudo-agora-senão-o-mundo-acaba.
essa sou eu.

e então que qualquer frase lida, video assistido, comida digerida, me lembram algo em que eu deveria estar pensando, ou me aperfeiçoando, ou me corrigindo, ou enfim....

gente louca.
sim, sou.

mas voltando a essa noite...
eu cheguei a uma conclusão dolorida.
me transformei num monstro horrível, descontrolado, sem paciência e - o pior de tudo - sem graça.

não é drama.
(sim, é, mas finge que não e me abraça)
não é culpa.
(sim, é, sempre é, mas a gente acha que já se libertou)
não é culpa da falta de sono.
(pode ser, um pouco)

mas parei pra pensar no dia e não lembrei em momento divertido, animado, nada.
só lembrei da louca dos horários, das regras, das obrigações.
soltei grito interno, pq né? de madrugada não dá pra extravasar assim.

me odiei muito.
me prometi mudança.
pelo meu bem e do meu filho.
e agora escrevo com um aperto no peito.
uma raiva gigantesca.
uma vontade enorme de rebobinar a fita.
de reescrever essa história.
de sentar e chorar.

sei que pode ser exagero, sei que não pode ser tudo assim assim...
mas no caminho que esrtá, não dá pra ficar.
mudemos.
mudemos e oremos.

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

sim, seria.



seria infinitamente bacana se isaac aprendesse a se banhar, trocar, comer sozinho com a mesma destreza que aprendeu a arrotar em volume mais que alto, subir na janela, pular no sofá, escalar as portas de armário e trepar na pia do banheiro...

sim seria...

suspiros.

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nota para mim:


Isaac entrou nesta semana naquela fase fofa de querer ser astronauta.

Aproveite e viaje com ele pro planeta que for.

Verde, amarelo, azul ou cheio de monstros.

Só viaje.

(sei que vou me agradecer)

aviso: Esta nota pode ser aproveitada por você e por aquela sua amiga, prima, vizinha...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Bendita Palmilha!

Isaac, coitadinho, nasceu com o pé chato.
De tudo que podia herdar, herdou a pisada torta.
E desde o ano passado ele usa a tal palmilha ortopédica.
No começo fiquei ultra feliz por terem abolido da face terrestre aquelas botinas duras, com sola de madeira, que euzinha tive que usar na infância.
Era horrível, era medonha, era pesada, era uma arma ultra secreta contra as canelinhas inimigas do jardim da infância.
Enfim, voltemos a palmilha, que o que interessa neste blog é falar do filho, né? E do pé chato dele.
Bom, mas acontece que a tecnologia aqui, não é lá tão amiga.
A palmilha não é de madeira, não é medonha, não é arma que nada, maaaaaaassssss...
Não entra em p~#*@ de sapato algum!!!!!
Explico.
Pela curva do pé chato do Isaac, a palmilha tem que ter um lado mais alto.
A primeira que fizemos, depois de uma longa caminhada enfiando e desenfiando a bendita em inúmeros modelos e marcas diferentes, vendo filho estressar e gritar ao ver uma loja de calçados, conseguimos sucesso com uma botinha de uma única marca, a qual, na cidade inteira, havia o único par que comprei.
Acontece que a botinha é até bonita, mas é quente.
Quente assim, pra usar no Alasca.
E chegado o calor, aposentamos botinha, palmilha e o que mais lembrasse aquilo tudo.
Começo de ano, retomemos rotina, lá vamos nós no ortopedista.
Nova palmilha receitada, dei eu ao médico minha demostração master de mãe neurótica, sofredora e militante contra as botinhas quentes e as palmilhas que não se enfiam em lugar algum.
(enfiariam sim, em algum orifício do doutor, caso ele falasse que eu não tinha escolha)
Ortopedista deu risadinha e então, como se fosse a coisa mais natural desse mundo, receitou uma de "baixo perfil".
Assim, como se fosse a solução de todos os problemas desse mundão...
Ontem, então, toda meninona, fui buscar a tal palmilha que pensei eu caberia até em sandália havaiana.
Mentira!
O c@$%&*!
Passei o resto da tarde com Isaac debaixo de um braço e o par de palmilhas do outro, procurando um modelo de tênis que comportasse a bendita palmilha mais o pé do meu filho.
A grande m#$%d@ é que nem a indústria calçadista nem a medicina ortopédica estão preparadas para a P~##@ de um problema de pé chato que faz parte dos anais da medicina desde os anos 70.
Não, cara colega, não existe tênis, sandália, sapatênis, bota, cano alto, cano baixo, com cadarço ou sem que resolvam tal questão.
Zero. Nulo.
Aí você, no meio da busca louca, se encontra com vendedoras que tem a coragem de olhar nos olhos e falar   que dois números maiores ajudariam.
Você, em grau master de cansaço, já imaginando as palmilhas azuis rodopiando numa viagem descarga abaixo, aceita a sugestão e vê seu filho tropeçando e perdendo o tênis no meio da loja, porque né? dois números a mais, certeza que ia sair do pé... ainda ouve a lindinha dizer que "é assim mesmo, depois eles acostumam".
Acabei, eu mesma me atendendo numa dessas lojas grandes de material esportivo, aquela com nome de personagem mitológico que é metade gente metade cavalo (porque, né? vamos combinar que eles são demais, são tudo o que preciso e não precisam me atender direito nunca nunca NUNCA - fica o protesto porque o atendimento deles lá é que rodopiou na descarga, não desceu e foi parar tudo no shopping aqui da city), e achei um modelinho assim, não gostei muito mas não tem tu vai tu mesmo.... tá grande mas tá valendo... paguei uma nota e vamos que vamos readaptar o filho na função ortopédica toda.
#prontofalei
e
#aiquesaudadedabotinha

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terça-feira, 26 de março de 2013

Gentileza

Sabe aquela fase?
Qual delas? Pergunta a já calejada mãe de um menininho observador de 4 anos.

Pois então vou contar um causo:

Saí toda atarantada para entregar uma encomenda constituída por 35 frasquinhos de vidro.
Repousei a caixa repleta de frasquinhos, prontos, lindamente embalados, no banco da frente do carro.
Eis que surge a coisa mais linda desse mundo e se enfia no carro pisoteando no banco.
Isso, no banco onde repousava a caixa, que guardava os frágeis frasquinhos.
Peço uma, duas, dez vezes e nada.
O menino loiro só me olhava de rabo de olho e alí persistia.
Encarno a educadora errante e, no medo da merda feita, puxo a cria pela camiseta.
De quebra ele ganha um beliscão no meio das costas.
Pele e camiseta vieram as duas juntas no meio do pacote do desespero materno.
Ele emburra, acha um absurdo.
Eu, toda cheia de culpa, prefiro não mexer muito pra não feder, enfio menininho emburrado no carro e saio.
No meio da caminho dessa graça de vida havia uma outra figura.
Velhinho, cabeça branca, bengala em punho, tentando atravessar rua movimentada.
Fiz o que meu coração e educação mandaram (alô mamãe!) e parei o trânsito.
Pus carro no meio da via, esperei senhorzinho (que nem agradeceu, buá) atravessar e segui.
Mas eu não perco a mania:

- Viu, filho?!?! Nós acabamos de fazer uma gentileza.

Ele bufa, olha pra mim como quem olha um pão embolorado, olha o senhorzinho e resmunga alguma coisa.
Não ouvi e, lógico, pedi que repetisse.
E tomei:

- Gentileza seria se você não me beliscasse. Nunca mais!

...


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