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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sedentário de carteirinha

E então que não pari o Michael Phelps.
Nem o Jordan.
Muito menos um Beckham.

Isaac é todo pensamento.
Raciocínio.
Troca qualquer brincadeira ao ar livre por um gibi.
Se vamos ao parque ele sobe no ponto mais alto do brinquedo e fica lá a observar o tempo.

E isso não é de agora não.
É item de fábrica.
Foi à natação resmungando até aprender a nadar, aí perdi os argumentos.
Judô enquanto achou engraçado, aí não havia faixa que o segurasse no esporte.
Arco e flecha, pilates, basquete, tecido circense.
Ele mostra interesse e a gente imagina que a próxima será a escolhida.
Até pode ser, mas por hora, por tempo limitado.

O negócio da criança é robótica, xadrez, lógica, videogame, livros e livros e livros e livros.

Não acho ruim não.
Acho lindo.
Mas é que a gente tem que achar um equilíbrio nisso tudo.

Atualmente Isaac escoheu o tênis.
Isso.
Raquete, bolinha e professor querido.
Vamos indo.
Tivemos período de yoga, mas como a mestre foi meditar em outro canto do mundo... damos um tempo.

Mas não pense que é uma coisa assim "yupiiiii hoje tem tênis".
Ele até vai, mas mais naquelas...
E eu sempre arrumo uma brecha pra falar do fortalecimento físico.
Metáforas, parábolas, poesias, músicas, diálogos, monólogos.
Ele sempre no jeito e no tempo dele.
E eu me encaixando, tipo uma gladiadora encarando uns leões.

Aí que no meio desses papos ele judia:

- mãe... sabe qual é o músculo mais forte de todos?

Confesso que na hora assim, só pensei em valorizar o exercício e respondi que, para um tenista, eu achava que era um músculo ligado ao ombro...
Ele me lascou aquele olhar de reprovação e de maneira bem seca querou minhas pernas fracas:

- o cérebro. LÓ-GI-CO.

...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bê u ene dê a.

faz tempo que vc que me acompanha sabe que sou boca suja.
Verbalmente despudorada.
Criação vocabular livre.
Com os benefícios e malefícios, faço o uso de certas palavras que deixam muita gente se olhos arregalados.
Incluindo meu filho - aquele garotinho de oito anos - que me repreeende a cada putamerda proferido.
Enfim...
Toda essa introdução pra falar sobre a poupança, a buzanfa, a traseira, o popô, a anca, as nádegas.
A minha?
A sua?
A nossa?
Não!
A bunda que falamos hoje é iluminada, superior e suprema.

Pausa
Acontece que ouvir assim, da boca do seu filho a palavra bunda, aqui é um evento.
Despausa

E lá vem o causo, estava eu dirigindo dia desses, isaac no banco de trás mirando a paisagem.

- olha mae! Olha a lua!

- olha a lua? Cadê?

- ali ó!

- Olha só!!!! E tá parecendo com o que essa lua hoje, isaac?

...

Silêncio.
Aquele que faz a gente morrer de curiosidade, depois de orgulho, de vergonha ou de rir internamente.


- pensando bem, mãe, a lua pode ser a bunda de Deus.

Acompanhei o raciocínio viu?!?! Pode parecer maluquice, mae acompanhei.

- a bunda de Deus?

- é.

- mas me diz, tem dia que ele tá mais tímido e mostra menos, depois mais um pouco e tem dia que tá desavergonhado e mostra tudo assim, bem cheia?????

Ele riu né?
Depois me olhou com aquela cara "essa velha não leva nada a sério" e riu mais um pouco.

....
E aí veio outro silêncio.

- se fosse, ia ser uma bunda bem feia.
S
E ficou ali, visualizando uma bundona beeeeem grande, branca e repleta de crateras.

E eu morri.
Como sempre.
De amor e de rir (internamente)

..:




quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Nocautes

Sabe a Ronda?
Mas não aquela Ronda. Dos áureos tempos.
To falando da atual.
A do último UFC do ano?!?! Sabe?!?
Então.
To fazendo cosplay de Ronda.
Nao tenho me enfiado em briga e arte marcial não faz meu gênero.
Acontece que tenho um filho de oito anos.
Menino.
DNA estabanado.
E a realidade se tornou outra.
Sabe aquela corridinha que seu bebê dava em sua direção e te fazia o ser mais feliz e completo de todos os mundos?!?!
Vixi... ficou ali, de lado, junto com as unhas do meu dedinho do pé.
A tal corridinha continua terminando num abraço. Mas entre a corridinha e o abraço temos aí posso, uma trombada, um soco acidental nos peitos é uma cabeçada no queixo.
Puxões de cabelo acidentais. Fato.
Peça de lego no olho. Quase sempre.
Chute na boca durante as brincadeiras no sofá? Opa!
E se for dia de cama compartilhada então.... não consigo nem explicar os golpes.
Tudo fruto do mais puro amor e carinho.
Mas a regra é clara, Arnaldo.
Pediu desculpa, viu como estão os feridos, tudo começa de novo.

domingo, 22 de maio de 2016

Vídeo game, network e realidade

Sim, cara colega,
Abraça aqui se seu filho já entrou pro clubinho dos loucos por vídeo games.
(não que eu também não seja sócia, mas no filho da gente sempre dói mais, né?)
Mas peraí!
Que clubinho?!?!

Se você então agora faz parte de outro grupo, vem comigo, daquela época em que a gente tinha clubinhos com pessoas de verdade, se encontrava, pedia pra mãe pra fazer um telefonema, inventava código, peça de teatro e até jogava vídeo game... Abraça mais forte, deu saudade.

Desce Carolina e voltemos ao vídeo game versão 2.0.

Acontece que eu ando implicando com essa realidade atual.
Isaac adora jogar.
Limitamos aos finais de semana, os quais ele espera cheio de vontade.

(que ele nunca descubra que eu e o tio dele jogávamos de madrugada, durante a semana mesmo, escondidos da vovó)

E eu vivo instigando para que ele aproveite o pequeno vício de maneira positiva.

- Isaac, que amigo seu joga Lego Marvel?

- pega dicas com ele!

- o fulano já passou dessa fase?

- destravou tal personagem?

E, na grande maioria a resposta é um não sei, daqueles com tom "afffffff" que acho que eu mesmo ensinei à cria.

Outro dia mesmo questionei - durante uma pedreira de fase cheia de objetivos inatingíveis - se o amigo não tinha dicas para dar:

- filho, o amigo não joga esse? Liga pra ele! Convida pra vir aqui jogar! Vai ser divertido.

Mas aí tomei uma facada no peito:

- ah, mãe, coloca no Google.

Não desisto né?!?

- ah, Isaac, é muito mais legal a gente conversar com os outros. Ele pode ter dicas bem legais!

Virada de olho e paciência quase no game over.

- ah! Mãe! Coloca aí no site tal que tem tudo!

Lembrando dos meus clubinhos e da sala da minha mãe cheia de meninos trocando revistas e dicas dos jogos, cai na minha própria armadilha:

- então entra aí no live, pergunta pro amigo da escola, certeza que ele tá on line.

Ele?
Me olhou de canto de olho com um sorriso irônico.
Daqueles.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Religião: entre game overs e reencarnação

Eu ainda não sei dizer a vocês se somos sem vergonhas ou bem abertos quando o assunto é vida-morte-força-maior.
Acontece que acreditamos em Deus, o Papai do Céu.
De diversas maneiras.
Outro dia mesmo disse em voz alta que não me sentia evoluída para evoluir em religião alguma.
E pra dormir com um barulho desse, levando em consideração todas as perguntas que cabem a um ser humano de 7 anos, não é tarefa fácil.
Mas a gente vê que a fé não costuma faiá aqui em casa quando participa da seguinte conversa:

- Mãe, esse negócio de onde a gente vai depois que morre é engraçado.

(a mãe aqui pensa pensa pensa mas não perde a mania)

- Engraçado? Pois é, Isaac, as vezes também acho. Mas como assim?

- Então, eu estava pensando aqui que a gente deveria passar por um portal onde a nossa barra de vida ficaria infinita.

- Em que momento da vida?

- Assim, depois do game over. A barra de vida ia ser infinita, com muitos corações.

PAUSA

Se seu filho ainda não se entregou aos jogos LEGO, eu te explico: cada coraçãozinho da barra aguenta umas três porradas da vida eletrônica... mas isso é mais ou menos assim desde que o mundo é mundo, então né...

DESPAUSA

- E aí? a gente ia viver no game over?

- Não! depois de um tempo a gente nascia de novo. Pode ser no "formato" de outra pessoa.

- Posso ser um animal????

- Não sei.

- E a Galinha Pintadinha? Posso???? (ele odeia quando retomo a super infância embalada aos top hits da galinácea)

- Mãe! É sério!

ploft.

(recolham os pedaços da mãe ali, que quase desintegrou com tanta maturidade)

...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

E chegou o dia

Então....
Antes eu ficava louca pensando em quando Isaac crescesse e quisesse começar a ler esses escritos aqui.
Nunca me permiti censurar.
Meu filho, vive comigo, sabe bem das coisas que faço e falo.
Certeza que ia reprovar uma montanha de coisas, se envergonhar com tantas outras.
Ok.

O tempo passou, a maternidade mudou pra mim, em mim, me mudou... esse blog aqui ficou um tanto abandonado... E tal....
E o dia chegou.

Antes de eu falar de hoje, preciso contar que sexta-feira tive conversa super produtiva com colega-pai-de-menino-de-dez-anos.
A gente falando das crias informadas e informatizadas, da tecnologia, desse mundo maluco.
E ele me disse que o filho quer ser YouTuber quando crescer (ou daqui dois anos, quem sabe).
Como toda mãe, curti horrores a conversa durante bom tempo, enquanto ela passeava pelos Meus pensamentos.

Enquanto isso, eu e Isaac Passamos o feriado montando um castelo de lego.
Lindo, enorme, cheio de criatividade e detalhes.
Hoje ele acordou agitado, contemplou o castelo, se orgulhou e deixou a coisa fluir:

- mama!!!! Tira uma foto! Foto boa hein?!?!

- Ok. Assim???

- isso. Agora coloca no Safari.

- oi?!?!

- isso mãe, na internet ó!

(Sua velhota lerda e desatualizada - dava pra ler nas entrelinhas)

- vc quer seu castelo na internet?

- sim. Na página do Google de "castelos legais".

Fiquei ali, parada, sei lá se admirando o momento sei lá se mergulhando na doideira ou chorando por dentro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

as sete (e muitas mais) faces do ser humano de sete anos

Esse é um apanhado do todo dia lá em casa.
De como é ser mãe, amiga, colega de quarto, de brincadeira, de zueira e de briga.
Esse é um tanto do Isaac, e de mim, pq não?!?!

O educado:
Assiste indignado o narrador de um canal infantil que usa a frase "sai da frente" para anunciar o desenho que vai começar.
- nossa! que moço mais mal educado? Ele não sabe que se diz "da licença"?

O consciente
Assusta ao ver a máquina de lavar roupa completando um dos seus ciclos.
- mãe!!!! Você sabe bem que está acabando com a água do planeta, né?

O fofo possessivo
Me abraça forte e repete um milhão de vezes:
- vc é minha mãe, minha mãe, minha mãe, só minha, minha minha.

Só que não
Me olha bem nos olhos e metralha:
- sai, sai, você atrapalha minha brincadeira.

O saudável
Abre o saquinho de mini pizzas e fica horrorizado:
- você tá de brincadeira né? Cadê tomate? Isso aqui é só um pãozinho redondo com queijo!

O carente
- vc não me ama! O iron não me ama! Ninguém me ama!!!! Como é que alguém vive assim?

O nerd
- mãe, mae, acorda!
- hummmmm
- mãe, acorda! É sério!
- oi filho.
- como é mesmo a música do darth vader?

O controverso
- posso escolher? Então eu quero pizza de brócolis com rúcula.
- só isso?
- só. Mas não esquece do bacon.

O safadinho
- ai To cansado.
- muito?
- ai ai ai ai (bem tipo maria do bairro)
- mas tá com dor também?
- ai ai ai ai ai (bem tipo marimar)
- onde?
- ai, aqui ó, nos pés.
- aqui?
- é. Aproveita e faz uma massagem.

O polêmico
- Isaac? Quem vc acha que manda em casa?
- a mamãe, ela manda em tudo aqui.

O sedentário
- vamos! Vamos pedalar!
- aaaaaaaaa....
- vamos Isaac! Faz bem pra sua saúde! E é super divertido!
- divertido? Onde é divertido fazer força e ficar com dor nas pernas?

O negociante
- Ok. Vamos combinar. Você pedala x minutos e ganha x minutos de jogo no tablet.
- tá, mas se eu pedalar mais eu vou poder jogar de graça?

O bagre ensaboado
- mãe, eu fiquei na cor amarela hoje na escola (todo miando).
- a é? E o que houve?
- olha, me escuta primeiro, eu não sabia que conversar enquanto um outro amigo estava apresentando seu trabalho era sinal que eu não gostava dele.
- mesmo assim, a professora está certa. Não é legal atrapalhar o colega.
- é, mas eu gosto dele! (Faz a vítima)
- sei.
- mas eu gosto de conversar tbm, oras. Ela não entende?????

O dramático
- vamos filho! Já já vc tem pilates!
- pilates????? (Lagrimazinha no canto)
- sim, pilates.
- pq? Pq? Pq???????

O prático
- vamos! Vc tem que terminar todos os exercícios. Depois vc escolhe o que fazer.
- sério?
- sério.
- é isso. Vc não me ama mais.

O docinho de coco da mamãe.
- e aí Isaac? Tudo lindo na escola?
- tudo, mas faltou uma coisa.
- o que?
- vc, mãe, faltou vc.

O surreal
- vem aqui mãe! Deita e levanta a blusa!
- pra quê meu filho????
- vou tirar a tampa do seu umbigo e me enfiar aí de novo.

O impaciente
- calma Isaac. Precisa ter paciência.
- paciência? Pra que serve paciência?
E antes de eu concluir um movimento respiratório completo...
- pra que serve? Pra quê? Pra que serve? Hein? A paciência? Ela serve pra que? Oi? Quem precisa de paciência? Que paciência? Hein? Manhê? Vc tem paciência? Que paciência? Pra quê?

O saudoso-canibal
- mãe, eu estou com tanta saudade que engolia você e guardava aqui dentro.

O canibal-canibal
- estou com fome. Mas tanta fome! Vem cá!
(E faz aquele mundaréu de onomatopeias fingindo que está me mastigando)

O brontossauro
- mãe! Eu não comi lanche na escola hoje. Agora, se eu pudesse comia uma árvore. Mas aquela árvore gigante, lá da avenida, aquela enorme. Bem alta.

Na TPA (tensão pré-alguma coisa que ainda não descobri)
-humpf....
- tudo bem filho?
- afffffffuuuuu....
- Isaac?
Ele me olha torto, bem torto, levanta e vai até o lugar mais longe que consegue, se enfia num gibi e só sai quando está morrendo de fome.

O super sincero
- mãe, não vá se ofender, mas, com essas unhas compridas, vc está parecendo uma BRUXA.
Ao ver minha decepção ele manda:
- ué, eu tinha que falar. Tinha!






terça-feira, 15 de dezembro de 2015

esse velho aí não existe

das loucuras dessa vida, a maior - creio eu - é esquecer que o tempo passa, e junto com ele a inocência e as gracinhas infantis.
isaac ainda é criança. sim. sim.
mas não é mais um bebezinho.
nem um menininho fácil de enganar.

acontece que no começo do mês ele veio falando sobre os presentes de natal.
e eu, toda desatualizada, perguntei sobre a cartinha que ele escreveria ao noel.
e tomei, claro:

- eu sei que não é ele que traz os presentes.

ploft!
momento drama da mamãe.
aquele mimimi todo que vocês já conhecem.
logo pensei que com sete anos eu já tinha mandado o bom velhinho à merda.
então, tudo bem.

bom,
e como vocês tbm me conhecem, eu não deixei quieto:

- e quem é que traz os presentes, isaac?

- uma pessoa vestida de papai noel, ué.

- uma pessoa qualquer?

- é. um desconhecido.

- alguém que não te conhece?

- é.

- e traz um presentaço pra vc no natal?

- é.

ploft!
momento mãe lokalokaloka.
pensei em cooooooomo meu delllllssss!!!! essa criança, nesse mundo louco, cheio de perigos, poderia i-ma-gi-nar que um estranho pode ser legal a ponto de dar um presente pedido e aguardado durante o ano toooodoooooo??????
bora destruir esse conceito aí, minha gente.

bom,
não sei se fiz certo. não se se deveria, mas cortei aí.
expliquei com calma, com amor e paciência... fui conversando até ele mesmo chegar a conclusão de quem, na real dava os presentes a ele.

senti sim a decepção.
fui olhada daquela maneira que arrepia, sabe?
daquele jeito "sua velha cruel, mentiu pra mim durante tooodos esses anos????".

mas ó, passou.
mas passou assim:

- mãe, então se antes eu ganhava um presente do papai noel e um de você e do papai.... agora vocês vão me dar DOIS presentes?????

né?

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

vivendo e ensinando e aprendendo (como o consumismo acontece lá em casa)

está ele lá.
isaac parado, só de cueca, em frente ao espelho:

- sabe, mãe, eu não entendo.

(antes de eu me apavorar imaginando todas as questões que envolvem um menininho de 7 anos, cuecas e espelhos, fui traída pela minha própria língua e pensamento rápidos)

- o que você não entende, isaac?

ele coloca as mãos na cintura, mira bem a cueca, o pipi, sei lá, a parte de baixo:

- esse negócio das cuecas, mãe.

(pronto. agora ele vai querer andar com o pássaro livre. só pode)

- como assim?

ele pega no pipi, bem na frente, bem menino, bem sei lá. não consigo explicar.

(e já começo a pensar num bom motivo de eu não ter mandado ele vestir logo a bermuda)

- eu não sei pq eles colocam esses desenhos de personagens na cueca.

(respondo um pouco aliviada, só que não. isaac sempre tem questões surpresa guardadas na manga)

- não sabe?

- é não sei. pq, ó, veja bem...

(iiiiii, o veja bem, me lasquei)

e deixo ele continuar, olhando firme seu reflexo no espelho.

- se a cueca fica escondida, pq é que ela tem que ser bonita ou ter o personagem. só eu que vou ver...

- entendo sua dúvida, filho... entendo.

- então, mãe, não é sem sentido????

(e lá vamos nós)

- sim, se a gente pensar dessa maneira, sim... mas eu vou te explicar um sentido mais triste.

- triste?

(só pensei nessa palavra, foi mal)

- é. triste. vc sabe pq eles colocam os personagens nas cuecas?

- não.

- pra mães bobas, como eu, irem na loja, pensarem nos seus filhos fofos, e gastarem o dobro do dinheiro num pacote de cuecas só pq há um personagem nela.

- cueca com desenho é mais cara?

- sim, amor, bem mais cara.

- e vc comprou?

(aí eu já estava jogada no chão, me achando a pior das criaturas)

- comprei, filho, pq na hora a tonta aqui só pensou em como vc curte assistir a esse desenho. e comprei.

- hummmm ...

(ponderou ele, com uma cara de pena, que deu pena de mim)

- é isso que as empresas fazem, isaac, nos enfiam produtos que não precisamos.

- como exemplo, cuecas com desenhos que ninguém vai ver.

- isso.

- ó, mãe, eu não preciso de cueca com desenho. é legal, mas tudo bem usar cuecas lisas.

(ploft! só não morri alí pq se o papo rolou eu devo estar acertando em alguma coisa)

- que bom filho, que vc entende assim.

(aí acho que ele percebeu a cara de "puta que paril! que merda! como eu pude me render as cuecas estampadas e licenciadas???? que caralho de mulher/mae/ser humano sou eu????)

- mãe, olha aqui na gaveta.... eu tenho muitas cuecas lisas. olha!

se certificou de que eu realmente estava olhando na gaveta, sorriu e saiu, correndo atrás do cachorro.

...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nave Mãe

ser mãe.
tarefinha delícia porém cheia de vírgulas.
satisfação plena porém repletas de tempestades de cuspe.
um ensinar e aprender infinito.
ok.
sabemos.

e estava eu outro dia conversando com isaac sobre a vida.
jogo bem a real.
digo que ela não é fácil.
que se a gente não ter paciência a gente sofre.
que egoísmo é uma arma que usamos contra nós mesmos.
que gentilezas são necessárias para quem escolhe viver em sociedade.
e que, principalmente, ouvir os pais é importantíssimo.

tá.

ele logo pergunta se estou dando bronca.
digo que não.
mas que as vezes a gente precisa ter umas conversas mais sérias.
que eu preciso muito ensinar para ele algumas maneiras de se virar com o mundo.
de crescer num caminho legal.
que vou contando como aprendi pra ele mesmo saber o que fazer.

ãhã.

ele logo muda o assunto para video games, peças de montar e filmes de ação.

ok, vamos juntos, passo a passo.

e ele logo questiona sobre a palavra mãe estar tão presente em tudo.
a língua-mãe. explico.
a placa-mãe do computador. explico.
ele pergunta, pergunta, pergunta.
e eu, toda tonta, falo sobre a nave mãe.
a do jogo eletrônico querido.

- a nave mãe é aquela que protege as outras naves menores.

- nããããão, mãe. não, né?

- não??? então o que ela faz?

- a nave mãe é aquela que QUER controlar tudo.

(e me olhou com aquela cara de "e não controla bosta nenhuma")

ok.
mudança de comportamento! ATIVAR!!!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O dia em que o Zé Ramalho me passou uma rasteira

Sabem,
eu tenho um relacionamento ótimo com o som do meu carro.
somos amigos, somos parceiros.
conversamos, cantamos, nos divertimos juntos.
e sim.
sou aquela louca que para do seu lado no semáforo e mesmo assim continua cantando e dançando como se você alí não existisse.
eu empolgo.
e nem ligo.

bom,
acontece que dia desses estava eu toda trabalhada nas letras lindas do Zé Ramalho.
curti, boa parte do dia.
linda, feliz, cantando.

aí vou buscar isaac na escola e o Zé, lá, soltando a voz.
e eu também.
avôhai!!!
pego filhote, coloco no carro, converso sobre o dia e continuo a cantoria.
até que Zé me sacaneia, me joga pra serpente, me deixa no silêncio.
e do banco de trás escuto, com voz curiosa:

- mãe, o que é sexo????

pronto. não há cogumelo que salve esse momento.

- oi? sexo? ouviu onde filho?

- ué, você acabou de falar que sexo é assunto popular.

me imaginem alí, estabacada, caída de cara nesse chão de giz.
pensei, com aquele poder da "fração de segundos" que toda mãe tem.
analisei.
arrepiei.
mas, né?
que jeito?

- olha filho, sexo tem vários significados...

e ele alí, me encarando pelo retrovisor.

- hum?

- sexo é uma maneira de namorar que só os adultos podem fazer.

- tá bom.

e voltou pra janela, onde leu uma placa de trânsito.
achei estranho ele não questionar os "outros significados" mencionados pela doida aqui.
logo ele se vira e manda:

- mas mãe....

antes dele formular nova pergunta eu lembrei de uma amigo contando sobre a fatídica pergunta do filho e copiei, rápida no gatilho:

- e sexo também é se você é menino ou menina.

- ?????

- eu sou do sexo feminino e você é do sexo masculino.

e claro, engatinhei brincadeira pra ele esquecer do outro significado por um tempo, tipo uns OITO ou NOVE anos:

- então o Iron é de que sexo?

- macho!!!!

- e a vovó?

- Feminina?!

- sim! e o papai?

- masculino ou macho?

e lá vamos nós.



quarta-feira, 17 de junho de 2015

a.k.a. garapa

aí vc, cara colega, que me acompanha já faz tempo, imagina como é que eu não fiquei quando isaac chega da escola ontem, mais melado que melado, dando a seguinte notícia:

- mãe, eu disse lá na minha sala, que eu vou à feira com o vovô e vou levar caldo de cana para todo mundo experimentar.

te dou, então, algumas alternativas, e vc tenta descobrir qual é que foi a minha reação:

a) gritei um PUTA MERDA! daqueles, pensando em onde é que eu ia arrumar garapa fresquinha pra adoçar 25 boquinhas;
b) amaldiçoei todo o ensino de história do brasil e seu desenvolvimento econômico baseado na cana-de-açúcar;
c) segurei o grito, sorri achando lindo ele ter lembrado do vovô, e mesmo não gostando do tal suco de cana, pensou em oferecer aos amigos;
d) já me enfiei no calendário de feiras da cidade, achei a mais próxima e tracei logística para buscar e entregar a garapa em tempo recorde para que fosse apreciada fresca pela geralzinha;
f) antes de dormir, fiz meu momento drama queen, ó vida ó céus, como é que eu ia resolver e cumprir a promessa alheia;
g) chorei tanto que nem sei pensando nas lombrigas que a falta da garapa causaria naqueles pequenos fofos, que sempre dão oizinho pra mim ou
h) dei de ombros e pensei, amanhã tem feira perto, vou lá e aproveito pra levar um tonel de garapa pra escola inteira.

para sua surpresa (lógico que não, se me conhece sabe que eu tô até aliviando nas reações), fui todas as alternativas.
e logo cedo, me despenco até a feira mais próxima, caminho toda ela, e nada de garapeiro!
nada de caldo de cana!
nada daquele motor barulhento ao lado das barracas de pastel.
zero garapa.

amanhã tem mais.
sempre tem.
beijo doce em vcs, viu?!

terça-feira, 26 de maio de 2015

sempre a mãe. a sua, a dele, a minha.

eu até achei que esse conflito fosse demorar a entrar na vida do isaac.
tá. sabe de nada inocente.
sei mesmo.
de nada.
e vou aprendendo.

e pensando bem, acho que até demorou.
explico.

há sempre uma mãe a ser xingada.
eu mesmo já perdi a conta de quantas santas senhoras já rotulei de puta, folgada e etecéteras.
a culpa é da mãe.
e a gente, na vida, tem vários exemplos.
a mãe natureza, a nave mãe (ah! essa aqui é ótimo assunto pra um próximo post, que não posso deixar passar), a mãe do juíz.
a mãe do motorista desatento, a mãe do político corrupto. essas super presentes.

bom, 
mas tô aqui pra falar de mim.
a mãe em questão.
a culpada e a ofendida.
nem tanto, mas cada um sabe o tamanho que enxerga a vida.

isaac chega em casa com um baita sapo boi entalado na garganta.
não fala.
segura o quanto pode.
e eu fico esperando.

já de noitinha ele ensaia e começa:

- aconteceu uma coisa muito ruim na escola hoje.
- posso te ajudar?
- é que o fulaninho disse que não ia a festa da fulaninha pq ele tinha horário estendido hoje.
- sim. acontece, né?
- e eu disse pra ele que você, as vezes, deixava eu sair mais cedo pra ir na festa.
- sim. a mamãe entende que dá pra fazer isso sim.
- e ele disse que você deixa por que você é uma burraaaaaabuááááábuáááááá.....

segura o riso AND o "burra é a mãe daquele pequeno filhodaputa! para já de andar com aquele merdinha!!!"

- vem aqui, filho... 

abraço forte e pergunto o que ele sentiu.

- senti muita raiva! muita!
- normal isaac, dá raiva na gente ver alguém que amamos ser ofendido assim. seu amigo está errado, não podemos xingar.... mas ó, as vezes ele estava com raiva tbm. pensa. se ele queria muito ir a festa e mãe dele não deixou... né?
- né. mas eu enfiei o lápis no braço dele.

o_O


quinta-feira, 14 de maio de 2015

o dedo do meio

já que o assunto é a falta de educação e o vocabulário impróprio...
continuemos.

o dedo médio ganhou mais um sentido em casa (aquele bem sujo) quando isaac fez um machucado no bendito dedo e saía mostrando assim, deliberadamente para a geral.

explicamos, sei lá se devíamos, mas explicamos, que aquele dedo inofensivo alí, se bem mostrado, seria arma das boas em algumas ocasiões seria um palavrão daqueles, mesmo que não falado.

e desde então, a cria acha uma graça imensa em mostrar o dedo do meio pro cachorro, pro espelho, pro passarinho, pra cadeira, enfim...

até pra mim, já peguei.
ele que não leia, mas filho de quem é até demorou.
maaaaas, ganhou sermão, lógico.
nunca mostrei o dedo pra minha santa mãezinha, muito menos para quem não o mereça.

bom,
mas acontece, né? que a vida, essa gracinha...

isaac chega em casa todo indignado:

- mãe! você acredita que a Gi (amiga da escola, fofa de tudo) não sabia que o dedo do meio é um palavrão??????

indignada fiquei eu.
meu filho se transformou na criatura que ensina coisa feia pros coleguinhas inocentes da escola.
já senti os olhares "quem será a mãe desse menino????" das mães loucas, sendentas por justiça e laranjinhas menos podres.
mais um sermão.
não.
mais uma conversa sobre o que pode e o que não pode ser compartilhado com a turminha. sobre educação e respeito,

é fácil de teclar, assim, rindo de si mesma, mas isaac está numa fase doida, onde as explicações tem que ser muuuuito bem explicadas.
toda resposta gera mais uma tonelada de perguntas.
todo assunto vira um tratado.
e eu vou aprendendo também.
aprendendo como lidar, como responder, como dar limites e principalmente, conhecendo minha capacidade em não enlouquecer ou sair gritando "jesus me ajuda!".

o dedo do meio, aliás, os dois que cabem ao isaac, continuam lá. firmes e fortes.
cheios de sentidos e significados.
cheios de gracinhas também, devo anotar,

...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

como diria Dercy...

eu sou boca suja.
sou.
sempre falei muito palavrão.
por conta da espontaneidade, da personalidade, do tudo.
mas sei que exemplo é tudo nessa vida.
tanto quanto a sinceridade e a verdade.
então, quando isaac nasceu, achei sim que deveria maneirar no vocabulário.
troquei a exclamação que começa com ca e termina com lho por jesus!
sim, acredito nele e respeito, mas era bem melhor clamar ao filho de deus do que clamar ao membro viril masculino.
enfim...
mas eu me traio.
vira e mexe eu topo com um menininho de olhos esbugalhados, indignado com as palavras que saíram da boca materna.
as vezes ele me repreende com um "olha só! você falou!".
e dependendo da situação dá uma risadinha besta, achando tudo o máximo.
eu peço desculpas.
eu digo que mesmo a mamãe falando, é feio.
e eu explico que tem horas que só um palavrão bem falado alivia.
ah! sou tudo, menos mentirosa.
então sigo sendo essa discípula de dercy gonçalves.
e sigo bem.
isaac também.
mas outro dia, foi hilário.

sou boca suja por hereditariedade.
minha mãe também adora um palavrão.
e depois de passar uma tarde com a vovó, isaac foi comigo à padaria.
olhou atento toda a vitrine de guloseimas e teve um choque:

- aaaaaa!!!!! esse pão eu não posso falar o nome!

jesus! - pensei eu na versão censurada - que pão será esse???

começo a vasculhar já toda curiosa a estufa.

- qual isaac?

- esse mãe!!!! - ele aponta todo vermelho de vergonha e horror.

analiso bem todas as letrinhas e seguro a risada e o choro:

B R U S Q U E TA.

fresquinhas, lindas e de todos os sabores.
aproveitei, levei umas pra casa, a fim de ilustrar a explicação que daria mais tarde.

fim?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

é de chocolate...

eu já escrevi aqui, reclamei, chorei, dramatizei.
encarnei o "isaac não me ama mais" de todas as maneiras possíveis.
sou boba. sei.
sou exagerada. ok.
sou lokalokaloka. na maior parte do tempo.

mas acontece que eu sou assim, e sofro do jeito que me cabe.
certo que dou risada. muita risada de mim.
inclusive agora, enquanto teclo, tem gente me olhando com olhar estranho, já que tenho um risinho constante.

quem é mãe de menino já deve ter recebido essa graça divina sentido que há sempre uma criaturinha apaixonada, suspirando por você, derretendo de tanto te amar.
não?
pois bem, isaac era assim.
era.
hoje mais me ignora do que me observava.
hoje mais bufa na minha cara do que suspirava de amores e admiração.
hoje mais fala "ôôô mããããe..." do que "mamãe!!!"
hoje.... enfim....

perdeu o interesse.
é fase.
eu sei.
e até aproveito.
sofro sim, sinto falta sim, mas é a vida.

e a vida, essa coisa, sempre me dando tapinhas na cara.
me rotulando como essa doida exagerada que mesmo sou.
explico:

isaac entra no carro e eu já esperando toda a sorte de respostas monossilábicas para as raras perguntas que faço na saída da escola.
ele me espia, faz gracinhas pelo retrovisor.
logo penso que aquele sorrisinho alí é uma armadilha.
e encaro que estarei presa nela nos próximos segundos.
ele sai do carro, me abraça e manda:

- você é minha mãe de chocolate!

- sou é? tô doce ou bronzeada?

- nãããão mããããe (só pra não perder o costume, vai), você é minha delícia.

enquanto eu ficava alí, anestesiada, pronta pro momento cataploft que há tempos não vivia, ele escancarou a banguela e foi.
foi voltar a ser o menino de seis anos, quase sete, que ignora a mãe o resto da tarde.

bjo

terça-feira, 5 de maio de 2015

rwilécssssss (leia com sotaque, qualquer um que consiga)

Isaac passa pela mesa e observa tudo o que está espalhado sobre ela.
revistas, livros, peças de lego, contas a pagar, bolsa, caneta.
uma bagunça.
estica o pescoço e continua a exploração.
avista o livro.
apaixonado que é pelas palavras, logo vai lendo.
devorando o que tem pela frente:

- mãe reeee mãe reeellll mãe relaaaaxxxx???

- Isso filho.

e ele se enfia no inglês:

- mãe rwilécssssss???

- ótimo, isaac! certinho!

aí ele pensa um tanto sobre o título, me mede de cima até os dedos dos pés, sorri e manda:

- rwilécssss, minha mãe é rwilécssss.

e sai saltitando.
e eu?
fico alí babando no todo.
não sei se mais feliz por ele me enxergar relax ou por ele não ter feito alguma crítica tipo "que livro mais tonto, todo mundo sabe que não existe mãe relax nesse mundo. a minha, pelo menos, do relax passou longe"...


quarta-feira, 22 de abril de 2015

dos desafios e dos tamanhos

feriadão.
saiu sol.
eu e isaac resolvemos pular na piscina.
eu, como sempre, com um bom tanto de neura sobre o corpo, sobre o que está mais pra baixo do que pra cima, sobre os furos, pneus, coisa de mulherzinha.
ele, como sempre, atento a qualquer escorregão meu pra me mostrar a graça que a vida tem.

pulamos, brincamos, cantamos, gritamos.
uma farra.
até que ele começa com suas regras (tenho um filho viciado por elas, mas isso é assunto para um outro post).
"tem que ser assim", "você vai perder pontos", "assim tá errado", "agora é desse jeito", enfim, uma infinidade de regrinhas e desafios.

mas quando ele vê que sou indisciplinada e tô nem aí pra coisa toda, ele provoca.

- duvido que você consiga mergulhar assim.

- duvido que você sabe fazer aquilo.

duvida um monte. duvida tudo.
e eu vou tentando provar que dá.
até que:

- duvido que você mergulhe tão fundo que deite no chão da piscina.

eu respiro e fundo e vou. e saio toda dancinha da vitória:

- consegui! consegui!

- não conseguiu.

- lógico que consegui, Isaac! até encostei meu peito no chão.

ele olha, ri bem safadamente e manda:

- lógico, seus peitos são tãããão grandes!

ploft


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Velcro

Aí, vc, mãe e cara colega, lê um título desse e pensa:
"a tal da conclusão do Edipo se acabou e a Carol vai para de reclamar".
Não.
Nem se iluda.
Isaac não está nada colado em mim.
Continua me ignorando como se eu fosse um videogame sem novas fases.
Mas tudo bem (e isso é papo pra um outro post).
O assunto de hoje é mais das graças dessa vida.

Eu sou do time das dramáticas, não nego.
Logo, achei que o nascimento dos dentes seria um processo tenso e traumatizante.
Não foi.
Aí achei que engatinhar seria um processo difícil.
Nem existiu.
Andar então, deixaria marcas eternas.
Nada.
Desfralde então, me faria endoidecer e padecer em todos os paraísos imagináveis.
Hã hã.
Aí comecei a relaxar, né?
Mudar e adaptar em escolas novas, foi lindo.
Ir brincar nos amigos, ok.
Ainda há algumas cositas que ele resiste.
Comer sozinho, tomar banho sozinho, limpar o próprio fiófis... Faz, mas reclama um tanto.
E eu, já achando que a vida era linda e descomplicada, me deparo com um pequeno perrengue.

O velcro.
Isaac está resistindo, com todas as forças que pode, a dar o laço no próprio cadarço do próprio tênis.
E está fulo da vida com o fato de que o pé cresceu e a industria calçadista aboliu os modelos com velcro para pisantes maiores que 30.
Longe de mim criticar os fabricantes.
Mas como (como Mellldellllls????) ensinar a um menininho teimoso de nascença a dar laço???
Não acho laço coisa simples e faço drama sim.
Já que é uma das marcas que me cabem.

E pra ajudar, pari criatura toda trabalhada na carinha de pau:

- Vamos filho, coloque o tênis.
Lógico que ele pega o modelo com velcro, já apertado.
- Use o outro Isaac, está vestindo melhor.
Ele analisa bem a situação e manda:
- Nãããão mãe.... Vai que desamarra e eu tenho que parar pra dar o laço, demoro e fico alí, perdido na multidão????
Ameaça um biquinho, e fica esperando a minha reação.
Viro as costas, me tranco no banheiro, dou risada e quase choro de orgulho.

Aceito dicas e sugestões.
bjo

sexta-feira, 27 de março de 2015

Digerindo

lembra de ontem né?
da mãe que acabou com os sonhos do filho?

a vida continua.
e vamos digerindo.
cada um do seu jeito.

isaac ainda quer falar sobre, mas pelo que conheço da figura, vou penar pra descobrir o que se passa alí dentro daquela cabecinha.

e então ele me dá doses homeopáticas:

- mãe, eu vou te fazer uma pergunta. só uma. - ele frisa, e eu penso que um dia isso sim será possível, já que isaac sempre tem um caminhão delas sob cada manga.

- sim, sim.

- não existe mais aquele negócio de lutas com espadas?

então, eu me jogo no jogo.

- existe filho, é um esporte que se chama esgrima. acho lindo.

ele sobe a sobrancelha e me encara pelo retrovisor como quem quer um tanto de paciência extra.

- nãããão, aquelas espadas graaaaandes.

alí tive a certeza plena de que a palavra PIRATA estava completamente banida da conversa.

- aaaaaaa, entendi, igual aquela espada que você usou no seu aniversário de 4 anos (no qual eu quase me matei para conseguir tudo o que ele queria e sonhava com o tema pirata)?

- isso.

- olha amor, eu acredito que não.

- como assim?

- é que com a tecnologia, as pessoas foram descobrindo armas mais potentes.

e tivemos alí uma conversa super produtiva sobre a indústria bélica, sobre as culturas que utilizam espadas, sobre sabres de luz, e etcs.

e ele parou pra pensar.
cortou a conversa num golpe só, como se fosse um samurai (já que a pirataria está na geladeira), e me deixou alí, só esperando.

e eu espero.


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