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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sedentário de carteirinha

E então que não pari o Michael Phelps.
Nem o Jordan.
Muito menos um Beckham.

Isaac é todo pensamento.
Raciocínio.
Troca qualquer brincadeira ao ar livre por um gibi.
Se vamos ao parque ele sobe no ponto mais alto do brinquedo e fica lá a observar o tempo.

E isso não é de agora não.
É item de fábrica.
Foi à natação resmungando até aprender a nadar, aí perdi os argumentos.
Judô enquanto achou engraçado, aí não havia faixa que o segurasse no esporte.
Arco e flecha, pilates, basquete, tecido circense.
Ele mostra interesse e a gente imagina que a próxima será a escolhida.
Até pode ser, mas por hora, por tempo limitado.

O negócio da criança é robótica, xadrez, lógica, videogame, livros e livros e livros e livros.

Não acho ruim não.
Acho lindo.
Mas é que a gente tem que achar um equilíbrio nisso tudo.

Atualmente Isaac escoheu o tênis.
Isso.
Raquete, bolinha e professor querido.
Vamos indo.
Tivemos período de yoga, mas como a mestre foi meditar em outro canto do mundo... damos um tempo.

Mas não pense que é uma coisa assim "yupiiiii hoje tem tênis".
Ele até vai, mas mais naquelas...
E eu sempre arrumo uma brecha pra falar do fortalecimento físico.
Metáforas, parábolas, poesias, músicas, diálogos, monólogos.
Ele sempre no jeito e no tempo dele.
E eu me encaixando, tipo uma gladiadora encarando uns leões.

Aí que no meio desses papos ele judia:

- mãe... sabe qual é o músculo mais forte de todos?

Confesso que na hora assim, só pensei em valorizar o exercício e respondi que, para um tenista, eu achava que era um músculo ligado ao ombro...
Ele me lascou aquele olhar de reprovação e de maneira bem seca querou minhas pernas fracas:

- o cérebro. LÓ-GI-CO.

...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

cabelos

eu.
logo eu que tenho um vício maluco em cortar o cabelo.
logo eu que num belo dia adolescente troquei as madeixas pela cintura por um curtinho cortado à máquina.
logo eu que nunca, nunquinha, fui adepta do "só dois dedinhos".
logo eu que só vivo de shampoo e condicionador, sem pente, sem hidratação, sem escova, sem secador.
sim, eu.
pari criatura que não só está com cabelo quase maior que o meu como também tá numa neura de que "se o barbeiro cortar demais eu nunca mais piso lá".
sério.
isaac resolveu, aos sete, deixar o cabelo crescer e eu vi nisso uma oportunidade bacana de:

a) puxa, cada um tem um gosto e preferência para a própria aparência.
b) bora ensinar sobre paciência e higiene
c) cabelo ensina a ser responsável? tô dentro.

então que desde o final do ano passado isaac vinha nos enrolando dizendo que só iria deixar o cabelo crescer "até março".
chegou março e ele decidiu que curtiu a franjona na cara e os comentários e elogios da galera, que, em sua maioria acha a loirice linda balançando ao vento.

e lá vamos nós...

filho cabeludo? sim, trabalhamos.
comprar condicionador, pente largo, secar a cabeleira pra ir pra escola nesses dias frios? quem nunca?
(eu, mas tá valendo, que ser mãe é se transformar)
explicar sobre piolhos, caspa, oleosidade e embaraço? tá no repertório mais recente.

um outro mundo.
aliás, isaac me apresentando a mais um deles.
desses mundos todos que ainda vou viver, dentro desse universo que é maternar.

domingo, 22 de maio de 2016

Vídeo game, network e realidade

Sim, cara colega,
Abraça aqui se seu filho já entrou pro clubinho dos loucos por vídeo games.
(não que eu também não seja sócia, mas no filho da gente sempre dói mais, né?)
Mas peraí!
Que clubinho?!?!

Se você então agora faz parte de outro grupo, vem comigo, daquela época em que a gente tinha clubinhos com pessoas de verdade, se encontrava, pedia pra mãe pra fazer um telefonema, inventava código, peça de teatro e até jogava vídeo game... Abraça mais forte, deu saudade.

Desce Carolina e voltemos ao vídeo game versão 2.0.

Acontece que eu ando implicando com essa realidade atual.
Isaac adora jogar.
Limitamos aos finais de semana, os quais ele espera cheio de vontade.

(que ele nunca descubra que eu e o tio dele jogávamos de madrugada, durante a semana mesmo, escondidos da vovó)

E eu vivo instigando para que ele aproveite o pequeno vício de maneira positiva.

- Isaac, que amigo seu joga Lego Marvel?

- pega dicas com ele!

- o fulano já passou dessa fase?

- destravou tal personagem?

E, na grande maioria a resposta é um não sei, daqueles com tom "afffffff" que acho que eu mesmo ensinei à cria.

Outro dia mesmo questionei - durante uma pedreira de fase cheia de objetivos inatingíveis - se o amigo não tinha dicas para dar:

- filho, o amigo não joga esse? Liga pra ele! Convida pra vir aqui jogar! Vai ser divertido.

Mas aí tomei uma facada no peito:

- ah, mãe, coloca no Google.

Não desisto né?!?

- ah, Isaac, é muito mais legal a gente conversar com os outros. Ele pode ter dicas bem legais!

Virada de olho e paciência quase no game over.

- ah! Mãe! Coloca aí no site tal que tem tudo!

Lembrando dos meus clubinhos e da sala da minha mãe cheia de meninos trocando revistas e dicas dos jogos, cai na minha própria armadilha:

- então entra aí no live, pergunta pro amigo da escola, certeza que ele tá on line.

Ele?
Me olhou de canto de olho com um sorriso irônico.
Daqueles.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

esse velho aí não existe

das loucuras dessa vida, a maior - creio eu - é esquecer que o tempo passa, e junto com ele a inocência e as gracinhas infantis.
isaac ainda é criança. sim. sim.
mas não é mais um bebezinho.
nem um menininho fácil de enganar.

acontece que no começo do mês ele veio falando sobre os presentes de natal.
e eu, toda desatualizada, perguntei sobre a cartinha que ele escreveria ao noel.
e tomei, claro:

- eu sei que não é ele que traz os presentes.

ploft!
momento drama da mamãe.
aquele mimimi todo que vocês já conhecem.
logo pensei que com sete anos eu já tinha mandado o bom velhinho à merda.
então, tudo bem.

bom,
e como vocês tbm me conhecem, eu não deixei quieto:

- e quem é que traz os presentes, isaac?

- uma pessoa vestida de papai noel, ué.

- uma pessoa qualquer?

- é. um desconhecido.

- alguém que não te conhece?

- é.

- e traz um presentaço pra vc no natal?

- é.

ploft!
momento mãe lokalokaloka.
pensei em cooooooomo meu delllllssss!!!! essa criança, nesse mundo louco, cheio de perigos, poderia i-ma-gi-nar que um estranho pode ser legal a ponto de dar um presente pedido e aguardado durante o ano toooodoooooo??????
bora destruir esse conceito aí, minha gente.

bom,
não sei se fiz certo. não se se deveria, mas cortei aí.
expliquei com calma, com amor e paciência... fui conversando até ele mesmo chegar a conclusão de quem, na real dava os presentes a ele.

senti sim a decepção.
fui olhada daquela maneira que arrepia, sabe?
daquele jeito "sua velha cruel, mentiu pra mim durante tooodos esses anos????".

mas ó, passou.
mas passou assim:

- mãe, então se antes eu ganhava um presente do papai noel e um de você e do papai.... agora vocês vão me dar DOIS presentes?????

né?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nave Mãe

ser mãe.
tarefinha delícia porém cheia de vírgulas.
satisfação plena porém repletas de tempestades de cuspe.
um ensinar e aprender infinito.
ok.
sabemos.

e estava eu outro dia conversando com isaac sobre a vida.
jogo bem a real.
digo que ela não é fácil.
que se a gente não ter paciência a gente sofre.
que egoísmo é uma arma que usamos contra nós mesmos.
que gentilezas são necessárias para quem escolhe viver em sociedade.
e que, principalmente, ouvir os pais é importantíssimo.

tá.

ele logo pergunta se estou dando bronca.
digo que não.
mas que as vezes a gente precisa ter umas conversas mais sérias.
que eu preciso muito ensinar para ele algumas maneiras de se virar com o mundo.
de crescer num caminho legal.
que vou contando como aprendi pra ele mesmo saber o que fazer.

ãhã.

ele logo muda o assunto para video games, peças de montar e filmes de ação.

ok, vamos juntos, passo a passo.

e ele logo questiona sobre a palavra mãe estar tão presente em tudo.
a língua-mãe. explico.
a placa-mãe do computador. explico.
ele pergunta, pergunta, pergunta.
e eu, toda tonta, falo sobre a nave mãe.
a do jogo eletrônico querido.

- a nave mãe é aquela que protege as outras naves menores.

- nããããão, mãe. não, né?

- não??? então o que ela faz?

- a nave mãe é aquela que QUER controlar tudo.

(e me olhou com aquela cara de "e não controla bosta nenhuma")

ok.
mudança de comportamento! ATIVAR!!!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

dos desafios e dos tamanhos

feriadão.
saiu sol.
eu e isaac resolvemos pular na piscina.
eu, como sempre, com um bom tanto de neura sobre o corpo, sobre o que está mais pra baixo do que pra cima, sobre os furos, pneus, coisa de mulherzinha.
ele, como sempre, atento a qualquer escorregão meu pra me mostrar a graça que a vida tem.

pulamos, brincamos, cantamos, gritamos.
uma farra.
até que ele começa com suas regras (tenho um filho viciado por elas, mas isso é assunto para um outro post).
"tem que ser assim", "você vai perder pontos", "assim tá errado", "agora é desse jeito", enfim, uma infinidade de regrinhas e desafios.

mas quando ele vê que sou indisciplinada e tô nem aí pra coisa toda, ele provoca.

- duvido que você consiga mergulhar assim.

- duvido que você sabe fazer aquilo.

duvida um monte. duvida tudo.
e eu vou tentando provar que dá.
até que:

- duvido que você mergulhe tão fundo que deite no chão da piscina.

eu respiro e fundo e vou. e saio toda dancinha da vitória:

- consegui! consegui!

- não conseguiu.

- lógico que consegui, Isaac! até encostei meu peito no chão.

ele olha, ri bem safadamente e manda:

- lógico, seus peitos são tãããão grandes!

ploft


sexta-feira, 27 de março de 2015

Digerindo

lembra de ontem né?
da mãe que acabou com os sonhos do filho?

a vida continua.
e vamos digerindo.
cada um do seu jeito.

isaac ainda quer falar sobre, mas pelo que conheço da figura, vou penar pra descobrir o que se passa alí dentro daquela cabecinha.

e então ele me dá doses homeopáticas:

- mãe, eu vou te fazer uma pergunta. só uma. - ele frisa, e eu penso que um dia isso sim será possível, já que isaac sempre tem um caminhão delas sob cada manga.

- sim, sim.

- não existe mais aquele negócio de lutas com espadas?

então, eu me jogo no jogo.

- existe filho, é um esporte que se chama esgrima. acho lindo.

ele sobe a sobrancelha e me encara pelo retrovisor como quem quer um tanto de paciência extra.

- nãããão, aquelas espadas graaaaandes.

alí tive a certeza plena de que a palavra PIRATA estava completamente banida da conversa.

- aaaaaaa, entendi, igual aquela espada que você usou no seu aniversário de 4 anos (no qual eu quase me matei para conseguir tudo o que ele queria e sonhava com o tema pirata)?

- isso.

- olha amor, eu acredito que não.

- como assim?

- é que com a tecnologia, as pessoas foram descobrindo armas mais potentes.

e tivemos alí uma conversa super produtiva sobre a indústria bélica, sobre as culturas que utilizam espadas, sobre sabres de luz, e etcs.

e ele parou pra pensar.
cortou a conversa num golpe só, como se fosse um samurai (já que a pirataria está na geladeira), e me deixou alí, só esperando.

e eu espero.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Solucionando problemas

Interrompemos a série de posts sobre Buenos Aires para publicar aqui causo fofo é extraordinário.

Isaac sai da cama, todo amassado e fica me observando na porta da cozinha.
Me chama no canto e pede para contar algo em meus ouvidos.
Ele faz isso quando o assunto é delicado e, de certa maneira, acredita que os deuses não podem ouvir quando cochicha comigo.
Pois bem.
Ele estava triste.
Bem chateado.
E já com os olhos cheios de lágrima disse que tinha tido dois pesadelos.
Perguntei se ele queria contar.
Bem baixinho, ele disse que o primeiro tinha sido com o vovô Bem.
Que o vovô tinha morrido.
Sentiu, chorou.
Lógico que eu me entreguei aquilo tudo. Quem gosta de imaginar o próprio pai morto?!?!
O segundo pesadelo ele não teve coragem de falar.
Ganhou um abraço bem forte e um papo breve sobre os sonhos e como os pesadelos funcionam.
Mas aí, a graça da vida.
Ele olha bem nos meus olhos e diz que sabe bem qual a solução para os pesadelos.
Fiz cara de interessada.
Quero acabar com os meus tbm.
Ele achou o máximo, se encheu de confiança e da cara de pau que lhe é peculiar, fez aquela cara que do consigo descrever como o gato de botas do shrek, e mandou:

- a solução é eu dormir na sua cama todas as noites. Lá eu nunca tenho pesadelos.

Simples assim.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

a carga

a culpa é da mãe.
toda da mãe.
e a gente, toda trabalhada no drama, reforça.
até acha realmente que é.
veste, como se fosse verdade.

eu ainda tenho meus momentos drama queen.
acho sim que a culpa é minha.
aliás, procuro toda essa culpa em mim.

mas já estou naquela fase mais descolada.
onde se a culpa é minha eu (em alguns momentos lógico) até aceito, pego pra mim (mesmo que não seja) e vejo o que dá pra fazer.
se não der, paciência.
em outras situações, se me tentam tacar a culpa.
dou gargalhada na cara dela e digo que aqui não.

mas ainda tenho anos a aprender sobre.
muito chororô e desespero materno passarão por baixo desta ponte.
mas vamos levando.

acontece, que isaac, criatura que é, me joga/esfrega na cara o que acha de todo o trabalho materno.
aquele que ele acompanha no todo dia.
somado a dois meses sem ajudante no lar.

explico.
ele é fã. fã. fã. dos saltimbancos.
passa perto do aparelho de som, dá play no cd e dá risada com a galera das antigas.
canta, dança.
entende novas palavras.

pois bem.
ontem ele começa a cantar a música do jumento.
acho lindo, como tudo.
até ter o choque de realidade:

"O pão, a farinha, feijão, carne seca
Quem é que carrega? 

MA-MÃE!

O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
Quem é que carrega? 

MA-MÃE!

O pão, a farinha, feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
A areia, o cimento, o tijolo, a pedreira
Quem é que carrega?

MA-MÃE!"

ria o danado.
e quando perguntei o motivo da cantoria ele só respondeu:

- mas é, não é?????

....

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Do financeiro - parte 2 de infinitas, eu sei.

Isaac chega da casa da avó, todo feliz porque ganhou uma nota de cinco reais.
Ganhou porque a avó recebeu um punhado das notas novas no caixa eletrônico.

Além do dinheiro na mão, e louco pra encher o cofrinho, Isaac ficou todo curioso com a questão de notas velhas e falsas.

Chegou em casa e pediu que eu mostrasse uma nota das velhas, só pra comparar.

Mostrei uma e outra.
E respondi inúmeras perguntas sobre cor, tamanho, desenho, falsificações e valores.

Quando terminou todas as suas perguntas, Isaac olhou bem pra mim e na cara de pau que lhe é peculiar pediu se poderia ficar com as duas notas.
A velha e a nova.

Diante de toda aquela questão e interesses.
Cedi e deixei.

Ele logo fez uma cara de espertinho, deu dois passos, pelo longo espaço em que conseguiu segurar a agitação e soltou:

- yuhu!!!!! Agora tenho uma arara!!!!!

...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Do exercício físico...

- Vamos lá Isaac! pulando entre as árvores! - diz a mãe empolgada que resolveu jogar o sedentarismo de toda a residência pra um outro mundo.

E a cria vai, toda linda e saltitante. Diante de uma fileira de árvores, lembra dos números:

- Mãe, que árvore é essa?

- É a primeira.

- E essa?

- A segunda.

Pulos depois...

- E qual é essa Isaac? Aquela é a primeira, a segunda e essa é a.....

- Última. Vamos pra casa?

...

terça-feira, 26 de março de 2013

Gentileza

Sabe aquela fase?
Qual delas? Pergunta a já calejada mãe de um menininho observador de 4 anos.

Pois então vou contar um causo:

Saí toda atarantada para entregar uma encomenda constituída por 35 frasquinhos de vidro.
Repousei a caixa repleta de frasquinhos, prontos, lindamente embalados, no banco da frente do carro.
Eis que surge a coisa mais linda desse mundo e se enfia no carro pisoteando no banco.
Isso, no banco onde repousava a caixa, que guardava os frágeis frasquinhos.
Peço uma, duas, dez vezes e nada.
O menino loiro só me olhava de rabo de olho e alí persistia.
Encarno a educadora errante e, no medo da merda feita, puxo a cria pela camiseta.
De quebra ele ganha um beliscão no meio das costas.
Pele e camiseta vieram as duas juntas no meio do pacote do desespero materno.
Ele emburra, acha um absurdo.
Eu, toda cheia de culpa, prefiro não mexer muito pra não feder, enfio menininho emburrado no carro e saio.
No meio da caminho dessa graça de vida havia uma outra figura.
Velhinho, cabeça branca, bengala em punho, tentando atravessar rua movimentada.
Fiz o que meu coração e educação mandaram (alô mamãe!) e parei o trânsito.
Pus carro no meio da via, esperei senhorzinho (que nem agradeceu, buá) atravessar e segui.
Mas eu não perco a mania:

- Viu, filho?!?! Nós acabamos de fazer uma gentileza.

Ele bufa, olha pra mim como quem olha um pão embolorado, olha o senhorzinho e resmunga alguma coisa.
Não ouvi e, lógico, pedi que repetisse.
E tomei:

- Gentileza seria se você não me beliscasse. Nunca mais!

...


sexta-feira, 8 de março de 2013

Do exemplo...

Que "criança vê criança repete" já estamos todos carecas de saber.

Mas é engraçado perceber isso no dia-a-dia, né?

Já ouvi do filhote as seguintes reprises do que eu mesma falo:

- Estou com enxaqueca.

- Pai amado! Que calor é esse?

- Sente, mamãe, que vento abençoado.

- Iron! Volte já aqui que eu vou dar um nó no seu pipi! (não, não torturamos animaizinhos, é só um jeito de demonstrar raivinha diante dos xixis pela casa)

- Afe!

- Você não me entende! Você realmente não me entende!

- Vou só dar uma descansada, tá?

E esses dias, me veio com a pérola plagiada, todo cheio de si. Achado que ia colar mesmo e eu ia ceder, deixando que ele almoçasse na sala, vendo tv:

- Olha mãe, como o papai não vem almoçar, a gente almoça na sala e assim deixa as meninas livres pra adiantar o serviço...

Mereço?
Mereço.

...


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A síndrome dos cinco minutinhos

Quer me irritar?
Me faça esperar de propósito.
Ou tente ficar negociando tempo comigo.
Primeiro, que na minha opinião, tempo não se negocia.
Segundo que atraso, na minha opinião, é uma baita falta de respeito com o ser que espera.
Terceiro que "hoje o tempo voa amoooor, escorre pelas mãos..."
Tá.
Piadas a parte, a fase da vez é essa.
Isaac vem me testando.
Cabo de guerra, guerra de argumentos, paciência, vamos ver quem manda nessa casa.
Chame do nome que quiser.
Mas o master do master da irritação carolínica se chama (eu que batizei, tá.) Síndrome Aguda dos Cinco Minutinhos.

- Isaac, assim que acabar o desenho nós vamos tomar banho.

Desenho acaba e lá vem ele:

- Banho??? Mas já???? Só mais cinco minutinhos????

Me mata.

- Filho, vamos, vamos, que temos que sair.

- Agola? Tem mais cinco minutinhos???

Me mata e pisoteia em mim.

- Isaac, tá na hora de ir pra cama, vamos!

Olha na janela.

- Mas já anoiteceu?

Me irrito com horário de verão que deixa o sol brilhante as 8 da noite:

- Já filho, o horário de verão, bla bla bla....

- Mas tá claro ainda..... Posso brincar mais cinco minutinhos?!?!

Me mata. Mas antes me explica quem raios ensinou pra ele o raios dos cinco minutinhos!

....

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mais do amigo secreto

Pois bem....
E a gente vai ensinando e aprendendo.
Vai mesmo.
Isaac estava todo empolgado com o tal amigo secreto da escola.
E ele ficaria mais feliz ainda se não tivesse tirado o menino que durante o ano passou de melhor amigo a "aquele sacana mirim que bate no meu filho quase todo o santo dia".
Isso.
Cômico e trágico ao mesmo tempo.
E então que nos dias antes da revelação do tal amigo, explicamos pro Isaac que ele poderia falar algumas coisas do amigo secreto antes de dizer o nome dele:

- O meu amigo secreto é menino, tem cabelos pretos e adora lutas.

- Que mais??? - dizia o menininho de olhos curisos.

- Ah! Você pode dizer que ele tem os olhos assim, ó. - e mostrei a ele minha imitação gracinha de olhos orientais.

Isso.
O amigo secreto do Isaac é o único descendente de japoneses da sala.
Tá.
Nisso não há problemas. Somos todos iguais, somos todos irmãos.
Mas ser mãe é ensinar e aprender, como comecei esse texto...

- Mamãe, como é que eu posso falar do meu amigo secreto mesmo????

- Que é menino, tem cabelos pretos, gosta de luta..... - e então fui interrompida.

- É um japonês safaaaaado....

Ploft!
Lógico que expliquei que esse não era o tipo de coisa legal de se falar.
Lógico que procurei outros adjetivos para o amigo secreto.
Lógico que quase morri do avesso.
Lógico que tive vontade de ser uma mosca pra saber como foi a tal revelação...
E até me senti um tanto vingada por todas as vezes que peguei Isaac chorando na escola por ter apanhado do colega violentinho.

Mas foi tudo bem.
Isaac teve vergonha de falar qualquer adjetivo.
Entregou presente pro amigo e veio todo saltitante pra casa por ter acertado na escolha do mimo.

E eu estou aqui.
Falando ufa até agora.
Dois dias depois.

...
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Amigo Secreto

Isaac tem quatro anos.
Isso.
E tem experimentado de tudo que essa vida pode oferecer.
Conhecimento, sentimentos, vocabulário.
E daí a professora querida deste ano resolveu promover um amigo secreto com a turminha.
Pronto.
Fala pra um pequeno viciado em espiões e alienígenas que ele vai participar de um amigo secreto.
Era tudo o que sua imaginação precisava.
Pelo que ele me conta ( e ah se eu pudesse entrar em sua cabecinha), acredita mesmo que um amigo super secreto vai se materializar na frente da classe toda.
E nós vamos tentando explicar como funciona a tal brincadeira dos presentes.
Logo, temos além da imaginação uma outra questão.
A dos presentes.
Isaac se encontra entre as fases do reizinho fofinho e do tirano egoísta. Fato.
Então, longe dele comprar presente pra outra pessoa que não seja ele mesmo.

- E o nome que você tirar no papelzinho vai ser a pessoa que você vai dar um presente....

- Não!

- Mas é assim que funciona filho...

- Não. Deixa eu explicar que é assim: A pessoa que eu tirar o nome no papelzinho vai ME DAR um presente.

- A é? E a que tirar o seu nome no papelzinho????

- Ela dá um presente pra mim também, ué....

Tá. Ele entendeu....

....

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O gato sai...

Isso.
Maridex está viajando.
Além de ter que contar nos dedos quantos dias ainda faltam para sua volta, Isaac me faz somar, subtrair, exemplificar, fazê-lo entender o tempo em quantidade.
E assim vamos indo.
Mas ele não é só saudade.
Está morto de curiosidade pelos presentes que ele sabe que virão.
Sente toda a mudança na rotina.
Me perguntou hoje se todo dia agora ia ser domingo, ao chamar o pai e me ver alí, na beira da cama.
(isso porque eu saio pra trabalhar bem mais cedo do que ele acorda)
Estamos grudados.
E bem afinados.
Mas como disse, ele já saca bem qualéqueé a boa de tudo isso.
Chegando em casa dia desses esfregou bem as mãozinhas, fez cara de canalhinha e mandou:

- É, né, mamãe, agora quem manda aqui nessa casa sou eu e você.

- hum?

- Nós mandamos. Você manda numa parte e eu mando na hora de assistir filme, comer e tomar banho.

Segurei a risada, claro. Com todas as minhas forças.
E não deixei barato:

- Pois bem, Isaac, deixa eu te explicar. Quando o papai não está aqui é a mamãe que manda em tudo.

E pra não me afogar em bicos e lágrimas já emendei:

- Você me ajuda a mandar em uma coisinha aqui e outra alí, ok? Al-gu-ma coi-si-nha, certo?

E ele não deixou barato:

- Mas quem escolhe essa coisinha sou eu, certo mamãe?

E saiu pulando atrás dos cachorros, me deixando alí com cara de tacho.

...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

do halloween...



começo este pequeno texto com uma máxima que aprendi lá não sei quando.
nunca, nunquinha, never, faça uma pergunta a uma criança se ao menos uma das possibilidades de respostas possam te desagradar/ofender/envergonhar/etc.

vizinha querida nos recebe em sua casa toda alegre com o menininho pedindo "doces ou tavessulas".
uma querida.
chama as filhas, dá balinhas e nos lembra de que o dia de halloween também é o dia do seu aniversário.
aquela festa.
e ela então diz ao isaac sobre o dia das bruxas e sua data de nascimento.
e vem a pergunta fatídica.
"e vc acha que eu pareço uma bruxa?"
e vem a resposta, natural como um cochilo pós almoço.
"só falta o chapéu"
...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Roedor AND cara de pau

Pois bem,
Isaac é roedor assumido.
E já fica bravo quando a gente chama a atenção ou fala dos malefícios de tal vício.
Aí que ontem, ao vê-lo roendo, cutucando, puxando, eu tive mais uma vez conversinha básica sobre bactérias, doencinhas e afins.
Ele me olhou bem nos olhos, suspirou e mandou:

- Tá.

E pegou nas minhas mãos feias, secas, com resto do esmalte vermelho de moral duvidosa e cheias de cutículas de uma semana sem manicure e ânimo.

- Eu paro se você também parar.

Eu, toda horrorizada com poder de oratória do menininho que alí estava, todo cheio de confiança, coloco indignação pra fora:

- Como assim, meu filho?! Paro com o quê?

Ele segurou meus dedos mais firme e continuou:

- Olha isso! Você também está acabando com a sua mão!

- Eu?

- Olha aqui na unha!

- Mas minhas unhas estão bem compridas, Isaac! Não estão roídas!

- E esse vermelhinho aqui? Isso é bactéria!

Esfreguei uma unha na outra e tirei um pouco do esmalte pra ele ver o que era.

Ele sorriu bem canalhinha, olhou pra mim e acabou:

- E o que você fez agora? Não cutucou o canto?

Eu fiquei alí, com cara de rato que cai na armadilha.

- Então é assim. Se você parar eu paro.

...




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Aos 4...


- Mãe! Ô mãe! Manhêêêê!!!!

E eu me seguro toda na raiva que tenho de gente que fica gritando e não desloca dois passos pra conversar.
Fico então quieta, esperando que ele já me conheça o suficiente.

- Mãe! Mãe! Mããããããe!

Continuo o que estou fazendo. Começo até a cantar uma música, como se um mantra fosse.

- Manhêêêêê!

Ignoro. Por fora, mas por dentro tô em ebulição.
Aí escuto, lá na cozinha.

- Roberta, você sabe onde tá a minha mãe?

Fervo.
Como é que ele não escutou quando eu disse que ia até o quarto e já voltava?!?!
Silêncio.
Mentira.

- Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!

Vou até o corredor, onde avisto criaturinha toda prosa.
Ele me olha como quem diz "tava o tempo todo aí, velhota?!?"
Eu me seguro. Olho bem nos olhos dele e tenho a confirmação de que sim, ele me conhece.
Encolhe os ombros, respira fundo (sim, respira) e vem na minha direção.
Quando chega bem perto, abaixo em sua altura e pergunto, com voz de anjo o que ele quer.
Ele pensa por dois segundos, se enche de confiança e manda:

- Quem é minha princesa??????

E fecha com sorrisinho que pergunta "colou ou não?"

...



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