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quarta-feira, 27 de março de 2013

da sensibilidade

Isaac vem desenvolvendo suas características de personalidade todo dia. Toda hora.
Mas já é certo que ele é pessoa sensível.
E é mais sensível ainda porque observa cada movimento que esse  mundo dá.
Bom,
além disso tudo ele é apaixonado pela sétima arte.
Filmes novos, antigos, animação ou não, curta, longa. Ele se abre a tudo.
Admira, assiste, analisa e pergunta por dias e meses, dependendo do impacto que a produção causa sobre sua pessoinha em formação.

Esse ano mesmo fomos assistir "As aventuras de Pi".
Certa de que era um drama, arrisquei e fui feliz.
Isaac adorou, mas até hoje usa o filme como referência para um momento triste.
E não precisa ser assiiiim triste. Mas ele liga.
Usa pra explicar a intensidade da tristeza que ele ainda tenta entender.

Ontem a noite, pediu que eu lesse "Alice" antes de dormir.
Ele ouve atento as primeiras linhas, páginas.
Mas depois que a menina cai no buraco e se vê alí, entre crescer e decrescer, afogada na insegurança e curiosidade, Isaac suspira.

- Sabe mamãe, eu fico um pouco triste com esse livro aí.

- É filho??? Mas tem alguma parte que te faça sentir essa tristeza?

- Não. Eu fico triste assim, igual quando o Richard Parker foi para a floresta e deixou o Pi lá, sozinho.

Fechei o livro, dei um abraço e só disse que é normal sentir tristezas em algumas histórias ou filmes.
Que tem gente que gosta de escrever história triste, mas que são só histórias.
Disse que é normal a gente sentir vontade de chorar e é normal chorar se der vontade.
Ele chorou. Quietinho.
Apertou o rosto contra a baleia de pelúcia (Jubartina, registro aqui pra não te esquecer nunca, tá?).

- Mas eu vou ter sonhos ruins com esse livro aí.

- Bom, Isaac, isso a mamãe não tem como arrumar. Mas você sabe que se esse sonho ruim vier é só chamar, né?

- Sei. E você vem? Mesmo no sonho?

- Se você quiser eu vou sim.

E dormiu, meu pequeno, descobrindo que o país da Alice, o dele, o meu, não é essa Maravilha toda...

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terça-feira, 26 de março de 2013

Gentileza

Sabe aquela fase?
Qual delas? Pergunta a já calejada mãe de um menininho observador de 4 anos.

Pois então vou contar um causo:

Saí toda atarantada para entregar uma encomenda constituída por 35 frasquinhos de vidro.
Repousei a caixa repleta de frasquinhos, prontos, lindamente embalados, no banco da frente do carro.
Eis que surge a coisa mais linda desse mundo e se enfia no carro pisoteando no banco.
Isso, no banco onde repousava a caixa, que guardava os frágeis frasquinhos.
Peço uma, duas, dez vezes e nada.
O menino loiro só me olhava de rabo de olho e alí persistia.
Encarno a educadora errante e, no medo da merda feita, puxo a cria pela camiseta.
De quebra ele ganha um beliscão no meio das costas.
Pele e camiseta vieram as duas juntas no meio do pacote do desespero materno.
Ele emburra, acha um absurdo.
Eu, toda cheia de culpa, prefiro não mexer muito pra não feder, enfio menininho emburrado no carro e saio.
No meio da caminho dessa graça de vida havia uma outra figura.
Velhinho, cabeça branca, bengala em punho, tentando atravessar rua movimentada.
Fiz o que meu coração e educação mandaram (alô mamãe!) e parei o trânsito.
Pus carro no meio da via, esperei senhorzinho (que nem agradeceu, buá) atravessar e segui.
Mas eu não perco a mania:

- Viu, filho?!?! Nós acabamos de fazer uma gentileza.

Ele bufa, olha pra mim como quem olha um pão embolorado, olha o senhorzinho e resmunga alguma coisa.
Não ouvi e, lógico, pedi que repetisse.
E tomei:

- Gentileza seria se você não me beliscasse. Nunca mais!

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quinta-feira, 21 de março de 2013

Ele nasceu conehead, mas passou.

Então...
Estava eu pensando esses dias.
Será meu Deus que a maternidade perdeu a graça pra mim?
Será que eu nunca mais verei toda essa loucura com aqueles óculos coloridos?

Acontece que eu não tenho tido muito assunto pra vir falar aqui.
Fato que não sou radical em nada.
Fato que passeio hoje por uma boa quantia de ferramentas e redes sociais, o que faz com que eu acabe me perdendo, confesso.
Fato que estou com a vida agitadíssima, me adaptando a nova condição de mãetorista 100% da semana e de quebra a de empreendedora, com síndrome de "para o alto e avante".
Fato que imagino ser uma adaptação eterna e infinita.
Tudo ok...

Aí me peguei pensando num post pro blog ontem, despertado pela imagem que tenho nítida aqui, de que quando me via em trabalho de parto a um milhão de 6 horas só pensava se tinha lembrado de falar para o José que havia a possibilidade de Isaac nascer com a cabeça um tanto pontuda, caso todo o processo se estendesse.
Eu não pensava na dor, eu não pensava na rádio concorrente que tocava lá longe em algum lugar do centro cirúrgico, eu não pensava na minha mãe nem na minha barriga. Eu pensava no cone.

Pois bem.
Passada a euforia, a cheirada forte que dei no recém parido filho, o ódio que tive da pediatra que olhou pra mim, alí, toda tonta com a situação, sem saber se meu braço era o meu braço, minha perna, meu cérebro idem, riu e disse que eu poderia me mexer para tocá-lo. Lembro nitidamente de José me sorrindo e dizendo que ele tinha a cabeça em formato de cone.

Sei que essa cena, esse sorriso, essa fala podem ser fruto da minha imaginação. Sei sim. E não me vejo louca por isso.
Mas me entregar ao soninho pós cesárea tendo certeza de que José entendeu que seria normal tal formato geométrico e não que tínhamos parido um alien, me acalentou no momento. Peças pregadas pela própria consciência, a gente vê por aqui.

Confesso que ter um filho usando gorro eternamente não me incomodava mais do que um filho que tivesse dedos sobrando ou faltando (pesadelo gestacional, a gente viu por aqui), portanto conehead não era um problema pra mim. Até porque de tudo o que li na gravidez, o que lembro mesmo é que isso seria passageiro, caso acontecesse.

Bom,
eu não vou perder tempo procurando o nome científico, médico, hospitalar de tal fenômeno.
Fato que, quando voltamos pra casa com a cria, dois dias depois, cone não mais havia.
Fato que fiquei aliviada, lógico, mas passou.

E é aqui que chego no ponto.
Passou.
Passou talvez como tenha passado minha vontade de blogar.
Passou como talvez tenha passado toda aquela euforia sobre maternar, gerar, descobrir.
E talvez mesmo tenha passado porque eu me encontro no meio de um tornado educacional, complexo e cheio de vírgulas e explicações e consequências e psicologias.

Não sei.
Não sei nem se passou.
Se o tal momento sobre o cone ainda esteja aqui por algum motivo? Vai saber.
Se Freud não explica, quem sou eu?

Eu, essa que agora vive.
E vai e leva e busca e estressa e se decide e senta e chora.
E fica e abraça e se culpa e dá risada e analisa e engole a bronca e vive no meio da birra.
E permanece e entende que é fase e observa e se permite e erra e acerta e espera.
E tecla. Sem parar.

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segunda-feira, 4 de março de 2013

da curiosidade (dele e minha)

Das fases dessa vida.
Isaac está então naquelas de saber de tudo.
E não é a tal fase do porquê.
Ele quer saber como as coisas funcionam, como o tempo age na vida das pessoas, como os remédios curam, como a água é líquida, como a espuma do sabão se forma, se há o pause na brincadeira como no filme, onde estão as pessoas que já morreram, se papai do céu está vivo ou morto, como menino é menino e menina é menina, etc, etc, etc, infinitos etc...

Vamos então tentando responder tudo, da melhor maneira que podemos, em jeito e vocabulário próprios para a idade da cria.

O mais interessante é que quando nós queremos saber de onde vem tal atitude ou pergunta ele responde até onde quer e depois se blinda com um simples "eu não lembro".
E se fecha.
Nós?
Ficamos chupando o dedo.

Mas a curiosidade e o espírito explorador não param por aí.
Quando tocamos em algum assunto, ele fica meio desconfiado, responde até onde quer, mas longe de deixar quieto espera um tempo.
Espera e logo vem com a questão "mas porque você estava falando daquilo comigo?".
Oportunidade para retomar a conversa, o assunto, o papinho?
Sim.
Até onde ele quiser que o papinho vá.

Ufa...


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nada? Nada mesmo?

Sei não se sou eu, se é fase ou falta de vontade e inspiração.
Acontece que há dias venho, abro o blog, página em branco e nada.
Nada de ideia pra escrever.
Zero.
Sem problemas, eu fecho a página e penso "amanhã tem mais".
Mas é mentira.
Mentira da braba.
Eu venho de novo, olho pra tela, pro teclado, pra mim mesma, pras unhas descascadas, pra agenda ao lado, pra caixa de e-mails, pros papéis na mesa, pro fone, pro mouse, pra garrafa de água e pronto....
Foi-se.

Não que a vida de mãe tenha estacionado.
Não que Isaac tenha deixado suas gracinhas de lado.
Mas tô assim.
Cabeça cheia e vazia ao mesmo tempo.
Será possível?

Aí hoje resolvi que escreveria, nem se fosse uma abobrinha das grandes.
E não é que tô aqui enrolando, enrolando e enrolando e nem a abobrinha sai?!

Tô com dó de mim.

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não estou só. Obrigada meninas...

E então que os comentários no post de ontem me caíram assim, como um abraço.
Daqueles bem quentes e apertados.
Obrigada de coração, meninas.

E ontem já comecei a me mexer pra mudar as coisas um tanto.
Isaac só teve natação então voltamos pra casa, curtimos lanchinho e ainda assistimos a um filme tão antigo quanto esta que vos tecla: Tartarugas Ninja.

Final do dia fomos caminhando de mãos dadas até o mercadinho que fica perto de casa, cantando e fazendo brincadeirinhas sobre puns, arrotos, catarros e fezes (ah....ser mãe de menino...).
Rimos um monte juntos.

Um bálsamo para esta mãe cansada e dolorida.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Parem o mundo!

Enfim.
Depois de 2 meses no esquema pega na escola-leva pra casa-almoça-leva pra natação-psicóloga-inglês-mercado-padaria-quitanda-amigos-trabalho, eu deitei a cabeça no travesseiro e fiz o drama que me cabe:

Why me, Lord?!?!?!

Fiquei um tempo deitada olhando pro teto, tentando me lembrar de algum detalhe bacana do meu meio período com Isaac.
E nada.
Não lembrei. E também não vivi.
E quase me matei afogada com o travesseiro.

Fiquei com raiva.
Como assim?
O dia agora é feito de compromissos e obrigações e a gente quase nem brinca mais.
Não tem mais aqueles longos papos.
Não veste fantasia e rola no chão.
Nada.

A gente não anda mais pelo condomínio, a gente não para no Bosque pra se encher de areia, a gente não vai andar no shopping só pra ir conferir os cartazes novos do cinema.
Nada.
E ontem, quando ele pediu pra fazer o cineminha do final do dia eu dormi. Capotei na metade do filme.
E o pequeno só me acordou avisando que o filme tinha acabado e perguntou se já era hora de ir pra cama.

E que ódio que me deu.
Dos grandes.
Ódio de mim, dessa vida corrida.
Desse tempo que corre.

E como é que foi que as coisas ficaram desse jeito?
Matematicamente simples.
Enfie tudo o que der e o que não der em 24 horas.
Pronto.

Excedi o limite.
De tudo.
E deu que agora levo uma vida milimetricamente regida pelos segundos que me cabem.

E eu não quero viver assim.
Não quero e pronto.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Dos livros e do blog

Acontece que eu me rendi aos livros.
De todas as maneiras.
Lê-los e escrevê-los.
Dos outros, já estou no segundo do ano.
Dos meus, já são dois, até o último ponto.
Infantis, curtinhos, mas cheios de mim, do Isaac e de mensagens. Ora positivas ora nem tanto assim.

Com vergonha confesso que ainda não encarei uma editora.
Falo mais comigo mesma sobre esse projeto do que coloco pra fora.
Mas eles estão aí. Aí mesmo.

Tem hora que esse assunto me dá coceira.
Tem hora que dá vontade de explodir.
De gritar, sair correndo.
Mas vamos devagar.
Respirando e entendendo que é sim possível.

E daí, que com tanta criatividade focada em outros pontos da vida, o blog meio que tá ficando empoeirado.
Peço desculpas.
Infinitas e imensas.
Mas retomo.
Retomo sim.

beijo grande.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Saldo do Carnaval (e do aprendizado sexual)


um menininho alegre, feliz e sorridente, com os seguintes aprendizados:

- "eu mato, eu mato que roubou minha cueca pra fazer pano de prato"

- "ei! você aí! me dá um dinheiro aí!"

- "olha a cabeleira do zezé! será que ele é, será que ele é?"...

- é mamãe???? é o quê????

- bicha? como assim? ele é bicho? que bicho?

bora então pra mais uma sessão de conversinhas sobre sexo, opções e diversidade.

a seguir cenas...

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Religiosidade

Isaac é ser evoluído espiritualmente.
Até onde consigo entender, é um menino de 4 anos que fala sobre fantasmas, anjos e papai do céu com naturalidade ímpar.
Nasceu católico, já que foi batizado como tal.
Eu também. Sou católica desde que nasci, mas tenho me interessado demais pela doutrina espírita.
Mas assim, não sou super praticante em ambos os casos.
Acredito em Deus. Converso com ele todos os dias. Clamo a ele quando acho que é a hora.

Enfim,
Isaac tem tido pesadelos e quando acontece pede que eu faça uma oração.
Agradece junto conosco antes de dormir.
Faz a prece antes do lanchinho na escola.
Acredita.

E nos últimos dias tem pedido pra agradecer em silêncio, já deitado na cama.
Eu respeito e fico alí, observando ele fazer do jeito dele. Sempre de olhos fechados.
Ontem ele pediu que eu orasse em silêncio.
Assim que abri meus olhos vi que ele estava sorrindo.
Sorri também e ele concluiu:

- Mamãe, quando você faz oração vem um passarinho e leva uma mensagem ao papai do céu.

- Uma mensagem filho? Então ele tem nos ouvido?

- É. Mas quando ele não gosta de uma coisa ele joga a mensagem fora.

- Entendi.

- E quando ele gosta, troca cada mensagem por uma benção.

- E nós temos uma vida muito abençoada, né Isaac?

- É.

Sorriu, virou e dormiu.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sobre sexo e reprodução - parte 2

E a conversinha apareceu de novo.
Mas desta vez não tive a sorte de contar com os fofos pinguiNHOs pra me ajudar nos exemplos.
A pergunta veio na lata.
Bem como eu achei que viria.
Mas por mais que a gente espere e saiba que ela vem, sempre bate aquele "deu merda" acompanhado de uma gaguejada sem graça.
E eu não escapei.
Só que também não me permiti amarelar.

- Mãe! Como é que os bebês vão parar alí dentro da barriga.

Ui! - veio uma voz estranha de dentro de mim.
Respirei fundo e pensei comigo mesma que tudo bem, nada de pânico.
Olhei no retrovisor e vi o menininho alí, de olhar curioso e já sem paciência pela demora na resposta.

- Como mãe? Como?

- Seguintes, Isaac, o papai e a mamãe namoram, bem namoradinho. Aí o papai coloca uma sementinha dentro da barriga da mamãe.

- E essa sementinha aí já é um bebê?

- Não. Para virar um bebê a sementinha precisa encontrar um ovinho.

- Ovinho de codorna?

- Não filho. No caso dos seres humanos, é ovinho de gente mesmo.

Olhei pelo retrovisor mais uma vez e não vi meu filho. Vi um ponto de interrogação bem seguro pelo cinto de três pontas da cadeirinha.

- Deixa eu explicar, Isaac. O papai é uma fábrica de sementinhas. A mamãe é uma fábrica de ovinhos. Quando os dois namoram, a sementinha tem que encontrar o ovinho dentro da barriga da mamãe. Pra aí sim  começarem a formar um bebezinho.

- Que primeiro é bem pequenininho, né?

- É.

- Hummmm....

- E você entendeu, filho?

Isaac soltou uma risadinha toda besta. Até achei que ele ia virar pra mim e me lascar com um "isso então é sexo, mamãe?", mas não.
A surpresa foi ainda maior.

- Achou engraçado esse negócio de semente e ovo, filho?

- Nãããão... É que eu pensei que o papai do céu mandava um raio lá de cima bem no meio da cabeça da mamãe. Aí o bebê ia morar dentro dela. Assim, pelo raio.

- E pela cabeça?

- É, ué. Pela cabeça.

- Interessante filho, mas acho mais prático que a sementinha entre por outro lugar.

Aí me dei conta da cilada que me meti.
Como assim falar de "outro lugar", Carolina?!?!?!
Então esperei pelos segundos mais longos de toda a eternidade.
Já imaginando quantas perguntas Isaac iria fazer sobre o tal outro lugar.
E logo ele suspira e abre a boca:

- Mas e o papai do céu nisso tudo? Achei que ele ajudasse de algum jeito.

Senti alí a decepção religiosa, e me aventurei em outro assunto polêmico:

- Ele ajuda sim, filho, mas desse negócio de plantar sementinha ele não entende muito não. Até onde eu sei, né?

- Hummm... então aumenta o som que eu gosto muito dessa música.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Contando o tempo


- Mamãe!!! É amanhã que eu vou ser do Jardim 1??? - disse o menininho de 4 anos, já cansado do clima de férias que habita nossa casa desde dezembro.

- Não, filhinho... Tem mais uma semana de férias. Aí sim você vai ser do Jardim 1.

E ele emburra.
Emburra porque esperar é um saco.
Ainda mais nessa idade onde tudo parece ser perda de tempo.
Ainda mais quando cinco minutos é tempo demais.

Isaac tem sofrido com esse negócio de contar o tempo.
Está entendendo sobre os conjuntos de dias que formam semanas, meses e anos.
Também arrisca sobre segundos, minutos e horas.
E se a contagem passa de dois (sejam segundos ou anos) ele já acha um absurdo.

Não quer esperar.
Quer tudo imediatamente agora.
Bufa, faz cara feia, pergunta sobre o tempo e reclama dele.
E sofre.

- Mamãe, nós vamos ficar muito aqui na casa do amigo?

- Não, amor, vamos embora daqui a pouquinho.

Pronto.
Aí a ansiedade é tanta que ele perde todo o tempo que deveria ser brincado vindo me fazer a tal pergunta:

- Nós já vamos embora????

E acaba que não brinca.
Passa mais tempo me questionando sobre o tempo que lhe resta e roendo o tico de unha que lhe sobra do que brincando.
Triste.

Eu acho uma pena.
Mas sei que ele ainda não tem esse controle.
Um dia terá.
Mas hoje sofre.
E não sabe o que é se arrepender direito.
E continua de mal com o tempo.
Até que um dia aprende.
Tomara.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Acho que essa é a última... do ano.

Eu estou de férias.
Mesmo e mais ou menos.
Primeiro é que mãe não tira férias.
E outra é que eu não paro mesmo.
Não consegui um dia de pernas pra cima.
Não consegui ficar longe do computador, coisa que desejo enormemente o ano todo.
Não fiz a massagem que prometi de aniversário a mim mesma.
Desmarquei a limpeza de pele.
Vivi em função do relógio.
Enfim, não desliguei.
Minhas férias da rádio acabam semana que vem.
O ano também.
E eu tô aqui, reclamona como sempre.
E não prometo deixar de ser.
Não prometo metas para mim, para ninguém, tão pouco para o ano que se inicia.
E esse, então, que pode acabar amanhã mesmo, segundo os maias.
O que não caba é minha fé.
Que continua firme, forte e flexível como deve ser.
Olho aos céus, somente, e peço a Deus que me ilumine.
Que me mantenha em pé e forte.
E cheia de fé.
E então, como isso é smples e bom demais pra mim... desejo a você também, leitor querido que não me abandonou mesmo depois dessa desnaturalidade blogueira.
Desejo com toda a minha fé que você se encha dela.
O ano todo. Um ano inteiro.
Repleto de fé.

E um beijo. Daqueles grandes.

....
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mais do amigo secreto

Pois bem....
E a gente vai ensinando e aprendendo.
Vai mesmo.
Isaac estava todo empolgado com o tal amigo secreto da escola.
E ele ficaria mais feliz ainda se não tivesse tirado o menino que durante o ano passou de melhor amigo a "aquele sacana mirim que bate no meu filho quase todo o santo dia".
Isso.
Cômico e trágico ao mesmo tempo.
E então que nos dias antes da revelação do tal amigo, explicamos pro Isaac que ele poderia falar algumas coisas do amigo secreto antes de dizer o nome dele:

- O meu amigo secreto é menino, tem cabelos pretos e adora lutas.

- Que mais??? - dizia o menininho de olhos curisos.

- Ah! Você pode dizer que ele tem os olhos assim, ó. - e mostrei a ele minha imitação gracinha de olhos orientais.

Isso.
O amigo secreto do Isaac é o único descendente de japoneses da sala.
Tá.
Nisso não há problemas. Somos todos iguais, somos todos irmãos.
Mas ser mãe é ensinar e aprender, como comecei esse texto...

- Mamãe, como é que eu posso falar do meu amigo secreto mesmo????

- Que é menino, tem cabelos pretos, gosta de luta..... - e então fui interrompida.

- É um japonês safaaaaado....

Ploft!
Lógico que expliquei que esse não era o tipo de coisa legal de se falar.
Lógico que procurei outros adjetivos para o amigo secreto.
Lógico que quase morri do avesso.
Lógico que tive vontade de ser uma mosca pra saber como foi a tal revelação...
E até me senti um tanto vingada por todas as vezes que peguei Isaac chorando na escola por ter apanhado do colega violentinho.

Mas foi tudo bem.
Isaac teve vergonha de falar qualquer adjetivo.
Entregou presente pro amigo e veio todo saltitante pra casa por ter acertado na escolha do mimo.

E eu estou aqui.
Falando ufa até agora.
Dois dias depois.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mamãe, veja bem...

Aí danou-se.
Cada vez que Isaac respira fundo e me manda um "mamãe, veja bem" eu danço.
E danço bonito.
Pobrezinha de mim, que optei por uma criação na base da conversa, atenção e muito carinho.
Nem dá pra fingir que não escutou e sair correndo.
O negócio é firmar os pés no chão e esperar qual é a nova conclusão.
E torcer para que esta não me derrube como uma ventania tomba uma árvore despreparada no meio do caminho.
Isaac está naquela fase de negociação.
É o dia todo medindo forças com a gente.
Explicando e pedindo explicação.
(tá. se não consegue o que quer chora. como a criancinha que é.)
Se impondo.
Estufando peitinho branquelo e magrelo.
Querendo fazer valer as suas vontades.
Eu?
Assisto, interajo, canso e sofro.
Tudo numa medida básica, sem estresse, sem drama, rindo da vida.
(mentira. não é 100% assim, mas eu tento)
Só que acontece que acredito crescer alí em casa, o ser mais incansável do universo.
Ele fala, repete, demonstra opções, opiniões e por fim conclui:

- Mamãe, veja bem, se hoje não é dia de ganhar presente, como eu vou fazer para brincar?

- Mamãe, veja bem, se eu for tomar banho agora vou ficar muito agitado e não vou querer dormir.

- Mamãe, veja bem, minha barriga ainda não está muito vazia, então eu não posso comer.

- Mamãe, veja bem, só mais um filminho não vai me fazer mal.

Deu pra sacar porque é que eu arrepio em cada "veja bem"???

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Gostou???? Gostei.

Estou eu na cozinha, preparando a janta, quando escuto gritos do filho em aumento de volume gradativo:

- Mamãe! Mamãe! Mamanhê!!!!

Ele está vindo, pensei comigo mesma.
E não deu outra.
Em segundos tinha um menininho loiro, todo ar de sabichão, segurando o batente da porta.

- Oi filhote...

- Mãe! Mãe! Você sabe quem foi o primeiro explorador a documentar a vida no fundo do mar????

- Quem filho? Quem?
(adoro quando ele vem com suas novas descobertas)

- Jacques GOSTOU.

...

Discovery Kids,
As vezes eu te odeio, mas as vezes eu te amo demais.
Bjo

...

Jacques Cousteau, seu lindo,
Eu estava esperando mais um pouco para apresentá-los e desenterrar todos os documentários seus que meu pai fez assistir, mas já que aconteceu...
Obrigada por agora fazer parte da vida do meu filho também.

...


terça-feira, 4 de setembro de 2012

O que significa e o caso da bailarina sem mãe

Isaac é curioso.
Fato.
E como toda criança da sua idade - aquelas cujas mães são agraciadas e abençoadas - estendeu a fase dos porquês o tanto que pôde.
E não só isso, esticou e fez um update.
Agora ele pergunta "o que significa".
Vá lá, mamãe aqui merece um descanso e uma variação na perguntaria.
Tanto pergunta e tanto exige respostas que agora o cuidado com o que se fala, se ouve e até se pensa é mais que redobrado aqui em casa.
Ouviu na TV, de alguém, no rádio, na sala de espera, do vizinho, parentes e qualquer ser que emita som ele vem:

- Mamãããããe, o que significa?

E as músicas.
Parte ótima é que a tal fase chegou no dia em que cds da Adriana Partimpim, Pato Fu e Palavra Cantada voltaram a viver no meu carro.

Mas Isaac não se satisfaz com pequena explicação.
Espera refrão e pergunta de novo.
Nesses dias ouvíamos a Ciranda da bailarina:

- Mamããããe, o que significa essa música?

- Você lembra como é a bailarina? Toda limpinha, rosinha, retinha, arrumadinha?

- Lembo.

- A música mostra isso filho. Que a bailarina parece ser tão perfeita que não tem tudo o que todo mundo tem.

- Ela não fica doente? Ela não tem calcinha furada? Ela não tomou vacina? Ela não vai no parque? Ela não come?

E conforme foi pensando foi tendo os olhos cada vez mais arregalados.
Diante disso me dei o direito:

- Mas é uma música Isaac. Ela só que mostrar que toda a beleza da bailarina faz a gente pensar que ela é só bailarina e não menina. Mas toda bailarina é menina/mulher também. E toma vacina, corre, brinca, fica doente.

- Aaaaaaaa....

E pensou mais um pouco.

- E ela não tem mãe?

Tipo, todo ser humano encardido, doente e desnutrido tem mãe?
E seres perfeitos não precisam dela?
Fico cá eu com meus botões.
Pois filhote rapidinho mudou o foco e quis saber o que significam as letras coloridas estampadas num muro qualquer da rua.

....

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mais choro do que riso...

Eu não sei se Isaac entrou numa fase deprê.
E muito menos sei se essa fase existe.
(e se existe acho muita injustiça)
Mas acontece que ando preocupada com o chororô todo lá em casa.
Sinto filhote triste, sem vontade.
Tem se isolado de outras crianças.
Reclama de tudo.
Desenvolveu ódio por atividades coletivas e nem pensa mais em frequentar festas de aniversário.
E se frequenta, se fecha.
Não conversa tanto, não sorri.
E eu sofro.
Sofro porque sou mãe, sou exagerada, sou dramática, sou intensa.
Sim.
Já estamos procurando ajuda técnica e específica.
Lancei meus pedidos de socorro.
Estamos fazendo força tarefa em prol da felicidade e das gargalhadas sem motivo.
Morrendo de saudade das brincadeiras à fantasia, das músicas em volume alto, das corridas pelo quintal.
Perdi as chaves.
Perdi.
É exatamente essa a sensação que eu tenho.

...


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Nota a mim mesma. Só pra não esquecer.

Educar não é fácil.
Ninguém falou que seria.
Tão pouco eu me iludia que fosse.
Mas não é fácil mesmo. Com ênfase no mê.
Então eu me vejo aqui, pela primeira vez na vida, desejando ser outra pessoa, em outro lugar.
Numa mistura de tristeza, culpa, amor e paixão que me escapam pelos olhos.
Não é fácil.
Nunca será.
Eu sei disso.
Até quando a vida parecer linda e repleta de dádivas.
Vai ser difícil.
E muitas vezes penoso.
E muitas vezes cansativo.
E várias delas, bizarro.
Ocasiões únicas.
Ou em pacotes.
Mas você sobrevive, Carolina.
Não se esqueça disso, tá?

...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

mãe-esposa-empreendedora-comissãojulgadora-festeira-blogueira-eafins...

Bom,
eu estou numa fase boa da vida.
E agradeço muito por isso.
Agradeço às pessoas que me cercam, às forças superiores e divinas e a mim mesma.
Mas toda nova fase carrega em si o fator mudança.
E este, por sua vez, vem de mãos dadas com a adaptação.
Que logo, tem como companheirinhos o stress, o cansaço, a loucura.
Tudo lindo.
Mas com suas vírgulas.
Tudo ótimo.
Mas com precinhos camaradas a pagar.
Só que eu sou otimista. Filha e neta de.
Como diria minha vozinha, "Deus aperta mas não enforca".
E vamos que vamos.
Estou me encaixando nessa etapa.
Subindo mais um degrau.
Feliiiiz da vida.
Um de cada vez.
Plantando sementinhas e colhendo já alguns frutos.
E um deles é essa cabeça pensante, outrora um tanto adormecida, fervilhando novamente.

Meninas lindas do post anterior.
Muito bom ter vocês aqui comigo.
Aproveito para marketing dizendo que o site ainda está em construção, mas todas as novidades Ideias & Afins estão na página do facebook. Atualizadas quase que diariamente.
Não temos filiais espalhadas pelo Braseeeel, mas já despachamos festinhas para vários lugares.
E se não for possível atender, indicamos gente bacana e competente se necessário.

E viva a vida, né?!?!
Yoho!

...




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