Mostrando postagens com marcador cabecinha pensante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cabecinha pensante. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sedentário de carteirinha

E então que não pari o Michael Phelps.
Nem o Jordan.
Muito menos um Beckham.

Isaac é todo pensamento.
Raciocínio.
Troca qualquer brincadeira ao ar livre por um gibi.
Se vamos ao parque ele sobe no ponto mais alto do brinquedo e fica lá a observar o tempo.

E isso não é de agora não.
É item de fábrica.
Foi à natação resmungando até aprender a nadar, aí perdi os argumentos.
Judô enquanto achou engraçado, aí não havia faixa que o segurasse no esporte.
Arco e flecha, pilates, basquete, tecido circense.
Ele mostra interesse e a gente imagina que a próxima será a escolhida.
Até pode ser, mas por hora, por tempo limitado.

O negócio da criança é robótica, xadrez, lógica, videogame, livros e livros e livros e livros.

Não acho ruim não.
Acho lindo.
Mas é que a gente tem que achar um equilíbrio nisso tudo.

Atualmente Isaac escoheu o tênis.
Isso.
Raquete, bolinha e professor querido.
Vamos indo.
Tivemos período de yoga, mas como a mestre foi meditar em outro canto do mundo... damos um tempo.

Mas não pense que é uma coisa assim "yupiiiii hoje tem tênis".
Ele até vai, mas mais naquelas...
E eu sempre arrumo uma brecha pra falar do fortalecimento físico.
Metáforas, parábolas, poesias, músicas, diálogos, monólogos.
Ele sempre no jeito e no tempo dele.
E eu me encaixando, tipo uma gladiadora encarando uns leões.

Aí que no meio desses papos ele judia:

- mãe... sabe qual é o músculo mais forte de todos?

Confesso que na hora assim, só pensei em valorizar o exercício e respondi que, para um tenista, eu achava que era um músculo ligado ao ombro...
Ele me lascou aquele olhar de reprovação e de maneira bem seca querou minhas pernas fracas:

- o cérebro. LÓ-GI-CO.

...

domingo, 21 de maio de 2017

O cachorro do Kid Vinil

Eu tinha uma porçao de tópicos a abordar por aqui.
Faz tempo que a gente não se fala neste canal...
Faz tempo que não atualizo a história do Incrível Isaac via internet.
Por aqui tudo bem.
Criança crescendo, evoluindo.
Lindo.

Mas acontece que o Kid Vinil me resolve cantar em outra freguesia.
Que é mais interessante ser boy em outro plano.
E, nesse tempo maluco e apressado, o tic tic nervoso cantado em casa vai me render outras explicações.

Só que - se você me conhece já sabe bem onde vai dar - além do além pra onde foi Kid, temos o Cosmo.
Para! Longe de mim estabelecer aqui figuras e cenários religiosos.
Cosmo é o cachorro do Kid Vinil.
Que se já não bastasse ter uma cara de companheiro de vida, foi levado a dar adeus ao dono no velório.
E foi fotografado de todas as maneiras que eu aqui não tô sabendo lidar internamente.

Tô aqui, quieta no sofá, ligando os pontos todos.
Keith Richards, nossa schnauzer está bem debilitada devido a diabetes.
Já está completamente cega, coração fraco, alimentação restrita, medicamentos diários.
Não está fácil ser Keith.
(e antes que você me corrija, siiim, eu sei que o Keith é homem e que a Keith aqui é fêmea, mas pra mim faz todo o sentido. to-do)
E Kid era diabético.

Iron Maiden, nosso schmauzer, está velho,
Já não escuta direito, não corre mais atrás do Isaac.
Dorme o dia todo.
Enfim... a barba que era branca passou pra um amarelo senil.

E no meio disso tudo tem o Isaac.
E tem eu também tentando ser uma pessoa melhor e uma mãe mais centrada a cada dia.
Continuo viajando, como deu pra perceber com esse texto amalucado.

Enfim...
Diabetes, focinhos esbranquiçados, doenças, tempo.
Jogue tudo no liquidificador supersônico que é a cabeça de uma mãe.

É isso que dá... um desabafo desconexo de quem acha mais fácil falar sobre sexo do que sobre morte.

A seguir cenas...


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Eu tive um sonho...

Peraí!
Não dá pra chamar de sonho algo que te arrebenta a noite e não traz uma sensaçãozinha boa sequer.
Acompanha comigo.

Chego eu e Isaac a um lugar lindo, bem equipado, buscando novo professor de yoga (a nossa vai bater asas em breve - buaaaaaaaaa).
Todo mundo simpático, se ajudando, humor lindo.
Quando de repente começam a chegar pessoas conhecidas.
Todas com crianças.
Meninas, meninos, tudo com idade próxima.

O barulho peculiar infantil.
O barulho peculiar materno.
O caos instalado.

Fico na minha, ajudando a tirar uns balões do teto (oi?), quando isaac - que estava brincando, já que yoga ali, passou loooonge - surge irritado, perseguido por duas meninas.

Peço que ele respire fundo e me conte o que está acontecendo.
O silêncio peculiar do isaac.
A risadinha peculiar de quem tá sacaneando.
O olhar peculiar materno.

Fiquei esperta.
Logo vejo isaac com a mão nos olhos, é uma das meninas gargalhando.
Um soco, de direta. Muito bem dado.

O pedido de socorro peculiar infantil.
O pensamento peculiar materno.
Aquele que peculiarmente não podemos colocar em prática/

Veio a menina e deu outro soco.
E outro.
E outro.
Isaac não reagia.

Acordei num pulo!
Respiração ofegante.
Tomei um gole d'água.
Durmo de novo e ela lá.
Sonharia com satanás se pudesse escolher.

Acordei de novo.
E de novo.
E de.novo.
Puta! Olha a hora!
Essa menina deveria estar dormindo!

Dormi e lá estava ela, rindo da minha cara.
Quatro e meia da manhã tomei uma atitude.
Voltei a dormir.
Rezei pra que a mãe daquela criatura levasse ela pro balé e não pra yoga.
Que ela não estivesse mais ali.

Mas estava.
E eu puxei tanto o cabelo daquela filhadaputa!
E ensinei ao isaac golpes pela últimas vez usados durante o meu período de gordinha sobrevivendo aos primos mais velhos.
Última vez usados na imaginação da gordinha filha da professora sobrevivendo aos coleguinhas da escola.
E, de sonho, fiz o novo roteiro do Tarantino.

Dormi?
Lógico que não!
Depois do alívio virtual vem uma culpa, menina....
Uma culpa.

....

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bê u ene dê a.

faz tempo que vc que me acompanha sabe que sou boca suja.
Verbalmente despudorada.
Criação vocabular livre.
Com os benefícios e malefícios, faço o uso de certas palavras que deixam muita gente se olhos arregalados.
Incluindo meu filho - aquele garotinho de oito anos - que me repreeende a cada putamerda proferido.
Enfim...
Toda essa introdução pra falar sobre a poupança, a buzanfa, a traseira, o popô, a anca, as nádegas.
A minha?
A sua?
A nossa?
Não!
A bunda que falamos hoje é iluminada, superior e suprema.

Pausa
Acontece que ouvir assim, da boca do seu filho a palavra bunda, aqui é um evento.
Despausa

E lá vem o causo, estava eu dirigindo dia desses, isaac no banco de trás mirando a paisagem.

- olha mae! Olha a lua!

- olha a lua? Cadê?

- ali ó!

- Olha só!!!! E tá parecendo com o que essa lua hoje, isaac?

...

Silêncio.
Aquele que faz a gente morrer de curiosidade, depois de orgulho, de vergonha ou de rir internamente.


- pensando bem, mãe, a lua pode ser a bunda de Deus.

Acompanhei o raciocínio viu?!?! Pode parecer maluquice, mae acompanhei.

- a bunda de Deus?

- é.

- mas me diz, tem dia que ele tá mais tímido e mostra menos, depois mais um pouco e tem dia que tá desavergonhado e mostra tudo assim, bem cheia?????

Ele riu né?
Depois me olhou com aquela cara "essa velha não leva nada a sério" e riu mais um pouco.

....
E aí veio outro silêncio.

- se fosse, ia ser uma bunda bem feia.
S
E ficou ali, visualizando uma bundona beeeeem grande, branca e repleta de crateras.

E eu morri.
Como sempre.
De amor e de rir (internamente)

..:




sexta-feira, 20 de maio de 2016

Religião: entre game overs e reencarnação

Eu ainda não sei dizer a vocês se somos sem vergonhas ou bem abertos quando o assunto é vida-morte-força-maior.
Acontece que acreditamos em Deus, o Papai do Céu.
De diversas maneiras.
Outro dia mesmo disse em voz alta que não me sentia evoluída para evoluir em religião alguma.
E pra dormir com um barulho desse, levando em consideração todas as perguntas que cabem a um ser humano de 7 anos, não é tarefa fácil.
Mas a gente vê que a fé não costuma faiá aqui em casa quando participa da seguinte conversa:

- Mãe, esse negócio de onde a gente vai depois que morre é engraçado.

(a mãe aqui pensa pensa pensa mas não perde a mania)

- Engraçado? Pois é, Isaac, as vezes também acho. Mas como assim?

- Então, eu estava pensando aqui que a gente deveria passar por um portal onde a nossa barra de vida ficaria infinita.

- Em que momento da vida?

- Assim, depois do game over. A barra de vida ia ser infinita, com muitos corações.

PAUSA

Se seu filho ainda não se entregou aos jogos LEGO, eu te explico: cada coraçãozinho da barra aguenta umas três porradas da vida eletrônica... mas isso é mais ou menos assim desde que o mundo é mundo, então né...

DESPAUSA

- E aí? a gente ia viver no game over?

- Não! depois de um tempo a gente nascia de novo. Pode ser no "formato" de outra pessoa.

- Posso ser um animal????

- Não sei.

- E a Galinha Pintadinha? Posso???? (ele odeia quando retomo a super infância embalada aos top hits da galinácea)

- Mãe! É sério!

ploft.

(recolham os pedaços da mãe ali, que quase desintegrou com tanta maturidade)

...

terça-feira, 22 de março de 2016

Bruxelas

Isaac faz uma vista rápida a avó onde a TV notíciava os atentados em Bruxelas.
De longe observei ele atento às legendas e imagens.
Fiquei alí, só me preparando para o zilhão de perguntas que brotariam a seguir.
Ele ficou quieto, um tanto chateado, nem esboçou dúvidas sobre o ocorrido.
Ao entrar no carro...
(Ah, o carro, nosso ninho psico-paradoxo-estranho de conversas mil)

- mãe, o que é Bruxelas?

- Bruxelas é uma cidade que fica num país chamado Bélgica.

- couve de Bruxelas?

- também.

Silêncio. Danou-se.

- mãe, eu acho que eu tenho DNA de inseto.

- sério? Pq?

- então, a mosca não vai direto na luz da televisão?

- sim.

- isso! Eu não conseguia tirar os olhos da TV e ver aquelas coisas que aconteceram em Bruxelas.

Meu coração moeu-se.
Realidade dura e feia essa.
Inexplicável.
Imagina então encontrar didática para falar de tal assunto?
Eu?
Fiquei alí.
Olhei bem nos olhos dele e perguntei se ele tinha entendido bem o que tinha acontecido.
Isaac fez a cara mais triste do mundo.
Não me deixou dúvidas sobre o seu sim.

- também ha esse tipo de vilão hoje no mundo, filho.

- os que explodem?

- sim. E como vc viu, no meio de um monte de gente inocente.

Um suspiro fundo.
Uma decepção com o real.

- mama, então eu acho que deviam passar essas notícias ruins só em "bruxelês", aí a gente não ia entender.

Faz sentido.
Às vezes, muito.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O tempo (ou falando da Mari e da Sabrina)

Como diria minha amiga Mariangela, de olhos esbugalhados e uma expressão de terror que só me lembro ter visto nela, já é março.
O tempo - não canso de repetir - é um fanfarrão apressado e sem pudor.

Não sei bem como cheguei nesse post, mas vamos lá, tentar organizar as ideias.

Lembrei da Mari esse dias, meio sem muito motivo.
Colega de faculdade, de trabalho, de vida, mesmo que de longe.

O tempo passou e cada uma encontrou seu cada um.
E com o pouco tempo que nos resta dos dias tão curtos, vivas para as tecnologias.
Assim a gente se fala, e reclama do tempo.

Ele, sempre ele.
De novo e de novo.
Reclamar dele é perda de tempo, eu sei.
Mas fazer o quê?

Enfim, Mari é das poucas criaturas que carrego comigo. Fez parte tão importante nessa vida aqui que sempre resgato algo dela.
E se sinto falta, cobro.
Logo, lembrar da Mariangela (e ó, perdoe este corretor que tira os acentos), me faz lembrar do tempo.
Do peso que o tempo tem.
Ou não.
Confuso?
Sempre.

Me faz lembrar que sou mãe agora, depois de tantos anos.
Tempo correndo, Isaac já é menino.
Aproveita o próprio tempo.
Mede, conta, sente a falta.
Se organiza.

Enquanto a Mari ria da minha barriga, imaginava Isaac e contava as semanas comigo, o tempo parecia parado.
E falar dela com Isaac hoje é aquele "leeeeeembra?", enquanto ele se agarra a pequena almofada com a oração do anjo da guarda. Aquela que a Mari deu.

E a minha tia querida, mãe da Mari, mãe daquele monte de mulher, era dona de uma loja de artigos infantis, cujo nome era o mesmo de outra criatura que carrego.

A loja, pausa para falar do tempo, era aquela em que eu me divertia na vitrine de natal, quando eu tinha a idade do Isaac.

A Sabrina.
Conheço faz tanto tempo que já cálculo em encarnações. Não em anos.
Aí, viajante que sou, me entrego mais uma vez ao tempo, teclando agora louca, enquanto mito o relógio.
Já já não dá mais tempo e esse post fica rascunhado.

E a Sá, tem o Romeo, que - puta vida! - já canta os parabéns em dois dígitos.
Loucura?
Nada.
Só o tempo.

E falar do Romeu-lindo-da-tia me volta ao Isaac.
Né?!?!
Sete anos, batendo a cabeça no meu peito, rindo, falando que logo logo estará maior do que eu.
Que graça.
Que rápido.
Ou não.

Então, para mim é claro que o tempo - não digo as horas, minutos e segundos - anda, corre, galopa, teletransporta no tanto que a gente permite.
Ele é implacável às vezes sim.
Por demorar ou atropelar, tanto faz.

Maternidade, idade, amizade, dia ou madrugada.
Espera na salinha, na porta da escola, no trabalho.
Curto ou arrastado.
Analisar o tempo, e a gente dentro dele.
Um benefício por ser sapiens.

ensinar sobre o tempo...
Isso já é outra história.
Quem sabe pra amanhã.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Pequenas nerdices, religião e praticidade

titulo de post mais controverso não há, eu sei.
Mas é isso mesmo.
Sem preconceito algum digo que tenho um filho nerd, ou geek, sei lá.
Ainda me familiarizo com toda a nomenclatura.
No final das contas, Isaac é daquelas pessoas que curtem aquilo que o povo chama de coisa de nerd.
Troca qualquer programa por um filme da marvel, tem uma infinidade de livros sobre criaturas, se interessa mais pelo C3PO do que por mim, tem dias, confesso.

Enfim,
Acontece que depois que apresentamos Marty McFly e Doc ao pequeno, ele arruma uma maneira de enfiar o Delorean onde consegue.
Explico.

Viagens no tempo, comparações com o passado, previsões pro futuro, experiências e imaginação a mil.
Coisa de criança e mãe de criança.
A gente se entrega.
Brinca, curte, tira e volta os pés no chão.
Como se deve.

E aí, que outro dia, Isaac - que diga-se de passagem está formando suas ideias sobre religião - suspira, e expõe a ideia:

- mãe, eu acredito que Jesus já sabe tudo o que vai acontecer com a gente.

- é filho? Vc quer saber no que eu acredito?

- lógico!

(Adolescência, não nos roube isso, poooooor favor)

- acredito que Jesus e o papai dele tem algo planejado pra gente sim, mas eles nos deram um poder.

- mutante?

- mais ou menos. Eles nos deram o poder de escolher.

- só?????

- então, só. Mas olha, a gente aprende muitas coisas, o que é certo e o que é errado, mas muitas vezes fazemos o errado.

- como assim?

- hummmm... Acho que quase todo mundo sabe que fumar faz mal, certo? Mas mesmo assim tem gente que vai lá, compra o cigarro e fuma.

- Jesus ensinou que fumar faz mal?

- de certa forma, ensinou que a gente deve cuidar da nossa saúde.

- aaaa... Mas ele sabe do nosso futuro.

- sabe?

- saaaabe. E a cabeça de Jesus é tipo um Delorean da nossa vida.

Explodi de orgulho, gente, explodi.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

E chegou o dia

Então....
Antes eu ficava louca pensando em quando Isaac crescesse e quisesse começar a ler esses escritos aqui.
Nunca me permiti censurar.
Meu filho, vive comigo, sabe bem das coisas que faço e falo.
Certeza que ia reprovar uma montanha de coisas, se envergonhar com tantas outras.
Ok.

O tempo passou, a maternidade mudou pra mim, em mim, me mudou... esse blog aqui ficou um tanto abandonado... E tal....
E o dia chegou.

Antes de eu falar de hoje, preciso contar que sexta-feira tive conversa super produtiva com colega-pai-de-menino-de-dez-anos.
A gente falando das crias informadas e informatizadas, da tecnologia, desse mundo maluco.
E ele me disse que o filho quer ser YouTuber quando crescer (ou daqui dois anos, quem sabe).
Como toda mãe, curti horrores a conversa durante bom tempo, enquanto ela passeava pelos Meus pensamentos.

Enquanto isso, eu e Isaac Passamos o feriado montando um castelo de lego.
Lindo, enorme, cheio de criatividade e detalhes.
Hoje ele acordou agitado, contemplou o castelo, se orgulhou e deixou a coisa fluir:

- mama!!!! Tira uma foto! Foto boa hein?!?!

- Ok. Assim???

- isso. Agora coloca no Safari.

- oi?!?!

- isso mãe, na internet ó!

(Sua velhota lerda e desatualizada - dava pra ler nas entrelinhas)

- vc quer seu castelo na internet?

- sim. Na página do Google de "castelos legais".

Fiquei ali, parada, sei lá se admirando o momento sei lá se mergulhando na doideira ou chorando por dentro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

as voltas que o mundo dá, o feminismo e a doce arte de educar uma criança...

título longo, eu sei...
mas não consegui resumir, nem pensar em um melhor.
mas vamos lá... organizar as ideias.

acontece que aos sete anos eu ia sozinha ao supermercado.
com a mesma idade eu já era capaz de deixar louça lavada, cozinha arrumada e tarefa feita.
já lia e escrevia meus livros, fazia capa e tudo.
ia pra escola a pé sem reclamar.
já sabia que ônibus tomar, contar os dinheiros e solicitar o troco caso faltasse.

certeza.
a geração antes da nossa não estava a fim de criar bundões.
seja lá por qual motivo, a educação a base do olhar de repreensão, das ocasionais chineladas e dos temidos "vai lá no meu armário e pega a cinta", funcionou.
bom, pelo menos pra mim.

mas acontece também que o tempo passa, as cabeças pensantes e influentes se transformam, a tecnologia avança e penso eu agora que virei bundona.
em algum momento, com algum sentido, me perdi na coisa toda.

hoje sou eu quem cria um filho de sete anos.
que reclama para ajudar em tarefas simples do cotidiano.
que nem imagina uma realidade onde ele lave o próprio copo.
vá lá limpa a própria buzanfa sem achar aquilo um absurdo.

e eu fico me perguntando em que momento da vida a coisa desandou...
como é que eu não segui com os ensinamentos passados pela minha vozinha e depois minha mãe.
que tipo de ser eu acho que vou deixar pro mundo.
um bundão feliz?
um egoísta?
um infeliz de tão feliz?
uma daquelas criaturas que se frustram por ter que colaborar?

mas mesmo me fazendo uma infinidade de perguntas eu não desisto.
é lógico ser mais fácil ir lá pegar o copo, dar dois passos e colocar na pia do que desfiar um sermão sobre a contribuição e convívio em sociedade, mas eu não me poupo.
falo sobre a vida, sobre tudo o que significa ter a atitude de pegar o copo que usou e levar até a pia.
o copo, o prato, os talheres e o guardanapo, que deve ser jogado no lixo reciclável.

ainda tem o tênis, a mochila, os brinquedos.
os horários e compromissos.
o banho sem demora, a roupa limpa, a suja, a cueca longe do chão.
enfim, as responsabilidades.
que já existem sim, e eu não as ignoro.
não deixo que isaac esqueça também.
oras.

eu não esquecia.
e olha que tinha sete anos.
ai de mim se precisasse de supervisão adulta para as responsabilidades que faziam meus dias na época.
eu mesmo me cobrava em ajudar, já que minha mãe trabalhava o dia todo... nem passava pela minha cabeça dar mais trabalho a ela.

não quero viver de extremos.
não quero ser igual a minha mãe.
mas também não quero ser tão diferente assim.
quero mais é que o mundo dê voltas e voltas e volte de novo, pois acho que assim também se aprende.

e como é que pensei nesse texto?
olhei meus cintos no armário esse final de semana e gelei ao pensar se todas aquelas taxas e fivelas enormes morassem no armário da minha mãe em 1986.

...



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

vivendo e ensinando e aprendendo (como o consumismo acontece lá em casa)

está ele lá.
isaac parado, só de cueca, em frente ao espelho:

- sabe, mãe, eu não entendo.

(antes de eu me apavorar imaginando todas as questões que envolvem um menininho de 7 anos, cuecas e espelhos, fui traída pela minha própria língua e pensamento rápidos)

- o que você não entende, isaac?

ele coloca as mãos na cintura, mira bem a cueca, o pipi, sei lá, a parte de baixo:

- esse negócio das cuecas, mãe.

(pronto. agora ele vai querer andar com o pássaro livre. só pode)

- como assim?

ele pega no pipi, bem na frente, bem menino, bem sei lá. não consigo explicar.

(e já começo a pensar num bom motivo de eu não ter mandado ele vestir logo a bermuda)

- eu não sei pq eles colocam esses desenhos de personagens na cueca.

(respondo um pouco aliviada, só que não. isaac sempre tem questões surpresa guardadas na manga)

- não sabe?

- é não sei. pq, ó, veja bem...

(iiiiii, o veja bem, me lasquei)

e deixo ele continuar, olhando firme seu reflexo no espelho.

- se a cueca fica escondida, pq é que ela tem que ser bonita ou ter o personagem. só eu que vou ver...

- entendo sua dúvida, filho... entendo.

- então, mãe, não é sem sentido????

(e lá vamos nós)

- sim, se a gente pensar dessa maneira, sim... mas eu vou te explicar um sentido mais triste.

- triste?

(só pensei nessa palavra, foi mal)

- é. triste. vc sabe pq eles colocam os personagens nas cuecas?

- não.

- pra mães bobas, como eu, irem na loja, pensarem nos seus filhos fofos, e gastarem o dobro do dinheiro num pacote de cuecas só pq há um personagem nela.

- cueca com desenho é mais cara?

- sim, amor, bem mais cara.

- e vc comprou?

(aí eu já estava jogada no chão, me achando a pior das criaturas)

- comprei, filho, pq na hora a tonta aqui só pensou em como vc curte assistir a esse desenho. e comprei.

- hummmm ...

(ponderou ele, com uma cara de pena, que deu pena de mim)

- é isso que as empresas fazem, isaac, nos enfiam produtos que não precisamos.

- como exemplo, cuecas com desenhos que ninguém vai ver.

- isso.

- ó, mãe, eu não preciso de cueca com desenho. é legal, mas tudo bem usar cuecas lisas.

(ploft! só não morri alí pq se o papo rolou eu devo estar acertando em alguma coisa)

- que bom filho, que vc entende assim.

(aí acho que ele percebeu a cara de "puta que paril! que merda! como eu pude me render as cuecas estampadas e licenciadas???? que caralho de mulher/mae/ser humano sou eu????)

- mãe, olha aqui na gaveta.... eu tenho muitas cuecas lisas. olha!

se certificou de que eu realmente estava olhando na gaveta, sorriu e saiu, correndo atrás do cachorro.

...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

macabro

acontece que eu tenho sonhado muito com a minha passagem desta pra uma melhor.
sério.
a morte não me assusta. nem um pouco.
mas venhamos e convenhamos que a morte que deveria ser só minha, não é.
tenho família, marido, filho, dois cachorros de idade avançada, meus pais, amigos, enfins.
gente paca que vai ficar aí chorando.
por um dia ou dois, mas vai.
e esse negócio de morte mexe com a gente que é mãe.
aí que essa madrugada, depois de mais um episódio de final de temporada vital desta que vos tecla, me fiz a seguinte pergunta:

o que eu gostaria que isaac não esquecesse a meu respeito.

da mãe chata que ainda sou?
da louca que fala sozinha?
da mais legal do universo que finge não ver as tarefas mal feitas?
da triste?
da alegre?
da explosiva?

sinceramente?
não sei.
aí me pus a mentalizar uma carta pra deixar pra ele.
uma bem feitinha, cheia de amor e carinho, de força, de sentido.
abri o coração pra mim mesma.

e, de certa forma, a tal da carta vai sair sim, e será muito bem encaixada num futuro distante, mesmo comigo vivinha da silva.
e se não estiver, também tá valendo.
mas o que achei mais interessante é que eu quero mesmo deixar pro isaac como é que eu era quando ele era criança.
como é que eu enxergava tudo, das coisas que ele nem dá tanta bola hoje, mas que vão fazer diferença master na vida dele, ou dos filhos dele, ou dos netos dele.
(e de quebra vai explicar muita coisa pra mulher dele)
quero registrar coisas só nossas, aquelas que eu vou adorar que ele leia pra mim qdo minha memória já estiver corroída pelo tempo.

parece triste pensar assim, mas não me abalo.
é uma maneira de deixar o tempo cumprir seu papel sem brigar com ele.
a gente vai envelhecer, é fato.
a gente pode morrer, é certo, e mais certo ainda que não há data para o ponto final.

vivemos.
vivamos sim e felizes.
pensando na morte e na vida.
ao mesmo tempo sim, pq não???



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nave Mãe

ser mãe.
tarefinha delícia porém cheia de vírgulas.
satisfação plena porém repletas de tempestades de cuspe.
um ensinar e aprender infinito.
ok.
sabemos.

e estava eu outro dia conversando com isaac sobre a vida.
jogo bem a real.
digo que ela não é fácil.
que se a gente não ter paciência a gente sofre.
que egoísmo é uma arma que usamos contra nós mesmos.
que gentilezas são necessárias para quem escolhe viver em sociedade.
e que, principalmente, ouvir os pais é importantíssimo.

tá.

ele logo pergunta se estou dando bronca.
digo que não.
mas que as vezes a gente precisa ter umas conversas mais sérias.
que eu preciso muito ensinar para ele algumas maneiras de se virar com o mundo.
de crescer num caminho legal.
que vou contando como aprendi pra ele mesmo saber o que fazer.

ãhã.

ele logo muda o assunto para video games, peças de montar e filmes de ação.

ok, vamos juntos, passo a passo.

e ele logo questiona sobre a palavra mãe estar tão presente em tudo.
a língua-mãe. explico.
a placa-mãe do computador. explico.
ele pergunta, pergunta, pergunta.
e eu, toda tonta, falo sobre a nave mãe.
a do jogo eletrônico querido.

- a nave mãe é aquela que protege as outras naves menores.

- nããããão, mãe. não, né?

- não??? então o que ela faz?

- a nave mãe é aquela que QUER controlar tudo.

(e me olhou com aquela cara de "e não controla bosta nenhuma")

ok.
mudança de comportamento! ATIVAR!!!!!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

quando um balão não é só uma bexiga...

das simplicidades dessa vida, né?
voltemos a falar delas.

isaac faz aniversário em agosto.
eu encerrei minhas atividades no ramo festeiro profissional faz pouco tempo.
continuo sim amando fazer as coisinhas, caprichar nos detalhes, mas agora me limito as festas do filhote.
e lógico, por mais simples e caseiros estejam os planejamentos para as comemorações deste ano, eu estou sim pensando numa lembrancinha para os pequenos convidados.

bom,
mas eu não pude não perceber, que, essa louca dessa vida faz a gente revivê-la.
assim como esse louco desse mundo nos faz dar voltas.
enfim, lembrei eu esses dias, de como a gente amava (num passado distante) quando sobravam bexigas das festinhas.
quando a gente achava alguma esquecida num canto.
ou podia levar uma da decoração pra casa.

vale a comparação.
hoje o que vejo são crianças endoidecidas estourando todas as bexigas possíveis antes do meio da festa.
ouvi de um monitor de buffet "elas precisam extravasar" e não consegui segurar a imaginação de que a próxima moda será a de festinhas em academias de muay thai.
e nem a indignação.
se o monitor enxerga assim, crianças endoidecidas enfiando suas pequenas unhazinhas na decoração não seria este um evento isolado.

tá,
voltando...
o que me fez lembrar das bexigas valiosas da minha infância foi uma simplicidade da vida.
explico.
isaac voltou de uma festinha todo feliz com um balão já cheio.
pegou de um centro de mesa, antes de sairmos do buffet.
veio agarrado a ela como se fosse a última bexiga do mundo.
cuidadoso.
deixou num lugar longe dos cachorros e de objetos perfurocortantes (me chamem de louca, mas amo essa palavra...kkkk...acho linda e objetiva... um serviço a informação).
acordou no dia seguinte e me convidou a não deixar a bexiga cair.
ficamos por um bom tempo só curtindo a leveza do momento.
risadas e desafios.
diversão plena, pura, simples.
ensinei a ele alguns nomes ligados ao vôlei.
e ele adorou.

a bexiga preta reinou absoluta lá em casa.
era requisitada a todo momento.

- mãe! topa vôlei de bexiga?

- mãe! agora so vale com os pés!

- agora só com a cabeça!

- agora bem alto!

sorte da danada da bexiga.
aposto que hoje murcha feliz por ter cumprido tão bem seu papel nesta vida.
sorte a minha por ter me entregado as delícias de ter uma bexiga sobre a mesa de jantar, sempre pronta, sempre disposta.
sorte.

e só pra registrar, a danada, continua lá, mesmo que diminuída pela falta de ar, desbotada, no fim da vida, continua me fazendo pensar tanto.
em tanta coisa.
na simplicidade, nas felicidades, na utilidade, nos valores, na velhice, na vida....

danada....

segunda-feira, 6 de julho de 2015

pensamentos de quase-mãe*

*eu ainda me considero quase-mãe...
talvez eu me ache inteira-mãe um dia, mas por hoje, engatinho.
só que meu status é outro.
de acordo com as leis sociais e toda a burocracia, pari um dependente, tenho 01 filho do sexo masculino, menor de idade.
sei disso tudo.
e não uso o quase-mãe no sentido depreciativo.
uso pq acho que ainda há muito a se aprender.
bom, mas a questão é que eu tenho um capítulo na minha vida, que eu chamo de quase-quase-mãe.
eu não me considerava tentante, eu não me considerava mãe em potencial.
eu me achava mesmo uma azarada de carteirinha.
eu não conseguia ovular.
depois eu ovulava e não conseguia engravidar.
depois eu engravidava e não conseguia permanecer em tal estado de graça.
num looping.
duas vezes.
e como bônus, cirurgias, curetagens, toda a sorte de chatice hospitalar.
além disso, as pessoas me olhando com aquela carinha de cocker spainel asmático, isso sim me matava.
passou tempo pacas, eu sei.
até hoje aprendi muito (muito mesmo) sobre mim, meus limites, meus sentimentos, a força que tenho, sobre o poder e o controle que habitam nesta gordinha aqui.
fui presenteada com o menino mais bacana do universo. tenho a sorte e o prazer de educá-lo.
não me acho mais a azarada de carteirinha.
mas ainda me encontro com os pensamentos da época.
eles retornam.
me assombram.
e as vezes, até me acalentam.
é confuso sim, mas existe.
acontece que a gente supera, só que não.
a gente esquece, só que por um tempo.
entende, digere, mas nem tanto.
e vez ou outra se pega pensando em tudo aquilo.
como se fosse o capítulo de um livro de história, mas doído de ler.
eu passei muito tempo tendo raiva de mim. me achando com defeito.
me sentindo incompleta. um ovo podre.
achando que era uma dívida alta a ser paga.
e ainda gasto (ou perco) um tempo com isso.
vendo os segundos filhos.
vendo barrigas grávidas.
vendo TV.
não é inveja. não é mesmo. é uma coisa estranha.
fico muito satisfeita em ver a família alheia.
não tenho vontade de que a minha aumente.
acontece que eu fui marcada por essa fase.
profundamente.
fui marcada de uma maneira que só eu consigo entender. e eu mesma não consigo explicar.
eu sei que aprendi a lidar com essa carol que ainda mora aqui.
bem no fundinho, mas mora.
que as vezes aparece, mas some de novo e hiberna.
que me coloca no fundo do poço mas também me resgata de lá.
uma carol sozinha, sabe?
que suspira, se deixa chorar, mas se assusta.
e se esconde.

...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

a fase, a coisinha mais fofa desse mundo, a mãe louca e quase normal, fim?

pode ser que o tempo cure tudo mesmo.
pode ser que isaac tenha assustado com as minhas reações e resolvido mudar o comportamento.
pode ser que seja aquele lance de fase.
pode ser que, após minha cota de boas ações cumpridas, seres superiores tenham resolvido me dar um tempo.
pode ser que alienígenas tenham ouvido meus gritos dramáticos e tenham abduzido criaturinha que habitava neste lar.

pode ser um tudo. ou de tudo um pouco. ou tudo ao mesmo tempo agora.
maaaaas acontece que isaac agora acorda sorrindo para mim.
me abraça e diz que me ama.
me ouve.
responde quando chamo.
tá a coisinha linda da mamãe.

lógico e claro que nem tudo é 100%.
mas, levando em consideração todo o lance da personalidade, mais as liberdades de expressão e pensamento que demos ao pequeno, tá tudo lindo.

passamos o domingo tão bem, tão concordando, tão rindo juntos, que ó, tô me achando a mãe mais bacana do planeta.
e mais, aquela que tem o filho mais cuti cuti de todos.
ele ir comigo ao mercado, a padaria, ao raio que nos parta.
tudo sem resmungar.

dá medo?
sim. muito.
mas digamos que, mesmo sabendo que essa fase colorida também vai passar, vou me entregar a ela, deixar me iludir, e chorar depois.
pq, né, tô aqui pra isso.

e tô aqui também pra reconhecer que, amigas, eu tenho as minhas fases.
eu tenho meus momentos descoloridos.
ou só colorido de cores berrantes, irritantes e bravas.
e isaac me aguenta.
tem que.
então, já que somos todos feitos de beleza e feiura, doçura e amargura, tensão e leveza, vamos que vamos.

vamos até o próximo momento loucura ou próxima descoberta.

ótima semana pra nós, estável ou não.

bjo




sexta-feira, 19 de junho de 2015

simples assim

eu não costumo ser daquelas que resolve tudo da maneira mais simples.
as vezes sim.
as vezes me embaralho nas armadilhas que eu mesma crio.
e vou vivendo.
e aprendendo.
e tomando na cabeça.
coisas da vida.

acontece que eu tenho o prazer de, em alguns dias, dividir minha mesa com uma menininha linda.
oito anos.
esperta que só ela.
e ela senta aqui comigo.
enquanto eu sou a louca das notícias ela chora pela chatice das tarefas escolares.
e a gente se diverte.
eu tento (como tento bravamente com isaac em casa) ensiná-la, além das multiplicações e sílabas, que a gente tem esses compromissos mesmo e não dá pra fugir deles.
ela ri.
ri de mim, a danada.
e me ensina também.
sabe como?

- nossa, carol, pq vc pintou sua unha de vermelho?
- ah, eu adoro vermelho, vc não?
- vermelho é sua cor preferida?
- não. é azul. mas eu gosto de vermelho tbm.
- hummmm
- e a sua cor preferida, qual é?
- minha cor preferida é arco-íris.

simples assim, né?
e pq não?


quinta-feira, 11 de junho de 2015

sobre pensamentos e beijos

olho pro teclado.
as letras se embaralham.
o pensamento escorre por onde consegue.
eu quero escrever.
quero muito.
mas parece que os dedos, as ideias, as letras não se coordenam.
estão em desacordo hoje.
cada um com sua vontade própria.

e eu, que sou apenas a portadora deles todos, fico aqui.
tentando unir tudo.
dar sentido.
dar vazão.
rumo.

fico entre desembaralhar e embaralhar as letras do teclado.
fico a admirar o vermelho lindo que colore as minhas unhas.
fecho uma janela.
abro outra.
navego pela cidade, pela rede, pelo mundo.
navego por mim, em mim.
aqui dentro.

e só consigo me concentrar em uma única coisa
de verdade
no beijo que isaac me deu antes de ir pra escola.

coisa de mãe né?
coisa de mãe.



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Isaac, você é tão amado...

meu filho,
tenho pensado muito esses dias.
sobre o amor.
sim, sobre ele.
nas mais diversas formas.

mamãe tem estado com essa cara de cansada, filho.
não e culpa sua.
nem de ninguém.
é que adulto tem dessas coisas.
de não dormir pq quer pensar.
quer achar respostas.
ou apenas formular perguntas.

você pode achar uma bobagem grande agora.
ficar acordado olhando pro nada.
mas um dia você vai crescer e entender muita coisa.
que insônia é um fato. as vezes.
que olhar pro nada pode ser olhar pra tudo, olhar pra dentro, olhar pra fora da janela e do mundo.
que pensar é quase tudo o que somos.

mas agora é cedo.
cedo pra insônia.
cedo pra ter culpa.
cedo pra pensar em tudo.
cedo pra olhar pro nada.

agora, filho, é hora de você se sentir seguro.
seguro em nossos braços.
seguro para tomar as decisões que cabem a vc agora.
seguro para falar o que gosta, o que quer.
e também para expor seus sentimentos.

agora, isaac, é hora de entender.
entender o tamanho que o mondo tem para alguém do seu tamanho.
entender que esse mesmo mundo é horas sério, horas super divertido.
entender que tem vacina, tombo, tarefa e castigo.
mas que também há tanto doce que a gente até enjoa e não consegue comer tudo.

é hora de ter certeza,
apenas uma, acho eu.
de que você, filho, é amado.
é muito amado.
muito, mesmo e de verdade.
daqui até o infinito.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

como assim? vai passar? ô. uma hora vai... rs

sou xereta.
sim.
um bom tanto.
mas acontece que observando essa vida, as pessoas que passam pela minha...
e digo pessoas de todas as idades, tamanhos, graus de parentesco, amizade, afinidade, ódio, irritabilidade, artista de cinema, cantor, político, gente desconhecida, conhecida, enfim... vou tirando meus aprendizados.
sou mulher, já adulta, mas tenho cá meu pezinho na adolescência, mesmo que não seja a minha.
dou risada da vida com a mesma frequência que choro por ela.
tá.
acho que todo mundo é assim, não?

e vou aprendendo mais ainda sendo mãe, né?
convivendo com mães.
antes nas rodinhas, depois pelo blog, depois internet toda, facebooks, instagrans da vida, no geral.
conviver com mães é um tratado.
você sai de cada encontro ou se sentindo uma merda ou super heroína ou as duas coisas ao mesmo tempo ou um milhão de coisas ao mesmo tempo (e boa parte delas você nem sabia que existia).
você acha que sabe, mas não sabe.
você acha que é a louca do primário e descobre que isso é normal.
você crê que está fazendo quase tudo certo e nota que está fazendo certo demais.

e uma das frases que aprendi com a maternidade é que passamos a viver a vida em fases.
não que não fosse assim antes, mas é na maternidade que você entende o processo.
e não é pq você é criatura iluminada, veja bem...
é mais pq diante do seu drama/desespero/questionamentos, sempre vem uma mais sábia e solta a máxima "fica tranquila, é uma fase, vai passar".
eu mesma já ouvi e já falei tanto isso aí que ter a conta é impossível.

e eu mesma já desacreditei de mim quando ouvi minha própria voz explicando algo do horroroso mundo maternal como uma simples fase.
sim.
fases existem e são para ser vividas.
fases são necessárias, mas...
cola aqui, amiga...
chega perto que eu vou te contar um segredinho.

tem fase que não passa, tá?

o que passa é a sua vontade de morrer diante de uma dificuldade daquelas.
o que passa é a inexperiência.
o que passa é o desespero (que se volta para outro tópico).
como também passa o seu olhar para tudo o que seu filho faz/já fez/e ainda vai fazer.

ou seja, as fases são suas.
só suas.
não do seu filho, do seu marido, do seu casamento, do tio da quitanda.

e eu percebi esses dias que as fases nos acompanham.
só que ganham dimensões muito diferentes de acordo com o seu jeito de lidar com elas.
se mate não, viu?
não é impossível, nem difícil.
aceitar as fases e deixá-las maiores ou menores é item de fábrica.
está aí em algum lugar,

então, se seu filho não pára de gritar, comer meleca, acordar de madrugada, fazer birra, te ignorar por completo, respire fundo.
entoe o mantra clichê básico de que é uma fase.
(garanto, faz parte do processo)
e se deixe transformar.
como?
quando?
vou liberar aqui outro segredinho.
(atenção, talvez seja só trocar um clichê pelo outro)
e esse aqui você pode usar e abusar:

- uma hora vai...

ótima semana pra nós!



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails